O céu ao vivo

Eclipse solar 2027 no Brasil: horário por cidade e como ver

O "anel de fogo" de 6 de fevereiro de 2027 cai no sábado de Carnaval. Veja a hora exata na sua cidade, onde o anel aparece inteiro e como olhar sem cegar.

Publicado em 9 min de leitura
Compartilhar:
Sol parcialmente coberto pela Lua nascendo sobre o mar, em forma de crescente, com um farol ao fundo
Foto: NASA/Aubrey Gemignani
Neste artigo
  1. O que vai acontecer, em uma frase
  2. Onde o anel aparece inteiro
  3. Horário do eclipse por cidade
  4. Como olhar sem machucar os olhos
  5. O que você vai ver, minuto a minuto
  6. Dicas para o dia
  7. Por que a Lua não cobre tudo
  8. O último e o próximo

No sábado de Carnaval, 6 de fevereiro de 2027, a Lua vai passar na frente do Sol e o Brasil inteiro vai ver um eclipse solar. No extremo sul do Rio Grande do Sul, o Sol vira um anel de fogo por alguns minutos. No resto do país, ele fica com uma "mordida" que vai de quase 90% no Rio de Janeiro a quase nada em Roraima. Este guia tem a hora exata para 45 cidades, o que esperar em cada região e a única regra que não pode ser quebrada: nunca olhar para o Sol sem proteção certificada, nem por um segundo.

O que vai acontecer, em uma frase

A Lua vai ficar exatamente entre você e o Sol, mas estará um pouco mais longe da Terra que o normal, então não vai cobrir o Sol inteiro: sobra uma borda brilhante em volta, o anel. Por isso o nome técnico é eclipse anular, de "anel". É diferente do eclipse total, em que o Sol some por completo e o céu escurece como noite.

Na prática, mesmo onde o anel aparece, o dia fica só um pouco mais fraco, como um fim de tarde nublado. O que impressiona é olhar (com o filtro certo) e ver o Sol reduzido a um aro fino de luz.

Onde o anel aparece inteiro

A faixa em que o anel é visível tem cerca de 280 km de largura e cruza o Chile, a Argentina, o Uruguai e só a ponta sul do Rio Grande do Sul, antes de seguir pelo Atlântico até a África. No Brasil, o anel completo é visto de:

  • Chuí e Barra do Chuí
  • Praia do Hermenegildo
  • Santa Vitória do Palmar, que fica bem perto da borda norte da faixa

Quanto mais ao sul, mais tempo o anel dura. Na Barra do Chuí ele fica formado por cerca de 4 minutos e meio; no centro de Santa Vitória do Palmar, uns 2 minutos e meio. Em Punta del Este, no Uruguai, a 200 km, passa de 5 minutos, e no meio do Atlântico chega ao máximo de 7 minutos e 51 segundos.

Cidades como Rio Grande, Pelotas e Jaguarão ficam a poucos quilômetros da faixa: verão 85% do Sol coberto, um eclipse parcial muito profundo, mas sem o anel fechado. Você pode ver algumas listas na internet incluindo cidades de Santa Catarina e do Paraná na faixa do anel. Elas estão erradas: por lá o eclipse é parcial.

Sol em forma de crescente fino durante um eclipse, fotografado da Estação Espacial Internacional
O Sol visto da Estação Espacial durante o eclipse anular de outubro de 2023. Em quase todo o Brasil, é assim que ele vai ficar em 2027: um crescente, sem o anel fechado. Foto: NASA/JSC

Horário do eclipse por cidade

Todos os horários abaixo estão no fuso local de cada cidade. "Início" é o momento em que a Lua começa a morder o Sol; "máximo" é a maior cobertura; "fim" é quando a Lua sai por completo. A coluna "Sol coberto" indica a fração da área do Sol que a Lua vai esconder no máximo.

Os números foram calculados a partir dos elementos orbitais publicados pela NASA para este eclipse, com precisão de cerca de um minuto. Se a sua cidade não está na lista, use a mais próxima ou confira em timeanddate.com/eclipse.

Sul: onde o eclipse é mais forte

Cidade Início Máximo Fim Sol coberto
Barra do Chuí (RS) 10h57 12h44 14h27 Anel de fogo, 12h42 a 12h47
Chuí (RS) 10h57 12h44 14h27 Anel de fogo, 12h42 a 12h46
Santa Vitória do Palmar (RS) 10h57 12h45 14h27 Anel de fogo, 12h43 a 12h46
Rio Grande (RS) 11h02 12h50 14h32 86%
Pelotas (RS) 11h02 12h50 14h32 85%
Jaguarão (RS) 10h59 12h47 14h29 85%
Porto Alegre (RS) 11h07 12h57 14h38 83%
Caxias do Sul (RS) 11h09 12h59 14h40 81%
Bagé (RS) 10h59 12h48 14h31 81%
Santana do Livramento (RS) 10h57 12h45 14h29 77%
Uruguaiana (RS) 10h55 12h44 14h28 71%
Florianópolis (SC) 11h18 13h08 14h48 83%
Curitiba (PR) 11h21 13h12 14h52 76%
Londrina (PR) 11h22 13h13 14h53 67%
Foz do Iguaçu (PR) 11h09 12h59 14h42 65%

