Expedição é o nome que se dá a cada turma de moradores da Estação Espacial Internacional. Cada uma recebe um número, em ordem, e esse número nunca se repete nem volta atrás. A Expedição 1 chegou em 2 de novembro de 2000, com três pessoas. A que está lá agora é a Expedição 75, que começou em 26 de julho de 2026 e deve terminar na primavera de 2027 — no hemisfério norte, onde fica a sede da agência que publica o calendário.
A ideia por trás do número é simples: desde aquele 2 de novembro de 2000, nunca mais houve um único dia com a Estação vazia. A numeração é a prova contábil disso. Se alguma Expedição tivesse acabado sem que a seguinte começasse, teria havido um buraco — e não houve nenhum em mais de 25 anos.
Por que a tripulação é contada em turmas, e não por nave
Aqui está a confusão mais comum sobre o assunto, e ela tem uma explicação boa.
As pessoas sobem em naves — uma Soyuz russa, uma Crew Dragon americana — e cada voo tem o seu próprio nome, como Crew-13. Mas a nave é só o ônibus. O que organiza o trabalho lá em cima é outra coisa: a Expedição, que é o período de comando e o conjunto de experimentos daquela temporada.
Pense num hospital. Os médicos chegam de carro, de ônibus ou a pé, cada um do seu jeito, mas o que organiza o hospital é o plantão: quem está de serviço, quem é o chefe daquele turno, o que precisa ser feito até o fim dele. A nave é o carro; a Expedição é o plantão.
Por isso os dois números não batem. A Expedição 75 recebeu a Crew-13 no meio do caminho, sem mudar de número, como conta Quanto tempo leva para chegar à Estação Espacial?.

Quantas pessoas moram lá
A Estação mantém sete moradores de forma contínua. Esse é o número de rotina, o que você encontraria numa visita qualquer.
Mas a lotação oscila. Nas trocas de turma, as duas tripulações se sobrepõem por alguns dias, e a Estação pode chegar a treze pessoas — contando as naves de passageiros acopladas naquele momento. No outro extremo, já houve períodos de apenas três, como depois do acidente do ônibus espacial Columbia, em 2003, quando o transporte ficou escasso.
| Pessoas a bordo | |
|---|---|
| Tripulação contínua de rotina | 7 |
| Durante a troca de turmas | até 13 |
| Mínimo registrado em períodos difíceis | 3 |
Essa sobreposição não é desperdício, é segurança. Ninguém entrega um laboratório do tamanho de um campo de futebol por e-mail. A turma que chega passa dias acompanhando a que vai embora, aprendendo onde está cada coisa e como cada equipamento se comporta na prática.
Quanto tempo dura uma Expedição
O padrão moderno é de cerca de seis meses por pessoa, e cada Expedição dura algo entre quatro e seis meses. As datas das duas últimas dão a medida certa:
| Expedição | Começou | Terminou ou termina |
|---|---|---|
| 74 | 8 de dezembro de 2025 | verão de 2026 |
| 75 | 26 de julho de 2026 | primavera de 2027 |
Seis meses não é um número escolhido ao acaso. É mais ou menos o limite em que o corpo humano aguenta a ausência de peso sem danos que demorem demais a reverter — perda de massa óssea, enfraquecimento do coração, mudança na visão. O que acontece com o corpo nesse período está detalhado em Os recordes de permanência no espaço (e o que o corpo sofre).
Também é o intervalo que faz a conta de transporte fechar. Trocar gente a cada dois meses custaria foguetes demais; deixar cada um por dois anos traria de volta pessoas em más condições.
Por que o número só sobe
A numeração não reinicia por ano, por década nem por país. Ela é uma contagem corrida desde a primeira turma, e isso é proposital: o número é a medida de quanto tempo a humanidade já passou morando fora da Terra, sem interrupção.
Os números acumulados até aqui são estes, segundo a agência americana: mais de 290 pessoas, de 26 países, passaram pela Estação ao longo de mais de 72 Expedições.
Repare na diferença entre os dois números. São 290 pessoas para 72 turmas — ou seja, muita gente foi mais de uma vez. Voar para a Estação não é um prêmio único de carreira: é um trabalho ao qual se volta, como quem embarca de novo numa plataforma de petróleo.
Quem foi a Expedição 1
Vale saber quem abriu a numeração, porque a diferença de escala é impressionante.
Em 2 de novembro de 2000, a nave da Expedição 1 acoplou a uma Estação que tinha três módulos. A bordo iam o americano William Shepherd e os russos Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev.

Hoje a Estação tem o tamanho de um campo de futebol e é montada de dezenas de peças. Tudo o que cresceu entre uma foto e outra foi levado aos poucos, em pedaços, e montado por pessoas de traje, do lado de fora. Só no período que vai de dezembro de 2000 a abril de 2003, logo depois da chegada da primeira turma, 38 astronautas e cosmonautas fizeram 41 caminhadas espaciais — e o ritmo de montagem seguiu por mais de uma década depois disso.
A mais longa delas continua sendo um recorde da Expedição 2: em 10 de março de 2001, James Voss e Susan Helms passaram 8 horas e 56 minutos do lado de fora. É a caminhada espacial mais longa da história até hoje.
Até quando a numeração vai continuar
A Estação está autorizada a operar até pelo menos 2030. Como cada Expedição dura cerca de seis meses, isso significa mais ou menos oito a dez turmas pela frente antes do fim previsto — algo em torno da Expedição 83 ou 85, se o ritmo atual se mantiver.
Vale a ressalva de sempre com cronograma espacial: a vida útil da Estação já foi estendida várias vezes, e pode ser estendida de novo. Partes dela já passaram do prazo originalmente previsto, e por isso a agência refaz análises periódicas para confirmar que continua seguro morar lá. Muito do que está lá em cima é modular: quando uma peça se desgasta, sobe uma peça nova.
O que acontece quando o prazo chegar — e por que não dá simplesmente para deixar a Estação em órbita — é o assunto de A Estação Espacial vai cair? O fim da ISS em 2030.




