Perguntas que todo mundo faz

O espaço tem fim? Até onde vai o universo

O universo observável tem 93 bilhões de anos-luz de diâmetro, mas isso é só o que vemos. O que há além, o que significa infinito e por que não existe borda.

Publicado em 5 min de leitura
Campo profundo com milhares de galáxias distantes de várias cores e formas
Foto: NASA/GSFC
Neste artigo
  1. Até onde conseguimos ver: o universo observável
  2. O que há além do observável
  3. O universo é infinito?
  4. Por que não existe "borda"
  5. O Big Bang não foi uma explosão em um lugar
  6. O universo está crescendo, e cada vez mais rápido
  7. Multiverso?
  8. Resumo em cinco frases

É a pergunta que toda criança faz e que a maioria dos adultos ainda não sabe responder: o espaço tem fim? Se tem, o que há depois? Se não tem, como algo pode ser infinito? A resposta curta é desconfortável: não sabemos se o universo é infinito, mas sabemos que ele não tem borda, e sabemos exatamente até onde conseguimos enxergar. Vamos por partes.

Até onde conseguimos ver: o universo observável

O universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos. Como a luz viaja a uma velocidade finita, só podemos ver objetos cuja luz teve tempo de chegar até aqui. Você poderia pensar que o limite é 13,8 bilhões de anos-luz em cada direção. Mas o espaço se expandiu enquanto a luz viajava, e os objetos que emitiram a luz mais antiga estão hoje muito mais longe.

Feita a conta, o universo observável é uma esfera de cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro com a Terra no centro. Não porque a Terra seja especial: qualquer observador em qualquer galáxia tem a própria esfera observável ao seu redor.

Dentro dessa esfera existem, segundo as estimativas mais recentes, algo entre 200 bilhões e 2 trilhões de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas.

O que há além do observável

Aqui começa a parte honesta: não sabemos, porque não podemos ver. A luz de lá ainda não chegou e, por causa da expansão acelerada do universo, boa parte dela nunca vai chegar.

O que a física sugere é que o universo continua além do limite observável, provavelmente com as mesmas características: galáxias, estrelas, gás, as mesmas leis. Não há razão para pensar que nossa bolha observável seja diferente do resto. A questão é quanto continua: mais um pouco ou infinitamente.

O universo é infinito?

As medições da curvatura do espaço, feitas principalmente com a radiação cósmica de fundo pelos satélites WMAP e Planck, mostram que o universo é plano dentro da margem de erro, com precisão de cerca de 0,4%. Isso significa uma de duas coisas:

  1. O universo é infinito. Um espaço plano sem borda e sem curvatura se estende para sempre. Essa é a interpretação mais simples e a mais aceita hoje.
  2. O universo é finito, mas tão grande que a curvatura é imperceptível, como um lago que parece plano porque a Terra é muito maior que ele. Nesse caso, o universo inteiro seria pelo menos centenas de vezes maior que a parte observável.

Há um limite inferior: se o universo fosse finito e "pequeno", veríamos padrões repetidos na radiação cósmica de fundo, como reflexos em espelhos. Ninguém encontrou esses padrões. Então, se for finito, é gigantesco.

Mapa completo da radiação cósmica de fundo, a luz mais antiga do universo
Mapa do céu inteiro feito pelo satélite Planck: a radiação cósmica de fundo é a luz mais antiga que existe, emitida 380 mil anos após o Big Bang. Suas pequenas variações revelam a geometria do universo. Foto: ESA and the Planck Collaboration

Por que não existe "borda"

Mesmo se o universo for finito, ele não tem uma parede ou um fim onde o espaço acaba. Isso é difícil de imaginar porque tudo que conhecemos tem bordas. A analogia clássica é a superfície da Terra: ela é finita, você pode medir sua área, mas não tem borda. Ande em linha reta e você volta ao ponto de partida. Um universo finito seria a versão em três dimensões disso: viaje longe o suficiente em qualquer direção e, em teoria, você voltaria para casa.

E a pergunta "o que tem fora do universo?" não faz sentido dentro da física atual. O universo é, por definição, todo o espaço e tempo. Não há um "fora" onde ele está contido, do mesmo jeito que não há um "norte do Polo Norte".