Sudeste

Cidade Início Máximo Fim Sol coberto
Arraial do Cabo (RJ) 11h43 13h31 15h06 86%
Cabo Frio (RJ) 11h43 13h32 15h07 86%
Rio de Janeiro (RJ) 11h40 13h30 15h05 84%
Niterói (RJ) 11h41 13h30 15h05 84%
Vitória (ES) 11h53 13h41 15h14 85%
Santos (SP) 11h31 13h21 14h59 80%
São Paulo (SP) 11h31 13h22 15h00 78%
Campinas (SP) 11h32 13h22 15h00 76%
Belo Horizonte (MG) 11h46 13h36 15h11 76%
Uberlândia (MG) 11h40 13h30 15h06 64%

Curiosidade: a Região dos Lagos, no Rio, fica quase na linha que a faixa do anel segue pelo oceano. Por isso Arraial do Cabo e Cabo Frio têm cobertura igual à do Chuí, só que sem o anel se fechar.

Centro-Oeste

Cidade Início Máximo Fim Sol coberto
Brasília (DF) 11h50 13h39 15h13 58%
Goiânia (GO) 11h45 13h34 15h09 56%
Campo Grande (MS) 10h23 12h12 13h52 52%
Cuiabá (MT) 10h37 12h21 13h55 38%

Nordeste

Cidade Início Máximo Fim Sol coberto
Salvador (BA) 12h17 14h01 15h30 74%
Maceió (AL) 12h32 14h12 15h37 73%
Aracaju (SE) 12h26 14h08 15h34 73%
Recife (PE) 12h38 14h17 15h41 71%
João Pessoa (PB) 12h40 14h19 15h42 69%
Natal (RN) 12h43 14h21 15h43 65%
Fortaleza (CE) 12h45 14h21 15h43 53%
Teresina (PI) 12h35 14h13 15h36 46%
São Luís (MA) 12h43 14h16 15h36 37%

Norte

Cidade Início Máximo Fim Sol coberto
Palmas (TO) 12h09 13h52 15h20 44%
Belém (PA) 12h45 14h12 15h28 26%
Macapá (AP) 12h51 14h11 15h22 18%
Porto Velho (RO) 11h01 12h18 13h30 10%
Manaus (AM) 11h37 12h45 13h47 8%
Rio Branco (AC) 09h52 11h01 12h08 7%
Boa Vista (RR) 12h28 12h58 13h27 1%

Em Manaus, Boa Vista e Rio Branco, a Lua mal encosta no Sol. Sem filtro e telescópio, ninguém vai notar.

Como olhar sem machucar os olhos

Aqui não tem meio-termo. Olhar para o Sol a olho nu, mesmo com 86% dele coberto, queima a retina em segundos, sem dor e sem aviso. O dano costuma ser permanente. E o anel de fogo não é exceção: a borda que sobra brilha o bastante para cegar. Diferente do eclipse total, não existe nenhum momento seguro para tirar o filtro em um eclipse anular.

O que funciona:

  • Óculos de eclipse com certificação ISO 12312-2. Custam de R$ 10 a R$ 40. Compre com antecedência de lojas de astronomia ou planetários; perto da data, aparecem falsificações. Teste antes: com os óculos, você não deve enxergar nada além do Sol e de lâmpadas muito fortes.
  • Vidro de solda número 14. Vendido em lojas de material de construção. Tem de ser o 14; números menores não protegem.
  • Projeção com furinho. Faça um furo de agulha em um pedaço de papelão e deixe a luz do Sol passar por ele até uma folha branca a um metro de distância. A imagem do Sol "mordido" aparece na folha. É de graça, seguro e funciona até com uma peneira ou com a sombra das folhas de uma árvore.
  • Filtro solar próprio na frente da lente de binóculo, telescópio ou câmera. Nunca atrás da ocular e nunca os óculos de eclipse improvisados na lente: o calor concentrado derrete o filme.

O que não funciona, mesmo que alguém jure que sim: óculos escuros (nem empilhados), radiografia, CD ou DVD, vidro fumê, filme de câmera velado, negativo, água em balde, celular apontado direto sem filtro.

Pessoas olhando para o alto com óculos de eclipse em uma cobertura, com o Capitólio dos Estados Unidos ao fundo
Os óculos certificados bloqueiam 99,999% da luz. Com eles, você só enxerga o Sol e nada mais. É assim que se assiste a um eclipse, do início ao fim. Foto: NASA/Gwen Pitman

O que você vai ver, minuto a minuto

  1. Início. Uma "mordida" aparece no canto direito superior do Sol. Nos primeiros 20 minutos, só quem está olhando com filtro percebe.
  2. Uma hora depois. Com mais da metade do Sol coberto, a luz do dia fica estranha, mais fraca e com sombras nítidas demais. A temperatura cai um ou dois graus. As sombras de árvores viram centenas de pequenos crescentes no chão: são projeções naturais do eclipse.
  3. Máximo. Nas cidades com mais de 80% de cobertura, o dia parece um fim de tarde. Pássaros podem se calar. No Chuí, o anel se fecha e fica formado por uns 4 minutos.
  4. Depois. Tudo se repete ao contrário por mais uma hora e meia.

