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Táuridas 2026: a chuva de meteoros das bolas de fogo

Novembro tem duas chuvas de meteoros vindas do cometa Encke, com a Lua nova no meio. Veja as datas, os horários por cidade e o que esperar.

Publicado em 8 min de leitura
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Imagem em infravermelho de uma faixa alaranjada que atravessa o quadro na diagonal, com um ponto branco brilhante no meio dela: o cometa Encke sobre o próprio rastro de detritos
Foto: NASA/JPL-Caltech/Univ. of Minn.
Neste artigo
  1. Duas chuvas, não uma
  2. O pico não é uma noite, é uma temporada
  3. A Lua colabora em 2026
  4. A que horas olhar, cidade por cidade
  5. De onde vêm: o cometa Encke e uma trilha de pedriscos
  6. Por que elas fazem bolas de fogo
  7. Como achar Touro no céu do Brasil

As Táuridas são duas chuvas de meteoros que atravessam novembro inteiro e têm fama de produzir bolas de fogo — meteoros tão brilhantes que dá para notá-los mesmo de uma cidade iluminada. Em 2026 elas caem num ano bom: a Lua nova é em 9 de novembro, bem entre os dois picos, então as duas melhores semanas ficam com o céu escuro. O preço a pagar é a quantidade: as Táuridas são lentas e escassas, de 5 a 10 meteoros por hora no melhor dos casos, e exigem paciência em vez de pressa.

Elas não são a chuva para quem quer contar riscos no céu. São a chuva para quem quer ver um risco inesquecível.

Duas chuvas, não uma

O primeiro detalhe que confunde quem procura "Táuridas" no Google é que existem duas, e elas têm nomes quase iguais:

Chuva Período ativo Pico em 2026 Meteoros por hora (ZHR) Velocidade
Táuridas do Sul (STA) 20 de setembro a 20 de novembro 5 de novembro 5 a 10 27 km/s
Táuridas do Norte (NTA) 20 de outubro a 10 de dezembro 12 de novembro 5 29 km/s

Os dados de atividade, radiante e velocidade são da International Meteor Organization (IMO), a entidade internacional que mantém a lista de referência das chuvas de meteoros. As datas de pico de 2026 foram calculadas aqui, a partir da posição do Sol que a IMO publica para cada máximo, e o método foi conferido contra o calendário que a própria IMO publicou para 2027: ele reproduziu as datas dos dois picos das Táuridas e acertou o máximo das Leônidas com quatro minutos de diferença.

"Do Sul" e "do Norte" não têm nada a ver com hemisfério terrestre. É a posição do radiante — o ponto do céu de onde os meteoros parecem sair — em relação à eclíptica, que é a linha por onde o Sol passeia no céu ao longo do ano. Os dois radiantes ficam na constelação de Touro, um pouco acima e um pouco abaixo dessa linha, e é daí que vem o nome das chuvas.

ZHR é a sigla de taxa horária zenital: o número de meteoros que uma pessoa veria em uma hora se o radiante estivesse bem em cima da cabeça e o céu estivesse perfeito. Na vida real, com o radiante a meio caminho entre o horizonte e o alto do céu e alguma luz de cidade, conte com um terço a metade disso. As Táuridas, portanto, entregam na prática de dois a cinco meteoros por hora. É pouco: as Geminídeas 2026: a chuva de meteoros mais forte do ano chegam a 120 de ZHR.

O pico não é uma noite, é uma temporada

Esta é a diferença que mais importa para quem vai olhar, e ela joga a favor do observador brasileiro.

A maioria das chuvas tem um pico estreito: a Terra cruza uma faixa fina de poeira, e quem erra a noite perde o espetáculo. As Táuridas são o contrário. A própria IMO registra que as taxas máximas das Táuridas do Norte formam um platô de cerca de dez dias no começo e no meio de novembro, e que o máximo "pode não ser tão agudo quanto a data única sugere". As do Sul ainda têm um máximo secundário por volta de 13 de outubro, bem antes do principal.

Na prática: qualquer noite limpa entre o fim de outubro e meados de novembro vale a tentativa, com as melhores chances em torno dos dois picos da tabela. Não existe a aflição de "é hoje ou nunca" que marca as Leônidas 2026: quando e como ver a chuva de meteoros.

