Toda vez que uma bola de fogo cruza o céu e vira notícia, as mesmas palavras aparecem misturadas: meteoro, meteorito, asteroide, cometa. Elas não são sinônimos, e a diferença é simples quando se entende uma coisa: o nome muda conforme o lugar onde o objeto está. A mesma pedra pode ser meteoroide no espaço, meteoro enquanto risca o céu e meteorito quando cai no seu quintal. Este guia explica cada termo, com o tamanho de cada coisa, o que dá para ver a olho nu e os casos mais famosos, incluindo os do Brasil.
A resposta em uma tabela
| Nome | Onde está | O que é | Tamanho típico |
|---|---|---|---|
| Asteroide | No espaço, orbitando o Sol | Pedra ou metal, sem cauda | De 1 metro a 940 km |
| Cometa | No espaço, orbitando o Sol | Gelo e poeira; ganha cauda perto do Sol | De 1 a 50 km o núcleo |
| Meteoroide | No espaço | Fragmento pequeno de asteroide ou cometa | De um grão de areia a 1 metro |
| Meteoro | Na atmosfera, a 80–120 km de altura | O risco de luz de um meteoroide queimando; a "estrela cadente" | Não é um objeto, é um fenômeno |
| Bólido (ou bola de fogo) | Na atmosfera | Meteoro muito brilhante, mais que Vênus; às vezes explode | Meteoroides de centímetros a metros |
| Meteorito | No chão | O pedaço que sobreviveu à queda e chegou ao solo | De gramas a toneladas |
O jeito de guardar: asteroide e cometa são os objetos grandes no espaço; meteoroide é o pedacinho solto; meteoro é a luz; meteorito é a pedra na mão.
Meteoro: a "estrela cadente"
O meteoro é o que você vê numa chuva de meteoros: um risco de luz que dura menos de um segundo. Não é uma estrela caindo, e nem é o objeto em si. É o ar brilhando. O meteoroide entra na atmosfera a algo entre 40 mil e 260 mil km/h, comprime o ar à frente dele e o aquece a milhares de graus. Esse ar incandescente, mais o material que se vaporiza da pedra, é a luz.
A maioria dos meteoros vem de grãos do tamanho de areia ou de uma ervilha. Eles se desintegram a mais de 80 km de altura e nada chega ao chão. A Terra recebe dezenas de toneladas desse material por dia, quase todo em forma de poeira. Uma "estrela cadente" comum foi feita por algo do tamanho de um grão de café.
Quando o meteoro é excepcionalmente brilhante, o nome muda para bólido ou bola de fogo. Bólidos podem iluminar o chão como um relâmpago, deixar um rastro de fumaça que dura minutos e, alguns segundos depois, produzir um estrondo, o som da onda de choque chegando. É desses que saem os meteoritos.

