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Eclipse solar 2028: o anel de fogo passa por Manaus

Em 26 de janeiro de 2028, Manaus fica 7 minutos dentro do anel de fogo. Veja o horário na sua cidade, quanto do Sol some e como olhar sem se machucar.

Publicado em 8 min de leitura
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O Sol alaranjado com um pedaço grande coberto pela silhueta escura da Lua durante um eclipse solar parcial
Foto: NASA/Joel Kowsky
Neste artigo
  1. O que é um anel de fogo (e por que não fica escuro)
  2. Manaus no meio do anel: 7 minutos e 16 segundos
  3. Quanto do Sol some na sua cidade
  4. Como olhar sem queimar os olhos
  5. Janeiro em Manaus: o risco que ninguém gosta de falar
  6. O último, este e os próximos

Na manhã de quarta-feira, 26 de janeiro de 2028, acontece o próximo eclipse solar com faixa central em território brasileiro — e desta vez a estrela é Manaus. A capital do Amazonas fica dentro da faixa do anel de fogo por 7 minutos e 16 segundos, das 10h24 às 10h32 no horário local. É o eclipse anular mais generoso que uma capital brasileira recebe em décadas, e o Brasil inteiro vê pelo menos um pedaço do Sol sumir.

Todos os horários e porcentagens desta página saem de cálculo próprio a partir dos elementos besselianos publicados pela NASA para este eclipse, com a ferramenta de eclipses do próprio site.

O que é um anel de fogo (e por que não fica escuro)

Eclipse solar é a Lua passando na frente do Sol. Mas a Lua não anda sempre à mesma distância da Terra: a órbita dela é uma elipse, e a distância varia de cerca de 363 mil a 405 mil quilômetros.

Quando o eclipse pega a Lua longe de nós, o disco dela aparece menor que o do Sol e não consegue tapá-lo inteiro. Sobra um anel de luz em volta — o anel de fogo, ou eclipse anular. É a mesma coisa que acontece quando você tampa uma lâmpada do teto com uma moeda: se a moeda está perto do olho, some tudo; se você afasta a moeda, sobra um contorno aceso.

É por isso que um eclipse anular não escurece o dia. Em Manaus, no auge, 84,7% do Sol estará coberto — o que quer dizer que os 15,3% restantes continuam brilhando. Um Sol reduzido a 15% ainda é dezenas de milhares de vezes mais forte que a Lua cheia. A luz fica esquisita, metálica, como um fim de tarde no meio da manhã, e a temperatura cai um pouco. Escuridão de eclipse total, com estrelas aparecendo, não vai acontecer. Quem espera isso sai frustrado.

Essa é também a razão de a proteção ser obrigatória do começo ao fim, sem nenhum instante de folga — diferente de um eclipse total, onde existem segundos seguros. Voltamos a isso mais abaixo.

Manaus no meio do anel: 7 minutos e 16 segundos

Manaus é o grande prêmio deste eclipse. A cidade está dentro da faixa anular, e o anel dura 436 segundos, ou 7 minutos e 16 segundos. Para comparar: o anel de fogo de 2027, no extremo sul do Rio Grande do Sul, dura cerca de 4 minutos e meio. O máximo fisicamente possível para um eclipse anular é de pouco mais de 12 minutos, então 7 minutos é bastante coisa.

Momento em Manaus Horário local (Amazonas) Horário de Brasília
O eclipse começa (primeiro contato) 08h35 09h35
O anel se fecha 10h24 11h24
Máximo 10h28 11h28
O anel se abre 10h32 11h32
O eclipse termina 12h34 13h34

Atenção ao fuso: o Amazonas está uma hora atrás de Brasília. Se você mora em São Paulo e quiser acompanhar uma transmissão de Manaus, o anel acontece às 11h24 do seu relógio.

O Sol estará a 60° de altura — bem alto, quase dois terços do caminho entre o horizonte e o topo do céu. Isso é ótimo: ninguém precisa procurar um horizonte livre, e prédios ou árvores não atrapalham.

O evento inteiro, do primeiro ao último contato, dura quase 4 horas. O anel é só o miolo.

Quanto do Sol some na sua cidade

Fora da faixa anular, o eclipse é parcial: a Lua morde um pedaço do Sol e vai embora. Quanto mais ao norte e a oeste você estiver, maior a mordida. Os horários abaixo são locais de cada cidade.