A Lua colabora em 2026

Lua cheia estraga chuva de meteoros. Ela clareia o céu inteiro e apaga tudo que não for muito brilhante — e, numa chuva fraca como esta, apagaria quase tudo.

Em 2026 a sorte está do nosso lado. A Lua nova cai em 9 de novembro, às 4h02 de Brasília, exatamente entre os dois picos:

  • Em 5 de novembro (pico das do Sul), a Lua é um fiapo minguante que só aparece de madrugada, perto do amanhecer. A noite inteira é escura.
  • Em 12 de novembro (pico das do Norte), a Lua é um fiapo crescente que se põe pouco depois do anoitecer. O resto da noite é escuro.

Para comparação, em 2027 os dois picos caem entre o quarto crescente e a Lua cheia, com a Lua atrapalhando boa parte da noite. Se você quer ver Táuridas, 2026 é o ano. As fases completas estão em Calendário lunar 2026 e 2027: todas as fases com hora de Brasília.

A que horas olhar, cidade por cidade

Aqui vem a melhor notícia para o Brasil. O radiante das Táuridas nasce logo depois do pôr do sol e fica no céu a noite inteira — não é preciso virar a madrugada, como nas Orionídeas.

Os horários abaixo foram calculados para a posição do radiante publicada pela IMO, na hora local de cada cidade. O cálculo foi conferido contra o tempo sideral de Greenwich tabelado, que bateu na quarta casa decimal.

Cidade Radiante nasce Mais alto às Altura máxima
Manaus 18h35 00h30 72°
Recife 18h00 23h50 67°
Brasília 19h00 00h40 59°
Rio de Janeiro 18h50 00h20 52°
São Paulo 19h05 00h35 51°
Porto Alegre 19h30 00h55 45°

Horários para a noite de 5 de novembro de 2026, no fuso de cada cidade (Manaus é uma hora atrás de Brasília), arredondados para os cinco minutos mais próximos. Na noite de 12 de novembro tudo acontece com poucos minutos de diferença, e a altura máxima cai exatamente 7 graus em todas as cidades, porque o radiante das Táuridas do Norte fica 7 graus mais ao norte no céu.

Traduzindo a tabela: entre a meia-noite e as 2 da manhã é a melhor janela em qualquer lugar do Brasil, mas vale olhar desde as 21h, porque meteoro de radiante baixo entra na atmosfera de raspão e deixa risco longo e lento — justamente o tipo que impressiona.

De onde vêm: o cometa Encke e uma trilha de pedriscos

Toda chuva de meteoros é a Terra passando pela sujeira que um cometa deixou na estrada. No caso das Táuridas, o cometa é o 2P/Encke, e ele tem uma ficha curiosa:

Ficha do cometa Encke
Volta ao redor do Sol 3,30 anos — a mais curta de todos os cometas conhecidos
Tamanho do núcleo cerca de 4,8 km
Descoberto por Pierre Méchain, em 17 de janeiro de 1786
Nome em homenagem a Johann Franz Encke, que calculou a órbita e provou que as aparições eram do mesmo cometa

O cometa Encke como um ponto branco brilhante com uma cauda tênue apontando para cima, num campo de estrelas em preto e branco
O próprio cometa Encke, registrado em 17 de novembro de 2013 pela sonda MESSENGER, da NASA, quando ele passou perto de Mercúrio. Ele dá uma volta ao redor do Sol a cada 3,3 anos, a mais rápida entre todos os cometas conhecidos. Foto: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington/Southwest Research Institute

Três anos e quatro meses por volta é um ritmo frenético para um cometa. O Halley, que alimenta as Orionídeas 2026: como ver a chuva do cometa Halley, leva 76 anos. Encke passa e repassa pela vizinhança da Terra a ponto de ter espalhado uma trilha larguíssima de entulho ao longo da órbita.

E o entulho dele é diferente. O telescópio Spitzer, da NASA, fotografou essa trilha em infravermelho e descreveu o que há nela: partículas do tamanho de pedriscos, de um milímetro para cima, deixadas para trás à medida que a poeira mais fina do cometa se esgota. Não é fumaça: é cascalho.

Por que elas fazem bolas de fogo

Junte as duas características e você entende a fama das Táuridas.

