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Leônidas 2026: quando e como ver a chuva de meteoros

As Leônidas já fizeram 100 mil meteoros por hora. Em 2026 o pico é em 17 de novembro e a Lua sai do caminho. Veja o horário e a altura na sua cidade.

Publicado em 9 min de leitura
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Um meteoro riscando o céu estrelado acima da silhueta escura de pinheiros, com a faixa da Via Láctea atravessando o quadro
Foto: NASA/Bill Ingalls
Neste artigo
  1. Quando é o pico em 2026, e como chegamos a essa data
  2. Desta vez a Lua sai do caminho
  3. A que altura o radiante fica na sua cidade
  4. Quantos meteoros esperar, sem enganação
  5. As noites em que caíram 100 mil por hora
  6. O cometa que deixa os farelos, e quando ele volta
  7. Como observar, sem complicar

As Leônidas atingem o máximo em 17 de novembro de 2026, e as melhores noites para o Brasil são as madrugadas de 17 e de 18 de novembro, depois de 1h da manhã. Elas são os meteoros mais rápidos do ano — entram na atmosfera a cerca de 71 km por segundo — e são a chuva com a história mais espetacular de todas: em algumas noites do passado, caíram dezenas de milhares por hora. Em 2026 isso não vai acontecer, e este artigo explica exatamente por quê, quanto esperar de verdade e a que altura o radiante estará na sua cidade.

Quando é o pico em 2026, e como chegamos a essa data

Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra cruza a trilha de farelos deixada por um cometa. O máximo é o instante em que passamos pelo ponto mais próximo da órbita desse cometa.

Em vez de copiar a data de um calendário, calculamos aqui. Pedimos ao sistema de efemérides do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA os vetores do cometa 55P/Tempel-Tuttle, dono das Leônidas, no instante em que ele cruza o plano da nossa órbita. Esse cruzamento acontece a 0,98 unidade astronômica do Sol — praticamente em cima da órbita da Terra — e numa direção que corresponde a ver o Sol a 235,26° de longitude.

Rodando a posição do Sol para 2026, a Terra passa exatamente por ali em 17 de novembro de 2026, às 11h52 de Brasília. A data confere com o que a NASA publica para 2026, que aponta as melhores noites em torno de 16 e 17 de novembro — duas contas independentes chegando ao mesmo lugar.

Há um detalhe prático nisso. Como o instante cai quase ao meio-dia no Brasil, nenhuma das duas madrugadas vizinhas é claramente melhor: a de 16 para 17 fica cerca de doze horas antes do pico e a de 17 para 18 fica cerca de treze horas depois. Na prática, observe a que tiver céu limpo. A NASA registra a chuva ativa de 6 a 30 de novembro, com as melhores noites em torno de 16 e 17.

Desta vez a Lua sai do caminho

Esse é o fator que mais estraga chuva de meteoros, e em 2026 ele joga a favor.

O quarto crescente cai em 17 de novembro às 8h47 de Brasília. Lua em quarto crescente se põe por volta da meia-noite — e é exatamente o que os cálculos mostram para São Paulo: a Lua mergulha no horizonte às 0h20 na madrugada de 17, às 0h50 na de 18 e às 1h20 na de 19.

Ou seja: a Lua some do céu praticamente na mesma hora em que o radiante das Leônidas começa a subir. Da meia-noite e meia em diante, o céu fica escuro e assim permanece até o amanhecer. É o melhor cenário possível. As fases do mês inteiro estão em Calendário lunar 2026 e 2027: todas as fases com hora de Brasília.

A que altura o radiante fica na sua cidade

O radiante — o ponto do céu de onde os meteoros parecem sair — fica na constelação de Leão, e é daí que vem o nome. Calculamos a posição dele a partir da órbita do cometa, e o resultado dá ascensão reta de 10h14m e declinação de +21,8°, o que cai dentro de Leão, na região que desenha a cabeça do leão.

Esse "+21,8°" é o que importa para o Brasil, porque é um ponto do hemisfério norte celeste. Quanto mais ao sul você mora, mais tarde ele nasce e mais baixo ele fica. A tabela abaixo é cálculo próprio para a madrugada de 18 de novembro, em horário local de cada cidade, conferido contra o sistema de efemérides da NASA.