Cidade Sol coberto no máximo Máximo (horário local)
Manaus (AM) 84,7% — anular 10h28
Macapá (AP) 82,3% 12h03
Boa Vista (RR) 76,8% 10h37
Porto Velho (RO) 73,9% 10h08
Belém (PA) 73,7% 12h07
Rio Branco (AC) 71,9% 08h57
São Luís (MA) 62,0% 12h17
Teresina (PI) 52,3% 12h15
Palmas (TO) 50,1% 11h49
Fortaleza (CE) 46,1% 12h29
Cuiabá (MT) 46,0% 10h20
Brasília (DF) 34,6% 11h41
Goiânia (GO) 34,3% 11h36
Natal (RN) 34,1% 12h32
Campo Grande (MS) 30,5% 10h18
João Pessoa (PB) 30,5% 12h30
Recife (PE) 28,6% 12h28
Maceió (AL) 26,9% 12h22
Salvador (BA) 25,2% 12h08
Belo Horizonte (MG) 18,9% 11h43
São Paulo (SP) 14,4% 11h32
Curitiba (PR) 13,0% 11h24
Rio de Janeiro (RJ) 11,8% 11h40
Florianópolis (SC) 8,1% 11h23
Porto Alegre (RS) 5,6% 11h16
Chuí (RS) 1,4% 11h10

Repare na inversão em relação a 2027: no eclipse de fevereiro de 2027, quem está no Sul vê quase tudo e o Norte quase nada. Em 2028 é o contrário. Os detalhes daquele estão em Eclipse solar 2027 no Brasil: horário por cidade e como ver.

Abaixo de uns 20% de cobertura — caso de São Paulo, Rio e Belo Horizonte — você não percebe nada sem um filtro. A luz do dia não muda de forma notável. É preciso olhar através de um filtro certificado para ver a mordida.

O Sol como um crescente fino e avermelhado logo acima do horizonte, atrás da silhueta de um edifício com cúpula
Assim ficou o Sol, visto de fora da faixa central, durante o eclipse anular de junho de 2021. Em boa parte do Norte do Brasil, em 2028, o Sol vai ficar parecido com isto — mas alto no céu, e não junto ao horizonte. Foto: NASA/Bill Ingalls

Como olhar sem queimar os olhos

Esta é a parte que não é opcional. Olhar direto para o Sol, mesmo com 84,7% dele coberto, queima a retina, e a queimadura é indolor: você não sente nada na hora e descobre o estrago horas depois, quando já é permanente.

O que funciona:

  • Óculos de eclipse certificados na norma ISO 12312-2. Eles bloqueiam 99,999% da luz. Com eles no rosto, você não enxerga absolutamente mais nada além do Sol — se der para ver a lâmpada da sala, não presta.
  • Filtro de soldador número 14 (o 12 e o 13 não bastam).
  • Projeção: fure um cartão com uma agulha e deixe a luz do Sol atravessar o furo até uma folha branca no chão. A imagem do Sol aparece projetada, com a mordida e tudo. É seguro, é barato, e funciona muito bem com criança.

O que não funciona, e já cegou gente: óculos de sol (mesmo vários empilhados), chapa de raio-X, filme fotográfico velho, vidro defumado, CD, água com terra na bacia, e a tela do celular.

E um aviso que poucos dão: nunca aponte binóculo, luneta ou telescópio para o Sol sem um filtro próprio na frente da lente. O instrumento concentra a luz e transforma o acidente em cegueira instantânea. Óculos de eclipse atrás de uma ocular não protegem — derretem.

Uma mulher de camiseta rosa, em uma praia, usando óculos de eclipse com lentes prateadas e olhando para o alto
É assim que se assiste a um eclipse anular: com óculos certificados, do primeiro ao último minuto. Diferente de um eclipse total, um anular não tem nenhum instante em que seja seguro tirar o filtro. Foto: NASA/Aubrey Gemignani

Janeiro em Manaus: o risco que ninguém gosta de falar

Precisamos ser honestos sobre a maior ameaça a este eclipse, e ela não é astronômica: é nuvem. Janeiro está no meio da estação chuvosa no Amazonas, e Manaus é uma das capitais mais chuvosas do país nessa época do ano.

