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O Sol vai explodir? Quando e o que acontece com a gente

O Sol não vai explodir, mas vai mudar muito. A linha do tempo real: quando a Terra fica inabitável, quando o Sol vira gigante vermelha e como termina.

Publicado em 5 min de leitura
Superfície do Sol com detalhes de plasma e uma grande erupção solar
Foto: NASA/GSFC/Solar Dynamics Observatory
Neste artigo
  1. Por que o Sol não explode
  2. A linha do tempo
  3. Por que os cientistas têm tanta certeza
  4. O que pode acontecer antes disso

Vamos direto ao ponto: o Sol não vai explodir. Ele não tem massa suficiente para virar supernova. Mas ele também não é eterno. Vai mudar, inchar, tornar a Terra inabitável e, no fim, apagar. A parte tranquilizadora é a escala de tempo: nada disso afeta ninguém que esteja vivo hoje, nem os descendentes dos seus descendentes por centenas de milhões de gerações. Aqui está a linha do tempo completa, com os números que a astrofísica conhece bem.

Por que o Sol não explode

Estrelas explodem como supernova quando têm pelo menos oito vezes a massa do Sol. Nesses casos, o núcleo colapsa em uma fração de segundo e a energia liberada supera a de uma galáxia inteira. O Sol é uma estrela de tamanho médio, uma anã amarela de tipo G. Estrelas assim têm um fim mais lento e menos violento.

O que o Sol faz agora, e vai continuar fazendo por bilhões de anos, é fundir hidrogênio em hélio no núcleo, a 15 milhões de graus. Essa fusão gera a pressão que segura o peso das camadas externas. É um equilíbrio estável, e o Sol está nele há 4,6 bilhões de anos.

A linha do tempo

Agora até 1 bilhão de anos: o Sol fica mais quente

O Sol aumenta de brilho cerca de 10% a cada bilhão de anos. Isso acontece porque, conforme o hidrogênio do núcleo se transforma em hélio, o núcleo fica mais denso e quente e a fusão acelera. É um efeito lento, imperceptível em qualquer escala humana, mas decisivo em escala geológica.

Daqui a cerca de 1 bilhão de anos, o brilho será suficiente para evaporar os oceanos. O vapor de água na atmosfera vai intensificar o efeito estufa, e a Terra provavelmente seguirá o caminho de Vênus: uma superfície com centenas de graus e atmosfera densa. Esse é o prazo real da vida na Terra como a conhecemos, e ele não tem nada a ver com explosão.

5 bilhões de anos: acaba o hidrogênio do núcleo

O Sol vai esgotar o hidrogênio do centro daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos. Sem a fusão no núcleo, ele se contrai, esquenta, e a fusão começa em uma camada ao redor do núcleo. A energia extra empurra as camadas externas para fora.

5 a 7 bilhões de anos: a gigante vermelha

O Sol incha até 200 vezes o tamanho atual, engolindo Mercúrio e Vênus. A superfície esfria e fica avermelhada, mas o brilho total aumenta milhares de vezes. Se a Terra sobrevive é uma questão em aberto: o Sol perde massa nessa fase, o que afrouxa a gravidade e permite que a órbita da Terra se afaste. Modelos recentes sugerem que a Terra provavelmente será engolida ou, no mínimo, torrada até o núcleo. Marte pode sobreviver.

Um detalhe curioso: nessa fase, as luas geladas de Júpiter e Saturno, como Europa e Titã, ficarão na "zona habitável". Se a humanidade ainda existir em alguma forma, terá se mudado.

Nebulosa planetária colorida com uma estrela anã branca no centro
Nebulosas planetárias como esta são o destino do Sol: as camadas externas expelidas para o espaço, iluminadas pelo núcleo que restou. Foto: NASA/JPL-Caltech/ESA, the Hubble Heritage Team STScI/AURA

7 bilhões de anos: o flash de hélio

Com o núcleo comprimido a 100 milhões de graus, o hélio acumulado começa a fundir em carbono e oxigênio em um evento rápido e violento chamado flash de hélio. O Sol encolhe temporariamente, depois incha de novo em uma segunda fase de gigante, ainda mais instável, com pulsações que expelem as camadas externas para o espaço.

8 bilhões de anos: nebulosa planetária e anã branca

O que era o Sol se separa em duas coisas. As camadas externas viram uma nebulosa planetária, uma bolha colorida de gás que brilha por uns 10 mil anos e depois se dissipa. O núcleo, do tamanho da Terra mas com metade da massa do Sol, vira uma anã branca: uma brasa extremamente densa e quente que não gera mais energia, apenas esfria.

Trilhões de anos: a anã negra

A anã branca esfria lentamente. Em trilhões de anos, muito mais que a idade atual do universo, ela deixa de emitir luz visível e se torna uma anã negra, um objeto frio e escuro orbitado pelo que restou dos planetas. Nenhuma anã negra existe ainda; o universo é novo demais.

Por que os cientistas têm tanta certeza

Porque vemos esse ciclo acontecendo em outras estrelas. Há gigantes vermelhas como Aldebaran e Arcturus a algumas dezenas de anos-luz. Há nebulosas planetárias como a Hélix e a Anel, fotografadas em detalhe pelo Hubble e pelo James Webb. Há bilhões de anãs brancas catalogadas. E há a física nuclear, testada em laboratório, que permite calcular quanto combustível o Sol tem e em que ritmo ele queima. A margem de erro na idade e no tempo de vida do Sol é de poucas centenas de milhões de anos.

O que pode acontecer antes disso

Nada solar que ameace a vida na Terra. O Sol tem ciclos de atividade de 11 anos, com manchas, erupções e tempestades magnéticas, que podem afetar satélites e redes elétricas, tema que tratamos em tempestade solar pode derrubar a internet e a energia?. Mas essas variações são minúsculas em termos de energia total: o brilho do Sol varia cerca de 0,1% ao longo do ciclo.

Em escala de milhares de anos, as variações da órbita da Terra mudam o clima mais que o Sol. Em escala de milhões de anos, a preocupação real são impactos de asteroides, assunto de um asteroide vai atingir a Terra?, não o Sol.

Perguntas frequentes

Quando o Sol vai explodir?

Nunca. O Sol não tem massa suficiente para explodir como supernova. Ele vai se transformar em gigante vermelha daqui a cerca de 5 bilhões de anos e terminar como anã branca daqui a cerca de 8 bilhões de anos.

Quanto tempo de vida o Sol ainda tem?

Cerca de 5 bilhões de anos de fusão de hidrogênio estável, seguidos de 2 a 3 bilhões de anos como gigante vermelha. No total, o Sol vive uns 10 bilhões de anos e está na metade.

A Terra vai ser engolida pelo Sol?

Provavelmente sim, na fase de gigante vermelha, daqui a mais de 5 bilhões de anos. Mas a vida na superfície terá acabado muito antes, em cerca de 1 bilhão de anos, quando o aumento gradual do brilho solar evaporar os oceanos.

O que aconteceria se o Sol apagasse agora?

Levaríamos 8 minutos para perceber, que é o tempo da luz até aqui. A Terra escureceria e esfriaria rapidamente: abaixo de zero em uma semana, e a -70 °C em um ano. Não há nenhum mecanismo físico que faça uma estrela apagar de repente; é um exercício de imaginação.

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