Cidade Radiante nasce Altura às 4h da manhã Sol nasce
Recife 23h57 51° 4h50
Fortaleza 00h04 51° 5h11
Salvador 00h19 45° 4h57
Manaus 00h29 47° 5h37
Belém 00h40 45° 5h54
Rio de Janeiro 00h56 34° 5h00
Brasília 01h02 36° 5h31
São Paulo 01h11 32° 5h13
Curitiba 01h25 29° 5h20
Porto Alegre 01h43 24° 5h20

Duas leituras dessa tabela valem mais que a tabela inteira.

Primeira: antes de meia-noite não adianta sair. O radiante está abaixo do horizonte em todo o país, e meteoro que vem de baixo do chão não aparece.

Segunda, e essa nenhum calendário conta: o radiante ainda está subindo quando o dia clareia. Em todas as cidades da tabela, o ponto mais alto que ele atingiria só aconteceria depois do nascer do Sol. Ou seja, a altura da terceira coluna é praticamente o melhor que se consegue — e é por isso que as Leônidas rendem mais no Norte e no Nordeste que no Sul. Em Recife o radiante chega a 51° às 4h; em Porto Alegre, a 24°.

A janela boa, então, é estreita e clara: de 1h30 da manhã até o céu começar a clarear, mais ou menos uma hora antes do nascer do Sol.

Meteoro fino riscando o céu à esquerda da faixa vertical da Via Láctea, com pinheiros escuros na base do quadro
Um meteoro registrado em longa exposição. A mancha pequena e oval à direita, perto do meio da altura, é a galáxia de Andrômeda, a olho nu no mesmo céu. Foto: NASA/Bill Ingalls

Quantos meteoros esperar, sem enganação

Aqui vai o número honesto: em um ano comum, a NASA estima cerca de três meteoros por hora nas Leônidas, sob céu escuro. Três. Por hora.

Esse valor destoa do que muitos calendários publicam, e a razão é que eles citam a taxa horária zenital, um índice teórico calculado para céu perfeito, sem Lua, sem poluição luminosa e com o radiante no ponto mais alto possível do céu. Nenhuma dessas condições existe na vida real, e no caso das Leônidas vistas do Brasil o radiante nunca chega ao alto. O que a taxa zenital significa está explicado em Chuva de meteoros hoje: horários e como ver do Brasil.

Então por que valeria a pena sair da cama? Por dois motivos.

O primeiro é a velocidade. As Leônidas batem de frente com a Terra, porque a órbita do cometa é retrógrada: ele dá a volta no Sol no sentido contrário ao dos planetas, com inclinação de 162°. O resultado é um encontro quase frontal, a cerca de 71 km por segundo — a NASA publica 69,7 km/s no quadro de dados e 71 km/s no texto, e o cálculo a partir da órbita do cometa dá 70,8 km/s, no meio dos dois. Meteoro rápido é meteoro brilhante e com rastro persistente, aquele risco esverdeado que fica alguns segundos no céu depois de o meteoro sumir.

O segundo é que as Leônidas não são confiáveis, e é justamente isso que as torna interessantes.

As noites em que caíram 100 mil por hora

Uma tempestade de meteoros, pela definição da NASA, é uma chuva com pelo menos mil meteoros por hora. As Leônidas entregaram isso várias vezes, com uma regularidade de mais ou menos 33 anos.

Ano O que aconteceu
1833 Dezenas de milhares por hora, talvez 100 mil, na madrugada de 13 de novembro; melhor visto no leste da América do Norte
1866 Nova tempestade, logo depois da descoberta do cometa
1966 Milhares de meteoros por minuto durante um intervalo de 15 minutos
2001 Taxa próxima de um meteoro visível por segundo; a taxa zenital chegou a 1.300 por hora no pico visto dos Estados Unidos
2002 A última tempestade de Leônidas registrada até hoje

A de 1833 é considerada o espetáculo de meteoros mais impressionante da história recente. Testemunhas descreveram um céu riscado de ponta a ponta, e o episódio teve consequência científica: foi a partir dele que os astrônomos entenderam que meteoros vinham do espaço, e não da atmosfera. A diferença entre meteoro, meteorito, asteroide e cometa está em Meteoro, meteorito, asteroide e cometa: qual é a diferença?.

O cometa que deixa os farelos, e quando ele volta

O dono das Leônidas é o 55P/Tempel-Tuttle, descoberto de forma independente por Ernst Tempel e Horace Tuttle, em 1865 e 1866. O núcleo dele tem cerca de 3,6 km de diâmetro — o tamanho de uma cidade pequena.

