A primavera de 2026 começa em 22 de setembro, às 21h05 no horário de Brasília. Esse é o instante do equinócio de setembro, o momento exato em que o Sol cruza o equador celeste — a linha do equador da Terra projetada no céu — e passa a iluminar o hemisfério sul por mais tempo do que o norte. Não é uma data escolhida por alguém: é um evento astronômico com hora e minuto, e ele cai sempre entre 22 e 23 de setembro.
O horário exato na sua cidade
O equinócio acontece no mesmo instante para o planeta inteiro. O que muda é que horas são naquele instante em cada lugar. Como o Brasil tem quatro fusos, a primavera começa em quatro horários diferentes — e em todos eles ainda é dia 22:
| Onde você está | Fuso | Começa em |
|---|---|---|
| Fernando de Noronha | UTC−2 | 22/09, às 22h05 |
| Brasília, São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre | UTC−3 | 22/09, às 21h05 |
| Manaus, Cuiabá, Campo Grande, Porto Velho, Boa Vista | UTC−4 | 22/09, às 20h05 |
| Rio Branco e o sudoeste do Amazonas | UTC−5 | 22/09, às 19h05 |
| Referência mundial (UTC) | — | 23/09, às 00h05 |
Esses horários vêm de um cálculo próprio, feito com o método publicado pelo astrônomo belga Jean Meeus, e batem com o valor divulgado internacionalmente para o equinócio de 2026 (00h05 UTC). A ferramenta usada está no repositório do site, em tools/estacoes.mjs.
Se você quiser marcar no calendário, a primavera no Brasil vai de 22 de setembro a 21 de dezembro de 2026, quando entra o verão às 17h50 de Brasília.
O que é um equinócio, sem enrolação
A Terra não gira "em pé". O eixo dela — a linha imaginária que liga os polos — é inclinado 23,44 graus em relação ao plano da órbita. Pense numa bola de futebol girando num pião torto: ela gira, mas tombada para o lado.
Essa inclinação é fixa e aponta sempre para a mesma direção no espaço. Por isso, conforme a Terra dá a volta no Sol ao longo do ano, ora o hemisfério sul fica mais virado para o Sol, ora o norte.
Os equinócios são os dois momentos do ano em que nenhum dos dois está mais virado: o Sol fica exatamente sobre a linha do equador e ilumina os dois hemisférios em igualdade. Um deles acontece em março, o outro em setembro. A palavra vem do latim aequinoctium, "noite igual".
Os solstícios, em junho e dezembro, são o oposto: o momento de maior desequilíbrio, quando um hemisfério está o mais inclinado possível na direção do Sol e o outro, o mais afastado.

Dia e noite iguais? Quase
Todo mundo aprendeu na escola que no equinócio o dia dura 12 horas e a noite também. É quase verdade — e a diferença tem uma explicação bonita.
Na prática, no dia do equinócio o dia dura cerca de 12 horas e 7 minutos em todo o Brasil. Sobram alguns minutos de luz por dois motivos:
- A atmosfera entorta a luz. O ar funciona como uma lente fraca e levanta a imagem do Sol cerca de meio grau. Quando você vê o Sol encostando no horizonte, ele já se pôs de verdade há um instante. É o mesmo efeito de enxergar uma colher "quebrada" dentro de um copo d'água.
- O nascer do sol conta pela borda. Consideramos que o dia começou quando a primeira fatia do disco solar aparece, e que acabou quando a última some. Isso acrescenta mais alguns minutos de cada lado.
O dia com exatamente 12 horas de luz existe, mas cai alguns dias antes do equinócio de setembro aqui no hemisfério sul. Para quem só quer saber se dá para jogar bola depois do trabalho, o recado é simples: a partir de agora os dias só aumentam até o Natal.
Quanto o dia muda de verdade em cada cidade
O tamanho do efeito depende de quão longe você está do equador. Quem mora perto da linha quase não sente diferença o ano inteiro; quem mora no extremo sul sente muito:
| Cidade | No equinócio | Solstício de junho (inverno) | Solstício de dezembro (verão) |
|---|---|---|---|
| Boa Vista (RR) | 12h07 | 12h17 | 11h57 |
| Belém (PA) | 12h07 | 12h02 | 12h12 |
| Manaus (AM) | 12h07 | 11h57 | 12h18 |
| Fortaleza (CE) | 12h07 | 11h54 | 12h20 |
| Salvador (BA) | 12h07 | 11h22 | 12h53 |
| Brasília (DF) | 12h07 | 11h11 | 13h04 |
| Belo Horizonte (MG) | 12h07 | 10h55 | 13h20 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 12h07 | 10h44 | 13h33 |
| São Paulo (SP) | 12h07 | 10h41 | 13h35 |
| Curitiba (PR) | 12h07 | 10h33 | 13h43 |
| Porto Alegre (RS) | 12h08 | 10h13 | 14h05 |
| Chuí (RS) | 12h08 | 9h55 | 14h24 |
Repare em duas coisas. Em Belém, a diferença entre o dia mais curto e o mais longo do ano é de 10 minutos; no Chuí, na ponta do Rio Grande do Sul, é de quase quatro horas e meia. E Boa Vista aparece invertida: Roraima fica ao norte da linha do equador, ou seja, tecnicamente no hemisfério norte. Lá, junho é que tem os dias mais longos.