Meteorito: o que chega ao chão
Para um pedaço sobreviver à queda, o meteoroide precisa ter pelo menos o tamanho de uma bola de futebol, e mesmo assim a maior parte se perde no caminho. O que resta chega ao chão bem mais devagar do que se imagina, em queda livre comum, a algumas centenas de km/h, e frio ou morno ao toque: a parte que ficou quente evaporou.
Existem três tipos:
- Rochosos (cerca de 95% das quedas): parecem pedra comum por dentro, com pontinhos metálicos.
- Metálicos (ferro e níquel): pesados e densos; são os que sobrevivem melhor e os mais encontrados por acaso.
- Mistos: metade rocha, metade metal; os mais raros e bonitos.
Alguns meteoritos vêm da Lua e de Marte: pedaços arrancados por impactos de asteroides lá, que vagaram pelo espaço até cair aqui. É assim que temos rochas de Marte em laboratório sem nunca ter trazido uma de lá.
Como saber se você achou um
Todo ano centenas de pessoas levam "meteoritos" a museus e universidades brasileiras. Quase todos são escória de fundição, magnetita ou pedra vulcânica. Os sinais de um meteorito de verdade:
- Crosta de fusão: uma casca fina, escura e fosca, às vezes com "impressões digitais" rasas. Não é brilhante nem vidrada.
- Densidade: é mais pesado do que parece para o tamanho.
- Ímã: a maioria atrai um ímã, pelo ferro que contém. Mas muitas rochas terrestres também atraem, então isso sozinho não prova nada.
- Sem bolhas: rocha cheia de furinhos é vulcânica ou escória, não meteorito.
- Interior: cortado, mostra pontinhos metálicos brilhantes numa massa cinza.
Na dúvida, o Museu Nacional, no Rio, e o Museu de Geociências da USP fazem a análise. Vender sem laudo não vale a pena: meteorito falso não tem valor, e o verdadeiro pode valer de alguns reais a milhares por grama, dependendo da raridade.
Os meteoritos do Brasil
O mais famoso é o Bendegó, um bloco de ferro de 5,36 toneladas achado na Bahia em 1784 por um menino que procurava uma vaca perdida. Levou mais de cem anos para ser transportado até o Rio, onde fica no Museu Nacional. Foi uma das únicas peças a sobreviver intacta ao incêndio de 2018, justamente por ser um bloco de ferro maciço.
Em agosto de 2020, uma bola de fogo explodiu sobre Santa Filomena, em Pernambuco, e choveram pedras sobre a cidade. Moradores recolheram dezenas de quilos em poucos dias, num episódio que virou uma pequena corrida do ouro. Foi a queda mais bem documentada da história do país.
Asteroide: a pedra grande no espaço
Asteroides são os "tijolos" que sobraram da formação dos planetas, há 4,6 bilhões de anos. A maioria vive no cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter, e nunca chega perto da Terra. Vão de rochas de poucos metros a Ceres, com 940 km, que é redondo o bastante para ser classificado como planeta anão, tema de por que Plutão não é mais um planeta.
Um pequeno grupo, os asteroides próximos da Terra, cruza a nossa órbita. São eles que a NASA e outras agências monitoram todos os dias; o que isso significa na prática está em um asteroide vai atingir a Terra?. Para dar escala: um asteroide de 20 metros, como o que explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, feriu 1.500 pessoas só com a onda de choque que quebrou vidraças, e ninguém o viu chegar. Um de 140 metros destruiria uma região metropolitana. Um de 10 km acabou com os dinossauros.

Cometa: a bola de gelo com cauda
Cometas vêm de muito mais longe, das regiões geladas além de Netuno, e são feitos de gelo, poeira e rocha, uma "bola de neve suja". Passam a maior parte da vida escuros e invisíveis. Quando a órbita os traz para perto do Sol, o gelo vira gás, arrasta poeira junto e forma a cauda, que pode se esticar por milhões de quilômetros e aponta sempre para o lado contrário ao Sol, empurrada pelo vento solar.
É o único dos quatro que pode ficar realmente espetacular a olho nu, como o Hale-Bopp em 1997 e o NEOWISE em 2020. Mas cometas brilhantes são raros e imprevisíveis; a maioria dos anos não tem nenhum. O mais famoso, o Halley, volta a cada 76 anos e passará de novo em 2061.
Cometas e chuvas de meteoros estão ligados: as chuvas anuais acontecem quando a Terra cruza a trilha de poeira que um cometa deixou. As Eta Aquáridas de maio e as Orionídeas de outubro são poeira do Halley.

E o que caiu no meu bairro?
Duas confusões são comuns. A primeira: uma bola de fogo que se fragmenta devagar, em vários pedaços que seguem juntos, brilhando por 30 segundos ou mais, quase sempre é lixo espacial reentrando, não um meteoro. Meteoros são rápidos demais para isso. Os casos reais estão em lixo espacial pode cair na sua cabeça?.
A segunda: buracos no chão. Meteoritos pequenos não abrem crateras; caem como uma pedra jogada do alto de um prédio. Um buraco fumegante no quintal é outra coisa, quase sempre elétrica.
Resumindo com uma história
Um asteroide de 100 metros passa perto de outro e perde um pedaço do tamanho de um punho. Esse pedaço agora é um meteoroide. Ele vaga pelo espaço por milhões de anos até cruzar a órbita da Terra. Numa noite, entra na atmosfera a 60 mil km/h: durante dois segundos, quem está olhando para cima vê um meteoro brilhante, um bólido. A maior parte da pedra evapora, mas um pedaço de 200 gramas sobrevive, cai a 300 km/h num pasto do interior e esfria na grama. Alguém encontra, nota a crosta escura, leva à universidade: é um meteorito. Se em vez de pedra o objeto original fosse gelo com poeira, o objeto grande seria um cometa, e a chuva de meteoros que ele deixa passaria todo ano.




