Vamos direto ao ponto: o Sol não vai explodir. Ele não tem massa suficiente para virar supernova. Mas ele também não é eterno. Vai mudar, inchar, tornar a Terra inabitável e, no fim, apagar. A parte tranquilizadora é a escala de tempo: nada disso afeta ninguém que esteja vivo hoje, nem os descendentes dos seus descendentes por centenas de milhões de gerações. Aqui está a linha do tempo completa, com os números que a astrofísica conhece bem.
Por que o Sol não explode
Estrelas explodem como supernova quando têm pelo menos oito vezes a massa do Sol. Nesses casos, o núcleo colapsa em uma fração de segundo e a energia liberada supera a de uma galáxia inteira. O Sol é uma estrela de tamanho médio, uma anã amarela de tipo G. Estrelas assim têm um fim mais lento e menos violento.
O que o Sol faz agora, e vai continuar fazendo por bilhões de anos, é fundir hidrogênio em hélio no núcleo, a 15 milhões de graus. Essa fusão gera a pressão que segura o peso das camadas externas. É um equilíbrio estável, e o Sol está nele há 4,6 bilhões de anos.
A linha do tempo
Agora até 1 bilhão de anos: o Sol fica mais quente
O Sol aumenta de brilho cerca de 10% a cada bilhão de anos. Isso acontece porque, conforme o hidrogênio do núcleo se transforma em hélio, o núcleo fica mais denso e quente e a fusão acelera. É um efeito lento, imperceptível em qualquer escala humana, mas decisivo em escala geológica.
Daqui a cerca de 1 bilhão de anos, o brilho será suficiente para evaporar os oceanos. O vapor de água na atmosfera vai intensificar o efeito estufa, e a Terra provavelmente seguirá o caminho de Vênus: uma superfície com centenas de graus e atmosfera densa. Esse é o prazo real da vida na Terra como a conhecemos, e ele não tem nada a ver com explosão.
5 bilhões de anos: acaba o hidrogênio do núcleo
O Sol vai esgotar o hidrogênio do centro daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos. Sem a fusão no núcleo, ele se contrai, esquenta, e a fusão começa em uma camada ao redor do núcleo. A energia extra empurra as camadas externas para fora.
5 a 7 bilhões de anos: a gigante vermelha
O Sol incha até 200 vezes o tamanho atual, engolindo Mercúrio e Vênus. A superfície esfria e fica avermelhada, mas o brilho total aumenta milhares de vezes. Se a Terra sobrevive é uma questão em aberto: o Sol perde massa nessa fase, o que afrouxa a gravidade e permite que a órbita da Terra se afaste. Modelos recentes sugerem que a Terra provavelmente será engolida ou, no mínimo, torrada até o núcleo. Marte pode sobreviver.
Um detalhe curioso: nessa fase, as luas geladas de Júpiter e Saturno, como Europa e Titã, ficarão na "zona habitável". Se a humanidade ainda existir em alguma forma, terá se mudado.

7 bilhões de anos: o flash de hélio
Com o núcleo comprimido a 100 milhões de graus, o hélio acumulado começa a fundir em carbono e oxigênio em um evento rápido e violento chamado flash de hélio. O Sol encolhe temporariamente, depois incha de novo em uma segunda fase de gigante, ainda mais instável, com pulsações que expelem as camadas externas para o espaço.
8 bilhões de anos: nebulosa planetária e anã branca
O que era o Sol se separa em duas coisas. As camadas externas viram uma nebulosa planetária, uma bolha colorida de gás que brilha por uns 10 mil anos e depois se dissipa. O núcleo, do tamanho da Terra mas com metade da massa do Sol, vira uma anã branca: uma brasa extremamente densa e quente que não gera mais energia, apenas esfria.
Trilhões de anos: a anã negra
A anã branca esfria lentamente. Em trilhões de anos, muito mais que a idade atual do universo, ela deixa de emitir luz visível e se torna uma anã negra, um objeto frio e escuro orbitado pelo que restou dos planetas. Nenhuma anã negra existe ainda; o universo é novo demais.
Por que os cientistas têm tanta certeza
Porque vemos esse ciclo acontecendo em outras estrelas. Há gigantes vermelhas como Aldebaran e Arcturus a algumas dezenas de anos-luz. Há nebulosas planetárias como a Hélix e a Anel, fotografadas em detalhe pelo Hubble e pelo James Webb. Há bilhões de anãs brancas catalogadas. E há a física nuclear, testada em laboratório, que permite calcular quanto combustível o Sol tem e em que ritmo ele queima. A margem de erro na idade e no tempo de vida do Sol é de poucas centenas de milhões de anos.
O que pode acontecer antes disso
Nada solar que ameace a vida na Terra. O Sol tem ciclos de atividade de 11 anos, com manchas, erupções e tempestades magnéticas, que podem afetar satélites e redes elétricas, tema que tratamos em tempestade solar pode derrubar a internet e a energia?. Mas essas variações são minúsculas em termos de energia total: o brilho do Sol varia cerca de 0,1% ao longo do ciclo.
Em escala de milhares de anos, as variações da órbita da Terra mudam o clima mais que o Sol. Em escala de milhões de anos, a preocupação real são impactos de asteroides, assunto de um asteroide vai atingir a Terra?, não o Sol.




