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O que é uma Expedição da Estação Espacial?

Expedição é cada turma de moradores da Estação Espacial. A numeração começou em 2000 e nunca parou: hoje corre a Expedição 75. Veja como é o rodízio.

Publicado em 6 min de leitura
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Os sete integrantes da Expedição 75 posando de macacão azul, com o emblema da missão e as bandeiras dos países parceiros
Foto: NASA/Josh Valcarcel
Neste artigo
  1. Por que a tripulação é contada em turmas, e não por nave
  2. Quantas pessoas moram lá
  3. Quanto tempo dura uma Expedição
  4. Por que o número só sobe
  5. Quem foi a Expedição 1
  6. Até quando a numeração vai continuar

Expedição é o nome que se dá a cada turma de moradores da Estação Espacial Internacional. Cada uma recebe um número, em ordem, e esse número nunca se repete nem volta atrás. A Expedição 1 chegou em 2 de novembro de 2000, com três pessoas. A que está lá agora é a Expedição 75, que começou em 26 de julho de 2026 e deve terminar na primavera de 2027 — no hemisfério norte, onde fica a sede da agência que publica o calendário.

A ideia por trás do número é simples: desde aquele 2 de novembro de 2000, nunca mais houve um único dia com a Estação vazia. A numeração é a prova contábil disso. Se alguma Expedição tivesse acabado sem que a seguinte começasse, teria havido um buraco — e não houve nenhum em mais de 25 anos.

Por que a tripulação é contada em turmas, e não por nave

Aqui está a confusão mais comum sobre o assunto, e ela tem uma explicação boa.

As pessoas sobem em naves — uma Soyuz russa, uma Crew Dragon americana — e cada voo tem o seu próprio nome, como Crew-13. Mas a nave é só o ônibus. O que organiza o trabalho lá em cima é outra coisa: a Expedição, que é o período de comando e o conjunto de experimentos daquela temporada.

Pense num hospital. Os médicos chegam de carro, de ônibus ou a pé, cada um do seu jeito, mas o que organiza o hospital é o plantão: quem está de serviço, quem é o chefe daquele turno, o que precisa ser feito até o fim dele. A nave é o carro; a Expedição é o plantão.

Por isso os dois números não batem. A Expedição 75 recebeu a Crew-13 no meio do caminho, sem mudar de número, como conta Quanto tempo leva para chegar à Estação Espacial?.

Os sete integrantes da Expedição 75 flutuando dentro de uma escotilha redonda da Estação, olhando para a câmera
A mesma Expedição 75 dentro da Estação, em setembro de 2026, em roupa de trabalho. O retrato oficial é feito na Terra, antes do lançamento. Foto: NASA/JSC

Quantas pessoas moram lá

A Estação mantém sete moradores de forma contínua. Esse é o número de rotina, o que você encontraria numa visita qualquer.

Mas a lotação oscila. Nas trocas de turma, as duas tripulações se sobrepõem por alguns dias, e a Estação pode chegar a treze pessoas — contando as naves de passageiros acopladas naquele momento. No outro extremo, já houve períodos de apenas três, como depois do acidente do ônibus espacial Columbia, em 2003, quando o transporte ficou escasso.

Pessoas a bordo
Tripulação contínua de rotina 7
Durante a troca de turmas até 13
Mínimo registrado em períodos difíceis 3

Essa sobreposição não é desperdício, é segurança. Ninguém entrega um laboratório do tamanho de um campo de futebol por e-mail. A turma que chega passa dias acompanhando a que vai embora, aprendendo onde está cada coisa e como cada equipamento se comporta na prática.

Quanto tempo dura uma Expedição

O padrão moderno é de cerca de seis meses por pessoa, e cada Expedição dura algo entre quatro e seis meses. As datas das duas últimas dão a medida certa:

Expedição Começou Terminou ou termina
74 8 de dezembro de 2025 verão de 2026
75 26 de julho de 2026 primavera de 2027

Seis meses não é um número escolhido ao acaso. É mais ou menos o limite em que o corpo humano aguenta a ausência de peso sem danos que demorem demais a reverter — perda de massa óssea, enfraquecimento do coração, mudança na visão. O que acontece com o corpo nesse período está detalhado em Os recordes de permanência no espaço (e o que o corpo sofre).

Também é o intervalo que faz a conta de transporte fechar. Trocar gente a cada dois meses custaria foguetes demais; deixar cada um por dois anos traria de volta pessoas em más condições.