O Big Bang não foi uma explosão em um lugar

Uma confusão comum: as pessoas imaginam o Big Bang como uma bomba explodindo em um espaço vazio, com o universo se espalhando a partir de um ponto. Não foi assim. O próprio espaço se expandiu, em todos os lugares ao mesmo tempo. Não há um "centro" da expansão nem um ponto vazio de onde tudo saiu. Cada galáxia vê as outras se afastando dela, e todas estão certas.

O universo está crescendo, e cada vez mais rápido

Desde 1998 sabemos que a expansão está acelerando, impulsionada por algo que chamamos de energia escura e que ainda não entendemos. A consequência prática: galáxias muito distantes se afastam de nós mais rápido que a luz, e a luz que elas emitem hoje nunca vai nos alcançar. O universo observável está, em certo sentido, ficando mais vazio com o tempo, mesmo que cresça em tamanho.

Em trilhões de anos, um astrônomo na nossa galáxia veria apenas as estrelas da vizinhança local e um céu negro além disso. Vale aproveitar a vista enquanto ela existe.

Multiverso?

Algumas teorias, como a inflação eterna e certas interpretações da mecânica quântica, preveem outros universos além do nosso, com leis físicas possivelmente diferentes. É ciência séria como hipótese, mas não há nenhuma observação que confirme isso, e talvez nunca haja, porque por definição não teríamos acesso a esses outros universos. Por enquanto, fica no terreno da especulação fundamentada.

Resumo em cinco frases

O universo observável tem 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Além disso, há mais universo que não podemos ver. Ele é plano até onde medimos, o que sugere que seja infinito ou imensamente maior que a parte visível. Não existe borda nem "fora". E a expansão acelerada faz o horizonte do que podemos ver encolher em termos do que ainda é alcançável.

Se depois disso você quer se sentir um pouco mais ancorado, saiba que ao menos entendemos bem o que acontece com o nosso Sol: veja o Sol vai explodir? Quando e o que acontece. E para outra pergunta enorme respondida com dados reais, leia sinais de alienígenas: o que a ciência já captou.

Perguntas frequentes

Qual é o tamanho do universo?

O universo observável tem cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. O universo completo é maior, possivelmente infinito; as medições de curvatura não conseguem distinguir entre "infinito" e "finito mas gigantesco".

O que tem depois do fim do universo?

Nada, no sentido físico: o universo é todo o espaço que existe, então não há um "depois" ou "fora". Mesmo um universo finito não teria borda, assim como a superfície da Terra é finita mas não tem fim.

O universo está se expandindo para dentro do quê?

Para dentro de nada. Não é o universo se espalhando em um espaço vazio preexistente; é o próprio espaço que cresce, aumentando as distâncias entre as galáxias em todos os lugares ao mesmo tempo.

Quantas galáxias existem?

As estimativas para o universo observável variam entre 200 bilhões e 2 trilhões de galáxias, dependendo do método. Contando galáxias muito pequenas e fracas, o número tende ao topo dessa faixa.

Compartilhar: WhatsApp X Facebook

Leia também

Mais em Perguntas
  • Perguntas

    Por que a Lua fica vermelha durante o eclipse?

    Durante um eclipse lunar total, a Lua não desaparece. Ela fica cor de cobre, às vezes laranja, às vezes um vermelho profundo. O apelido "Lua de Sangue" pegou, mas a…

    ·4 min de leitura
  • Perguntas

    O que existe do lado oculto da Lua?

    "Lado escuro da Lua" é uma das expressões mais famosas e mais erradas da cultura popular. O lado que não vemos da Terra recebe tanta luz do Sol quanto o lado visível.…

    ·5 min de leitura
  • Perguntas

    Por que as estrelas piscam?

    Você olha para o céu e uma estrela perto do horizonte parece piscar e mudar de cor, do azul para o vermelho, em frações de segundo. Não é a estrela. É o ar entre você e ela. O…

    ·4 min de leitura
  • Perguntas

    Por que não sentimos a Terra girar?

    No equador, a superfície da Terra se move a cerca de 1.670 km/h por causa da rotação. O planeta inteiro viaja a 107 mil km/h ao redor do Sol. E o Sistema Solar todo corre a 828…

    ·5 min de leitura