(Os valores são calculados pela latitude de cada cidade, considerando a refração da atmosfera. Variam em um ou dois minutos conforme o relevo e a altitude do horizonte que você enxerga.)
O truque do equinócio: descobrir onde fica o leste
Aqui vai uma utilidade prática que quase ninguém conhece. Só nos dois equinócios o Sol nasce exatamente no leste e se põe exatamente no oeste — em qualquer ponto do planeta. Nos outros dias do ano ele nasce um pouco deslocado para o norte ou para o sul.
Então, em 22 e 23 de setembro, olhe pela janela na hora do nascer ou do pôr do sol e marque o ponto: aquilo é o leste ou o oeste de verdade. Serve para saber que janela vai pegar sol de manhã, para orientar uma horta, ou para encontrar planetas e constelações depois — veja Apps grátis que identificam estrelas apontando o celular.
Não é a distância até o Sol que faz o verão
Essa é a confusão mais comum do assunto, e vale desmontar. Muita gente imagina que faz calor no verão porque a Terra chega mais perto do Sol. Está errado.
A órbita da Terra é quase circular, mas não perfeitamente: a distância até o Sol varia de cerca de 147 milhões de quilômetros, no começo de janeiro, a 152 milhões, no começo de julho. São 5 milhões de quilômetros de diferença — parece muito, mas equivale a apenas 3% do total. É como se, numa viagem de São Paulo a Belo Horizonte, você desviasse 20 quilômetros do caminho.
E repare na ironia: o Brasil está no verão justamente quando a Terra está mais perto do Sol. Se a distância mandasse, o janeiro brasileiro e o janeiro europeu teriam a mesma temperatura.
O que manda mesmo é a inclinação. Quando o Sol bate mais de cima, a mesma quantidade de luz se concentra numa área menor do chão e esquenta mais — é a diferença entre apontar uma lanterna de frente para a parede ou bem de lado. E, de quebra, o dia dura mais, dando mais horas de aquecimento.
Primavera de verdade existe no Brasil todo?
Honestamente, não. O calendário astronômico é o mesmo para o país inteiro, mas o clima não.
No Sul e no Sudeste a primavera se parece com a definição de livro: temperatura subindo, dias mais longos, floradas de ipê e jacarandá. Em boa parte do Centro-Oeste e do Norte, o que acontece em setembro e outubro não é "primavera": é o fim da seca e a volta das chuvas. Perto do equador, onde o dia tem sempre 12 horas, faz muito mais sentido falar em estação seca e estação chuvosa do que nas quatro estações.
Vale lembrar também que nossas estações são invertidas em relação às do hemisfério norte, de onde vem a maior parte dos filmes e das músicas que consumimos. Quando o Natal do cinema tem neve, aqui é o auge do verão. É o mesmo movimento da Terra que está por trás de Por que não sentimos a Terra girar?
O que olhar no céu nesta primavera
A entrada da primavera muda o que aparece à noite, porque a Terra passa a apontar a noite para outra parte da galáxia. Três coisas para anotar:
- A Lua. Em 26 de setembro de 2026 tem Lua cheia, às 13h49 de Brasília — ou seja, ela nasce cheia no fim daquela tarde. Depois vêm as Luas cheias de 26 de outubro e de 24 de novembro, esta última a maior do ano, como contamos em Superluas de 2026: datas e por que a Lua fica gigante.
- Os planetas. Aquele ponto muito brilhante que não pisca no início da noite provavelmente não é uma estrela. O guia Qual é aquela estrela brilhante no céu? Vênus, Júpiter ou Marte ajuda a identificar.
- As Orionídeas. A chuva de meteoros do cometa Halley tem pico por volta de 21 de outubro, e a melhor hora é depois da meia-noite. Os detalhes estão em Chuva de meteoros hoje: horários e como ver do Brasil.