Isso não condena o evento. O eclipse acontece de manhã, e na Amazônia a pancada de chuva costuma se concentrar da tarde para a noite, o que joga a favor. Mas é prudente encarar o céu nublado como uma possibilidade real, e não como azar improvável.

Duas recomendações práticas para quem pensa em viajar: reserve mais de um dia na cidade, para não depender de uma única manhã, e informe-se sobre pontos de observação alternativos dentro da faixa anular — ela é larga e cruza vários municípios do Amazonas, então um deslocamento de algumas dezenas de quilômetros pode ser a diferença entre ver e não ver.

Prepare também o celular: as dicas de Como fotografar a Lua com o celular (passo a passo) valem em boa parte aqui, com uma diferença fundamental — a câmera precisa de filtro na frente, igual aos seus olhos.

O último, este e os próximos

O Brasil está num período de sorte com anéis de fogo. Em 14 de outubro de 2023, a faixa anular cruzou o Nordeste, passando por Natal e João Pessoa. Em 6 de fevereiro de 2027, ela raspa o extremo sul do Rio Grande do Sul. E em 26 de janeiro de 2028, atravessa o Norte com Manaus dentro. Três em pouco mais de quatro anos é um presente estatístico: o intervalo normal entre eclipses centrais num mesmo país passa de uma década.

Já o eclipse total de 2 de agosto de 2027, aquele que vai escurecer a Espanha e o Egito por mais de seis minutos e que aparece em muita manchete, não é visível do Brasil. O próximo eclipse solar total sobre território brasileiro está previsto apenas para 2045.

Se você quiser ver eclipses sem se preocupar com filtro nenhum, os lunares são a alternativa: estão listados em Eclipse lunar no Brasil: calendário 2026–2027 e como ver. A mecânica das fases da Lua, que é o que torna tudo isso possível, está em Por que a Lua tem fases? A explicação simples e as datas. E os demais eventos do período estão no Calendário astronômico 2027: todas as datas para anotar.

Até janeiro de 2028 falta bastante tempo — mais de um ano. Mas quem quer viajar para dentro da faixa anular precisa decidir cedo, porque hotel em Manaus na semana de um eclipse não é problema que se resolve em dezembro.

Perguntas frequentes

Que horas é o eclipse solar de 26 de janeiro de 2028 em Manaus?

O eclipse começa às 8h35, o anel de fogo se fecha às 10h24 e se abre às 10h32, e tudo termina às 12h34 — sempre no horário local do Amazonas, que é uma hora atrás de Brasília. O anel dura 7 minutos e 16 segundos, com o Sol a 60° de altura.

O eclipse de 2028 vai ser visível de São Paulo e do Rio?

Sim, mas só como eclipse parcial e discreto: 14,4% do Sol coberto em São Paulo e 11,8% no Rio de Janeiro, com o máximo por volta das 11h32 e 11h40. Com tão pouca cobertura, você não nota diferença na luz do dia — precisa de óculos de eclipse certificados para ver a mordida no Sol.

Por que o eclipse anular não escurece como o total?

Porque a Lua está longe demais da Terra para cobrir o Sol inteiro, e sobra um anel de luz. Mesmo com 84,7% do disco solar tapado, os 15,3% que restam continuam ofuscantes. Só o eclipse total, em que a Lua tapa 100% do disco, traz escuridão e permite olhar sem filtro por alguns segundos.

Preciso de óculos especiais o tempo todo?

Sim, sem exceção, do primeiro ao último minuto. Num eclipse anular nunca existe um instante seguro para olhar a olho nu — isso só vale para a totalidade de um eclipse total, que não é o caso aqui. Use óculos ISO 12312-2 ou o método da projeção com um cartão furado.

Quando será o próximo eclipse solar total no Brasil?

Está previsto para 2045. Até lá, o Brasil recebe eclipses anulares e parciais: o anular de 6 de fevereiro de 2027 no extremo sul do Rio Grande do Sul e este de 26 de janeiro de 2028 no Norte são os dois próximos com faixa central em solo brasileiro.

Horários de eventos astronômicos variam conforme sua cidade e o fuso horário. Confirme sempre num aplicativo de céu ou no site do Observatório Nacional antes de sair para observar.

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