A duração inteira, do início ao fim, é de cerca de 3 horas e meia. Você não precisa ficar o tempo todo: o intervalo de 40 minutos ao redor do máximo é o que vale.

Dicas para o dia

  • Cheque a previsão do tempo na véspera. Fevereiro é chuvoso em boa parte do país. Se estiver nublado na sua cidade, a transmissão ao vivo de observatórios (o Observatório Nacional costuma fazer) mostra o anel do Chuí.
  • Sol alto. O máximo acontece perto do meio-dia, com o Sol quase a pino no Sul e Sudeste. Não precisa de horizonte aberto; qualquer quintal serve.
  • Crianças entendem melhor com a projeção do furinho. E é a forma mais segura de envolver várias pessoas ao mesmo tempo.
  • Foto de celular: sem filtro na lente, a foto sai só uma bola branca estourada e pode danificar o sensor. Com os óculos de eclipse presos na frente da lente, dá para registrar o crescente. Os passos são parecidos com os de como fotografar a Lua com o celular.
  • Viajar para o anel? Chuí e Santa Vitória do Palmar são pequenas e a procura por hospedagem no Carnaval vai ser alta. Se for, reserve cedo. Pelotas, a 250 km, é a base mais próxima com estrutura, mas de lá o anel não fecha.

Por que a Lua não cobre tudo

A órbita da Lua é uma elipse, então a distância até a Terra varia entre cerca de 356 mil e 406 mil km. Em 6 de fevereiro de 2027, a Lua estará perto do ponto mais distante. Mais longe, ela parece menor no céu, e o disco dela não alcança o tamanho aparente do Sol: cobre 92,8% do diâmetro e sobra o anel. É o oposto do que acontece nas superluas, quando a Lua está no ponto mais próximo e parece maior.

Se a Lua estivesse mais perto naquele dia, o eclipse seria total. A diferença entre um e outro é de apenas alguns milhares de quilômetros na órbita.

O último e o próximo

O Brasil viu um anel de fogo há pouco tempo: em 14 de outubro de 2023, a faixa cruzou o Nordeste, com Natal e João Pessoa dentro dela. O de 2027 é o segundo em quatro anos, o que é raro; o normal é uma década ou mais de espera.

Depois dele, o próximo eclipse solar com faixa central no Brasil é o anular de 26 de janeiro de 2028, que atravessa a Região Norte. E o eclipse total de 2 de agosto de 2027, o que vai ter mais de seis minutos de escuridão sobre a Espanha e o Egito, não será visível do Brasil, ao contrário do que algumas manchetes deixam entender. O próximo eclipse solar total sobre território brasileiro está previsto só para 2045.

Enquanto isso, os eclipses lunares, que não exigem proteção nenhuma, estão listados em eclipse lunar no Brasil: calendário 2026–2027, e todos os eventos do ano estão no calendário astronômico 2027.

Perguntas frequentes

Que horas vai ser o eclipse solar de 2027?

Depende da cidade. No Rio Grande do Sul, o máximo é por volta de 12h45; em São Paulo, 13h22; no Rio, 13h30; em Brasília, 13h39; em Salvador, 14h01; em Recife, 14h17; em Manaus, 12h45 no horário local. O eclipse todo dura cerca de três horas e meia. A tabela completa com 45 cidades está acima.

O eclipse solar de 2027 vai ser visível no Brasil inteiro?

Sim, como eclipse parcial, em todos os estados. O anel de fogo completo só aparece numa faixa estreita no extremo sul do Rio Grande do Sul, em torno do Chuí e de Santa Vitória do Palmar. No noroeste da Amazônia a cobertura é tão pequena que quase não se nota.

Pode olhar o eclipse solar com óculos escuros?

Não. Óculos escuros comuns deixam passar milhares de vezes mais luz do que o seguro e não bloqueiam os raios infravermelhos e ultravioleta. Só óculos de eclipse com certificação ISO 12312-2, vidro de solda número 14 ou a projeção indireta com um furo em papelão são seguros.

O céu vai escurecer durante o eclipse anular?

Pouco. Mesmo dentro do anel, cerca de 14% do Sol continua descoberto, o que ainda é muita luz. O dia fica parecido com um fim de tarde nublado. A escuridão de noite só acontece nos eclipses totais.

Quando vai ser o próximo eclipse solar no Brasil depois de 2027?

Um eclipse anular em 26 de janeiro de 2028, com a faixa central cruzando a Região Norte. Eclipses parciais menores acontecem com mais frequência. O próximo eclipse solar total sobre o Brasil está previsto para 2045.

Horários de eventos astronômicos variam conforme sua cidade e o fuso horário. Confirme sempre num aplicativo de céu ou no site do Observatório Nacional antes de sair para observar.

Gostou? Compartilhe: WhatsAppFacebookTelegramX