Na manhã de quarta-feira, 26 de janeiro de 2028, acontece o próximo eclipse solar com faixa central em território brasileiro — e desta vez a estrela é Manaus. A capital do Amazonas fica dentro da faixa do anel de fogo por 7 minutos e 16 segundos, das 10h24 às 10h32 no horário local. É o eclipse anular mais generoso que uma capital brasileira recebe em décadas, e o Brasil inteiro vê pelo menos um pedaço do Sol sumir.
Todos os horários e porcentagens desta página saem de cálculo próprio a partir dos elementos besselianos publicados pela NASA para este eclipse, com a ferramenta de eclipses do próprio site.
O que é um anel de fogo (e por que não fica escuro)
Eclipse solar é a Lua passando na frente do Sol. Mas a Lua não anda sempre à mesma distância da Terra: a órbita dela é uma elipse, e a distância varia de cerca de 363 mil a 405 mil quilômetros.
Quando o eclipse pega a Lua longe de nós, o disco dela aparece menor que o do Sol e não consegue tapá-lo inteiro. Sobra um anel de luz em volta — o anel de fogo, ou eclipse anular. É a mesma coisa que acontece quando você tampa uma lâmpada do teto com uma moeda: se a moeda está perto do olho, some tudo; se você afasta a moeda, sobra um contorno aceso.
É por isso que um eclipse anular não escurece o dia. Em Manaus, no auge, 84,7% do Sol estará coberto — o que quer dizer que os 15,3% restantes continuam brilhando. Um Sol reduzido a 15% ainda é dezenas de milhares de vezes mais forte que a Lua cheia. A luz fica esquisita, metálica, como um fim de tarde no meio da manhã, e a temperatura cai um pouco. Escuridão de eclipse total, com estrelas aparecendo, não vai acontecer. Quem espera isso sai frustrado.
Essa é também a razão de a proteção ser obrigatória do começo ao fim, sem nenhum instante de folga — diferente de um eclipse total, onde existem segundos seguros. Voltamos a isso mais abaixo.
Manaus no meio do anel: 7 minutos e 16 segundos
Manaus é o grande prêmio deste eclipse. A cidade está dentro da faixa anular, e o anel dura 436 segundos, ou 7 minutos e 16 segundos. Para comparar: o anel de fogo de 2027, no extremo sul do Rio Grande do Sul, dura cerca de 4 minutos e meio. O máximo fisicamente possível para um eclipse anular é de pouco mais de 12 minutos, então 7 minutos é bastante coisa.
| Momento em Manaus | Horário local (Amazonas) | Horário de Brasília |
|---|---|---|
| O eclipse começa (primeiro contato) | 08h35 | 09h35 |
| O anel se fecha | 10h24 | 11h24 |
| Máximo | 10h28 | 11h28 |
| O anel se abre | 10h32 | 11h32 |
| O eclipse termina | 12h34 | 13h34 |
Atenção ao fuso: o Amazonas está uma hora atrás de Brasília. Se você mora em São Paulo e quiser acompanhar uma transmissão de Manaus, o anel acontece às 11h24 do seu relógio.
O Sol estará a 60° de altura — bem alto, quase dois terços do caminho entre o horizonte e o topo do céu. Isso é ótimo: ninguém precisa procurar um horizonte livre, e prédios ou árvores não atrapalham.
O evento inteiro, do primeiro ao último contato, dura quase 4 horas. O anel é só o miolo.
Quanto do Sol some na sua cidade
Fora da faixa anular, o eclipse é parcial: a Lua morde um pedaço do Sol e vai embora. Quanto mais ao norte e a oeste você estiver, maior a mordida. Os horários abaixo são locais de cada cidade.
| Cidade | Sol coberto no máximo | Máximo (horário local) |
|---|---|---|
| Manaus (AM) | 84,7% — anular | 10h28 |
| Macapá (AP) | 82,3% | 12h03 |
| Boa Vista (RR) | 76,8% | 10h37 |
| Porto Velho (RO) | 73,9% | 10h08 |
| Belém (PA) | 73,7% | 12h07 |
| Rio Branco (AC) | 71,9% | 08h57 |
| São Luís (MA) | 62,0% | 12h17 |
| Teresina (PI) | 52,3% | 12h15 |
| Palmas (TO) | 50,1% | 11h49 |
| Fortaleza (CE) | 46,1% | 12h29 |
| Cuiabá (MT) | 46,0% | 10h20 |
| Brasília (DF) | 34,6% | 11h41 |
| Goiânia (GO) | 34,3% | 11h36 |
| Natal (RN) | 34,1% | 12h32 |
| Campo Grande (MS) | 30,5% | 10h18 |
| João Pessoa (PB) | 30,5% | 12h30 |
| Recife (PE) | 28,6% | 12h28 |
| Maceió (AL) | 26,9% | 12h22 |
| Salvador (BA) | 25,2% | 12h08 |
| Belo Horizonte (MG) | 18,9% | 11h43 |
| São Paulo (SP) | 14,4% | 11h32 |
| Curitiba (PR) | 13,0% | 11h24 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 11,8% | 11h40 |
| Florianópolis (SC) | 8,1% | 11h23 |
| Porto Alegre (RS) | 5,6% | 11h16 |
| Chuí (RS) | 1,4% | 11h10 |
Repare na inversão em relação a 2027: no eclipse de fevereiro de 2027, quem está no Sul vê quase tudo e o Norte quase nada. Em 2028 é o contrário. Os detalhes daquele estão em Eclipse solar 2027 no Brasil: horário por cidade e como ver.
