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Artemis II: como foi a volta dos humanos à órbita da Lua

Em abril de 2026, quatro astronautas contornaram a Lua pela primeira vez desde 1972. Quem foram, o que a missão testou e o que muda para os próximos pousos.

Publicado em 5 min de leitura
Foguete SLS com a nave Orion decolando à noite da plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, na missão Artemis I
Foto: NASA/Joel Kowsky
Neste artigo
  1. A tripulação
  2. Linha do tempo da missão
  3. O que a missão testou
  4. Por que demorou tanto
  5. O que vem depois
  6. Por que isso importa

Depois de mais de 50 anos, seres humanos voltaram a ver a Lua de perto. Em abril de 2026, a missão Artemis II levou quatro astronautas em uma viagem de dez dias ao redor da Lua e de volta, a bordo da nave Orion lançada pelo foguete SLS. Ninguém pousou, e isso nunca foi o plano. O objetivo era provar que a nave está pronta para levar gente a um lugar onde nenhum humano esteve desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. Aqui está o que aconteceu, quem foi e o que vem depois.

A tripulação

Quatro pessoas, três americanas e uma canadense, todas astronautas experientes:

  • Reid Wiseman, comandante. Piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos, ex-chefe do Escritório de Astronautas da NASA, com uma missão de longa duração na ISS.
  • Victor Glover, piloto. Aviador naval, participou da primeira missão operacional da Crew Dragon, em 2020. Tornou-se a primeira pessoa negra a viajar além da órbita terrestre.
  • Christina Koch, especialista de missão. Engenheira, detentora do recorde de voo mais longo de uma mulher (328 dias). Primeira mulher a viajar até a Lua.
  • Jeremy Hansen, especialista de missão. Piloto de caça da Força Aérea do Canadá. Primeiro não americano a ir além da órbita baixa da Terra, em seu primeiro voo espacial.

Linha do tempo da missão

Lançamento. O SLS, o foguete mais potente já lançado com sucesso depois do Saturn V e do Starship, decolou do Complexo 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, após meses de adiamentos causados por vazamentos de hidrogênio e problemas nos sistemas de solo, os mesmos que atrasaram a Artemis I em 2022.

Testes em órbita da Terra. Nas primeiras 24 horas, a tripulação ficou em uma órbita alta e elíptica ao redor da Terra, testando os sistemas de suporte à vida, a navegação manual e a aproximação até o estágio superior do foguete, uma simulação do acoplamento que as missões de pouso vão exigir.

Injeção translunar. Com tudo aprovado, o motor da Orion acendeu e colocou a nave em uma trajetória de retorno livre: uma rota em forma de oito que contorna a Lua e volta para a Terra usando apenas a gravidade, sem precisar de outra manobra. É a mesma configuração que salvou a Apollo 13 em 1970. Se o motor falhasse, a tripulação voltaria de qualquer jeito.

Contorno da Lua. Cerca de quatro dias após o lançamento, a Orion passou pelo lado oculto da Lua a alguns milhares de quilômetros da superfície. Durante cerca de 40 minutos a nave ficou sem contato com a Terra, bloqueada pela Lua. A tripulação fotografou regiões do lado oculto que nenhum humano tinha visto diretamente, tema que exploramos em o que existe do lado oculto da Lua. Ao contornar o ponto mais distante, a Orion superou o recorde de distância da Terra estabelecido pela Apollo 13, passando de 400 mil km.

Retorno e reentrada. A viagem de volta levou outros quatro dias. A Orion entrou na atmosfera a cerca de 40 mil km/h e o escudo térmico enfrentou temperaturas de 2.700 °C. Depois dos danos inesperados encontrados no escudo da Artemis I, a NASA alterou o perfil de reentrada para reduzir o desgaste. O pouso foi no Oceano Pacífico, com recuperação pela Marinha americana.

Nave Orion no espaço com a Lua ao fundo durante a missão Artemis
A Orion é a primeira nave projetada para levar humanos além da órbita terrestre desde a Apollo. Suporta quatro pessoas por até 21 dias. Foto: NASA

O que a missão testou

A Artemis I, em 2022, voou sem tripulação. A Artemis II foi o primeiro voo com gente a bordo, e a lista de verificações era longa:

  1. Suporte à vida. Os sistemas de oxigênio, remoção de CO₂, temperatura e água nunca haviam sido testados com pessoas respirando dentro da cápsula.
  2. Trajes de sobrevivência. Os novos trajes laranja da Orion, usados no lançamento e na reentrada, foram testados em condições reais, inclusive em um exercício em que a cabine foi despressurizada de propósito.
  3. Navegação manual. A tripulação pilotou a Orion à mão, uma capacidade necessária caso os computadores falhem.
  4. Comunicação em espaço profundo. A rede de antenas da NASA e o sistema óptico a laser da Orion transmitiram vídeo em alta definição da Lua.
  5. Escudo térmico. O item de maior preocupação, depois que o da Artemis I perdeu pedaços de material de forma inesperada.
  6. Higiene e rotina. Banheiro, comida, sono e exercício em uma cápsula de 9 metros cúbicos para quatro pessoas. Menos glamouroso, igualmente crítico.

Por que demorou tanto

Entre a Artemis I e a Artemis II passaram-se mais de três anos. A investigação do escudo térmico levou a maior parte de 2024. Problemas com o sistema de abortamento, com as baterias da Orion e com a torre de lançamento adiaram o cronograma várias vezes. O custo total do programa até aqui passa de 90 bilhões de dólares, e o preço de cada lançamento do SLS, tema de quanto custa lançar um foguete, é um dos alvos de crítica mais frequentes ao programa.

O que vem depois

O plano da NASA passou por uma reformulação em 2026. Resumidamente: a próxima missão testará o acoplamento entre a Orion e o módulo de pouso em órbita da Terra, e o pouso propriamente dito ficou para a missão seguinte, não antes de 2028. Os detalhes, as razões e a concorrência com a China estão em Artemis III: quando vamos pisar na Lua de novo e EUA x China: a nova corrida pela Lua.

Por que isso importa

Além do simbolismo, a Artemis II provou que a infraestrutura funciona: foguete, nave, trajes, escudo, redes de comunicação, equipes de solo. Tudo o que vem depois, incluindo uma base lunar permanente e, mais adiante, missões a Marte, depende dessa base. E para quem viu a Apollo pela TV em preto e branco, ou para quem só conhecia a Lua pelos livros, ver quatro pessoas transmitindo em alta definição do lado oculto foi a prova de que a exploração humana do espaço profundo voltou.

Perguntas frequentes

A Artemis II pousou na Lua?

Não. A missão contornou a Lua em uma trajetória de retorno livre e voltou à Terra, sem entrar em órbita lunar nem pousar. Foi um voo de teste da nave Orion com tripulação.

Quem foram os astronautas da Artemis II?

Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch e Jeremy Hansen (especialistas de missão). Hansen, canadense, foi o primeiro não americano a viajar além da órbita da Terra.

Quanto tempo durou a Artemis II?

Cerca de dez dias, do lançamento na Flórida ao pouso no Oceano Pacífico, com aproximadamente quatro dias de ida, um contorno da Lua e quatro dias de volta.

Quando os humanos vão pisar na Lua de novo?

Segundo o plano atual da NASA, não antes de 2028, na missão que sucede a Artemis III. O cronograma depende do módulo de pouso da SpaceX, o Starship HLS, que ainda está em testes.

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