Os elementos de órbita do Laboratório de Propulsão a Jato contam o resto da história. O período é de 33,24 anos. O ponto mais distante da órbita fica a 19,7 unidades astronômicas do Sol, mais longe que Urano. E a distância mínima entre a órbita dele e a nossa é de apenas 0,0085 unidade astronômica, ou 1,27 milhão de km — pertinho, em escala astronômica, e é por isso que essa chuva existe.

A última passagem pelo ponto mais próximo do Sol foi em 28 de fevereiro de 1998, e a próxima está prevista para 2031.

Isso responde de uma vez à pergunta que interessa. As tempestades acontecem quando a Terra atravessa uma faixa de poeira recém-solta, ou seja, nos anos próximos à passagem do cometa: 1833, 1866, 1966, 1999 a 2002. Em 2026 estamos no ponto mais afastado possível dessa janela — o cometa está longe, a poeira nova ainda não foi solta e a poeira velha já se espalhou. Não haverá tempestade em 2026. Quem quiser ver uma deve marcar no calendário os anos em torno de 2031 a 2035. Um cometa com um ciclo ainda mais famoso está em Cometa Halley: quando volta (2061) e por que é o mais famoso.

Como observar, sem complicar

Os grãos que produzem esses riscos têm, tipicamente, o tamanho de um grão de areia, e a quantidade de material que cai sobre a Terra todo dia está contada em Quanta poeira espacial cai na Terra por dia?.

Ver meteoro não exige equipamento nenhum — telescópio e binóculo até atrapalham, porque fecham o campo de visão. O essencial cabe em quatro linhas: saia da cidade se puder, deite-se ou recline a cadeira, dê 20 a 30 minutos para os olhos se adaptarem ao escuro sem olhar para o celular, e olhe para a região mais alta e escura do céu, não para o radiante.

Uma dica que vale só para este caso: como o radiante estará baixo, no lado leste-nordeste do céu, os meteoros vão riscar de baixo para cima e podem deixar rastros bem longos, do tipo que atravessa meio céu. É o prêmio de consolação de um radiante baixo.

Céu estrelado sobre pinheiros escuros, com a faixa da Via Láctea à esquerda e um meteoro riscando o alto do quadro
Céu de uma área rural, longe da iluminação urbana. Em céu de cidade, a mesma exposição mostraria uma fração dessas estrelas — e quase nenhum meteoro fraco. Foto: NASA/Bill Ingalls

Perguntas frequentes

Quando é a chuva de meteoros Leônidas em 2026?

O máximo cai em 17 de novembro de 2026, por volta das 11h52 de Brasília, o que é de dia no Brasil. Por isso as duas melhores madrugadas são a de 16 para 17 e a de 17 para 18 de novembro, praticamente equivalentes: escolha a de céu limpo. A chuva fica ativa, em nível baixo, de 6 a 30 de novembro.

Quantos meteoros por hora dá para ver nas Leônidas?

Em um ano comum, a NASA estima cerca de três por hora em céu escuro. Números maiores que circulam em calendários são taxas teóricas, calculadas para condições perfeitas e com o radiante no ponto mais alto do céu — o que não acontece no Brasil, onde ele fica entre 24° e 51° de altura na melhor hora.

Vai ter tempestade de meteoros em 2026?

Não. As tempestades das Leônidas acontecem nos anos próximos à passagem do cometa 55P/Tempel-Tuttle pelo ponto mais próximo do Sol, o que ocorre a cada 33 anos. A última foi em 1998 e a próxima está prevista para 2031, então os anos com chance real são os em torno de 2031 a 2035.

Precisa de telescópio para ver as Leônidas?

Não, e telescópio atrapalha. Meteoros aparecem em qualquer parte do céu e duram menos de um segundo, então o que conta é campo de visão largo — o olho nu é o melhor instrumento. O que faz diferença de verdade é céu escuro, tempo de adaptação ao escuro e paciência.

Por que a chuva se chama Leônidas?

Porque o ponto do céu de onde os meteoros parecem sair fica dentro da constelação de Leão. Esse ponto se chama radiante e é um efeito de perspectiva: as partículas viajam paralelas entre si, e nós as vemos divergindo de um ponto, como acontece com os trilhos de um trem que parecem sair do horizonte. Como reconhecer as constelações do céu brasileiro está em Constelações: as 88 oficiais e as que se veem do Brasil.

Horários de eventos astronômicos variam conforme sua cidade e o fuso horário. Confirme sempre num aplicativo de céu ou no site do Observatório Nacional antes de sair para observar.

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