Por que o número só sobe

A numeração não reinicia por ano, por década nem por país. Ela é uma contagem corrida desde a primeira turma, e isso é proposital: o número é a medida de quanto tempo a humanidade já passou morando fora da Terra, sem interrupção.

Os números acumulados até aqui são estes, segundo a agência americana: mais de 290 pessoas, de 26 países, passaram pela Estação ao longo de mais de 72 Expedições.

Repare na diferença entre os dois números. São 290 pessoas para 72 turmas — ou seja, muita gente foi mais de uma vez. Voar para a Estação não é um prêmio único de carreira: é um trabalho ao qual se volta, como quem embarca de novo numa plataforma de petróleo.

Quem foi a Expedição 1

Vale saber quem abriu a numeração, porque a diferença de escala é impressionante.

Em 2 de novembro de 2000, a nave da Expedição 1 acoplou a uma Estação que tinha três módulos. A bordo iam o americano William Shepherd e os russos Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev.

A Estação Espacial em 2001, pequena, com poucos módulos e dois pares de painéis solares, sobre a Terra azul
A Estação vista pela tripulação da Expedição 1, em 2001. Eram três módulos. Hoje ela tem o tamanho de um campo de futebol. Foto: NASA/JSC

Hoje a Estação tem o tamanho de um campo de futebol e é montada de dezenas de peças. Tudo o que cresceu entre uma foto e outra foi levado aos poucos, em pedaços, e montado por pessoas de traje, do lado de fora. Só no período que vai de dezembro de 2000 a abril de 2003, logo depois da chegada da primeira turma, 38 astronautas e cosmonautas fizeram 41 caminhadas espaciais — e o ritmo de montagem seguiu por mais de uma década depois disso.

A mais longa delas continua sendo um recorde da Expedição 2: em 10 de março de 2001, James Voss e Susan Helms passaram 8 horas e 56 minutos do lado de fora. É a caminhada espacial mais longa da história até hoje.

Até quando a numeração vai continuar

A Estação está autorizada a operar até pelo menos 2030. Como cada Expedição dura cerca de seis meses, isso significa mais ou menos oito a dez turmas pela frente antes do fim previsto — algo em torno da Expedição 83 ou 85, se o ritmo atual se mantiver.

Vale a ressalva de sempre com cronograma espacial: a vida útil da Estação já foi estendida várias vezes, e pode ser estendida de novo. Partes dela já passaram do prazo originalmente previsto, e por isso a agência refaz análises periódicas para confirmar que continua seguro morar lá. Muito do que está lá em cima é modular: quando uma peça se desgasta, sobe uma peça nova.

O que acontece quando o prazo chegar — e por que não dá simplesmente para deixar a Estação em órbita — é o assunto de A Estação Espacial vai cair? O fim da ISS em 2030.

Perguntas frequentes

Qual é a Expedição atual da Estação Espacial?

A Expedição 75, que começou em 26 de julho de 2026 e, segundo o calendário da NASA, deve terminar na primavera do hemisfério norte de 2027. Ela recebeu a tripulação da missão Crew-13 no segundo semestre de 2026.

Qual é a diferença entre Expedição e missão Crew?

A missão Crew é o voo: a nave que leva e traz as pessoas, com nome e número próprios. A Expedição é a temporada de trabalho a bordo, com um comandante e um conjunto de experimentos. Uma mesma Expedição costuma receber mais de uma nave, e uma mesma pessoa pode participar de duas Expedições seguidas, se ficar a bordo durante uma troca.

Quantas pessoas estão na Estação Espacial agora?

De rotina, sete. Durante os poucos dias em que duas turmas se sobrepõem, esse número sobe e pode chegar a treze, contando as naves acopladas. O número varia ao longo do ano por causa do calendário de lançamentos.

Quem comanda a Estação Espacial?

Cada Expedição tem um comandante, escolhido entre os integrantes daquela turma, e o posto passa formalmente de uma pessoa para outra numa pequena cerimônia a bordo, na troca de turmas. O comandante pode ser de qualquer uma das agências parceiras, não só da americana ou da russa.

Um brasileiro já participou de uma Expedição?

Marcos Pontes esteve na Estação em 2006, mas não como integrante de uma Expedição: ele passou oito dias a bordo numa missão própria, enquanto as Expedições 12 e 13 faziam a troca de turma. A história completa está em Marcos Pontes: a história do primeiro astronauta brasileiro.

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