Primeiro, o tamanho: um grão de um milímetro já é grande para padrões de meteoro. A maior parte dos riscos que se vê numa noite comum vem de partículas menores que um grão de açúcar.

Segundo, a velocidade, que é baixa. As Táuridas entram na atmosfera a 27 e 29 km/s. Para dar escala: 29 km/s é cobrir a distância em linha reta entre São Paulo e o Rio de Janeiro — 361 km — em doze segundos. Parece absurdamente rápido, e é, mas na régua das chuvas de meteoros isso é devagar: as Leônidas entram a 71 km/s, mais que o dobro.

(Vale o registro de uma divergência: a página da NASA sobre o cometa Encke descreve esses meteoros como "rápidos, a cerca de 104.607 km/h". O número é o mesmo da IMO — 104.607 km/h são 29 km/s. O adjetivo é que muda conforme a comparação.)

Pedra maior entrando devagar significa mais tempo brilhando. Em vez do risco instantâneo típico de uma chuva veloz, a Táurida cruza o céu num rastro lento, amarelado, que dura o suficiente para você cutucar quem está do lado e dizer "olha". Quando a pedra é grande o bastante, vira bola de fogo: um clarão que chega a projetar sombra. A diferença entre meteoro, meteorito e bólido está explicada em Meteoro, meteorito, asteroide e cometa: qual é a diferença?.

Como achar Touro no céu do Brasil

Você não precisa achar o radiante para ver meteoros — eles aparecem em qualquer parte do céu. Mas saber para onde fica ajuda a reconhecer uma Táurida de verdade: o risco dela, prolongado para trás, aponta para Touro.

A referência mais fácil é o Sete-Estrelo, o aglomerado das Plêiades: um borrãozinho de estrelas miúdas que, no Brasil de novembro, nasce no leste no começo da noite. O radiante das Táuridas fica bem ao lado dele, um pouco mais baixo no céu. Como achar esse grupinho está em O que é o Sete-Estrelo, as Plêiades, e como ver.

E a regra de ouro de qualquer chuva vale aqui também: não olhe para o radiante. Olhe para uma área ampla do céu, de preferência a uns 40 graus de distância dele, onde os riscos aparecem mais compridos. Deite numa espreguiçadeira, dê 20 minutos para o olho se acostumar ao escuro e não mexa no celular — a tela zera a adaptação em segundos. O passo a passo completo está em Chuva de meteoros hoje: horários e como ver do Brasil.

Perguntas frequentes

Quando é a chuva de meteoros Táuridas em 2026?

São dois picos. As Táuridas do Sul têm máximo em 5 de novembro de 2026 e as do Norte em 12 de novembro. Como o máximo delas é um platô de vários dias, qualquer noite limpa entre o fim de outubro e meados de novembro vale a tentativa.

Quantos meteoros por hora dá para ver nas Táuridas?

No papel, de 5 a 10 por hora no pico das do Sul e cerca de 5 nas do Norte. Em condições reais, num céu razoável, espere de dois a cinco por hora. É pouco em quantidade, mas os meteoros são mais brilhantes e mais lentos que a média.

Por que as Táuridas fazem tantas bolas de fogo?

Porque as partículas são grandes — do tamanho de pedriscos de um milímetro ou mais, segundo as observações do telescópio Spitzer — e entram devagar, a 27 ou 29 km/s. Pedra maior entrando com menos velocidade brilha por mais tempo e com mais intensidade.

Dá para ver as Táuridas do Brasil?

Dá, e com uma vantagem: o radiante nasce logo após o anoitecer e passa pelo ponto mais alto por volta da meia-noite, chegando a 45 graus de altura em Porto Alegre e 72 graus em Manaus. Não é preciso virar a madrugada.

Preciso de telescópio ou binóculo para ver meteoros?

Não, e eles atrapalham. Meteoro é rápido e pode aparecer em qualquer canto do céu; qualquer equipamento fecha o campo de visão e faz você perder quase tudo. Olho nu, céu escuro e paciência é a receita inteira.

Horários de eventos astronômicos variam conforme sua cidade e o fuso horário. Confirme sempre num aplicativo de céu ou no site do Observatório Nacional antes de sair para observar.

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