Abaixo de uns 20% de cobertura — caso de São Paulo, Rio e Belo Horizonte — você não percebe nada sem um filtro. A luz do dia não muda de forma notável. É preciso olhar através de um filtro certificado para ver a mordida.

Como olhar sem queimar os olhos
Esta é a parte que não é opcional. Olhar direto para o Sol, mesmo com 84,7% dele coberto, queima a retina, e a queimadura é indolor: você não sente nada na hora e descobre o estrago horas depois, quando já é permanente.
O que funciona:
- Óculos de eclipse certificados na norma ISO 12312-2. Eles bloqueiam 99,999% da luz. Com eles no rosto, você não enxerga absolutamente mais nada além do Sol — se der para ver a lâmpada da sala, não presta.
- Filtro de soldador número 14 (o 12 e o 13 não bastam).
- Projeção: fure um cartão com uma agulha e deixe a luz do Sol atravessar o furo até uma folha branca no chão. A imagem do Sol aparece projetada, com a mordida e tudo. É seguro, é barato, e funciona muito bem com criança.
O que não funciona, e já cegou gente: óculos de sol (mesmo vários empilhados), chapa de raio-X, filme fotográfico velho, vidro defumado, CD, água com terra na bacia, e a tela do celular.
E um aviso que poucos dão: nunca aponte binóculo, luneta ou telescópio para o Sol sem um filtro próprio na frente da lente. O instrumento concentra a luz e transforma o acidente em cegueira instantânea. Óculos de eclipse atrás de uma ocular não protegem — derretem.

Janeiro em Manaus: o risco que ninguém gosta de falar
Precisamos ser honestos sobre a maior ameaça a este eclipse, e ela não é astronômica: é nuvem. Janeiro está no meio da estação chuvosa no Amazonas, e Manaus é uma das capitais mais chuvosas do país nessa época do ano.
Isso não condena o evento. O eclipse acontece de manhã, e na Amazônia a pancada de chuva costuma se concentrar da tarde para a noite, o que joga a favor. Mas é prudente encarar o céu nublado como uma possibilidade real, e não como azar improvável.
Duas recomendações práticas para quem pensa em viajar: reserve mais de um dia na cidade, para não depender de uma única manhã, e informe-se sobre pontos de observação alternativos dentro da faixa anular — ela é larga e cruza vários municípios do Amazonas, então um deslocamento de algumas dezenas de quilômetros pode ser a diferença entre ver e não ver.
Prepare também o celular: as dicas de Como fotografar a Lua com o celular (passo a passo) valem em boa parte aqui, com uma diferença fundamental — a câmera precisa de filtro na frente, igual aos seus olhos.
O último, este e os próximos
O Brasil está num período de sorte com anéis de fogo. Em 14 de outubro de 2023, a faixa anular cruzou o Nordeste, passando por Natal e João Pessoa. Em 6 de fevereiro de 2027, ela raspa o extremo sul do Rio Grande do Sul. E em 26 de janeiro de 2028, atravessa o Norte com Manaus dentro. Três em pouco mais de quatro anos é um presente estatístico: o intervalo normal entre eclipses centrais num mesmo país passa de uma década.
Já o eclipse total de 2 de agosto de 2027, aquele que vai escurecer a Espanha e o Egito por mais de seis minutos e que aparece em muita manchete, não é visível do Brasil. O próximo eclipse solar total sobre território brasileiro está previsto apenas para 2045.
Se você quiser ver eclipses sem se preocupar com filtro nenhum, os lunares são a alternativa: estão listados em Eclipse lunar no Brasil: calendário 2026–2027 e como ver. A mecânica das fases da Lua, que é o que torna tudo isso possível, está em Por que a Lua tem fases? A explicação simples e as datas. E os demais eventos do período estão no Calendário astronômico 2027: todas as datas para anotar.
Até janeiro de 2028 falta bastante tempo — mais de um ano. Mas quem quer viajar para dentro da faixa anular precisa decidir cedo, porque hotel em Manaus na semana de um eclipse não é problema que se resolve em dezembro.




