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EUA x China: a nova corrida pela Lua

Quem chega primeiro ao polo sul da Lua? Comparamos os programas Artemis e Chang'e, os foguetes, as datas, as alianças e o que está em jogo além do prestígio.

Publicado em 6 min de leitura
Superfície da Lua vista de perto com crateras e a região do polo sul em sombras longas
Foto: NASA/GSFC/Arizona State University
Neste artigo
  1. O que cada um já fez
  2. Os planos para pousar gente
  3. Quem está na frente
  4. O que está em jogo
  5. Por que não cooperam
  6. Onde o Brasil está
  7. O placar em 2026

Sessenta anos depois da corrida entre americanos e soviéticos, a Lua voltou a ser disputada. Desta vez, entre os Estados Unidos, com o programa Artemis e uma coalizão de mais de 50 países, e a China, com o programa Chang'e, uma agenda cumprida com regularidade e a meta declarada de pousar astronautas antes de 2030. O prêmio não é só simbólico: é o polo sul lunar, onde há água. Este artigo compara os dois lados, ponto a ponto, e avalia quem está na frente.

O que cada um já fez

China, programa Chang'e:

  • 2007 e 2010: orbitadores Chang'e 1 e 2.
  • 2013: Chang'e 3, primeiro pouso suave na Lua desde 1976, com o jipe Yutu.
  • 2019: Chang'e 4, primeiro pouso da história no lado oculto, com o jipe Yutu-2, que operou por anos.
  • 2020: Chang'e 5, coleta e retorno de 1,7 kg de amostras, o primeiro em 44 anos.
  • 2024: Chang'e 6, primeiras amostras do lado oculto já trazidas à Terra.
  • 2026: Chang'e 7, orbitador, módulo de pouso, jipe e uma sonda "saltadora" para explorar crateras sombreadas do polo sul em busca de gelo.

Seis missões, seis sucessos, sem uma falha. Detalhamos as descobertas do lado oculto em o que existe do lado oculto da Lua.

Estados Unidos, programa Artemis e parceiros:

  • 2022: Artemis I, voo não tripulado da Orion ao redor da Lua.
  • 2024: Odysseus, da Intuitive Machines, primeiro pouso privado na Lua, embora tenha tombado.
  • 2025: Blue Ghost, da Firefly, pouso privado bem-sucedido com experimentos da NASA. O IM-2 tombou de novo.
  • 2026: Artemis II, primeiro voo tripulado além da órbita da Terra desde 1972, contado em Artemis II: como foi a volta dos humanos à órbita da Lua.

Os Estados Unidos têm a vantagem histórica, doze pessoas já pisaram lá, e uma indústria privada sem paralelo. Mas o programa atual é mais lento e mais caro que o chinês.

Os planos para pousar gente

Estados Unidos (Artemis) China
Meta de pouso 2028 (Artemis IV), após revisão de 2026 Antes de 2030, provavelmente 2029
Foguete SLS (em operação) + Starship HLS (em testes) Longa Marcha 10 (em testes, primeiro voo previsto para 2026 ou 2027)
Nave tripulada Orion (voou com tripulação em 2026) Mengzhou (teste de abortamento em 2025, voo não tripulado previsto)
Módulo de pouso Starship HLS (SpaceX) e Blue Moon (Blue Origin) Lanyue
Arquitetura Um lançamento pesado + vários reabastecimentos em órbita Dois lançamentos do Longa Marcha 10, acoplamento em órbita lunar
Local Polo sul Polo sul
Tripulação no solo 2 pessoas, cerca de 1 semana 2 pessoas, cerca de 6 horas na primeira missão

O plano chinês é mais simples e conservador: parecido com a Apollo, com dois foguetes em vez de um gigante, e sem depender de reabastecimento em órbita, uma tecnologia que ninguém domina ainda. O plano americano é mais ambicioso: o Starship HLS tem capacidade para dezenas de toneladas na superfície, base para uma presença permanente, mas depende de etapas nunca demonstradas, como explicamos em Artemis III: quando vamos pisar na Lua de novo.

Ilustração de pequenos robôs explorando a superfície da Lua
Ilustração de robôs explorando a Lua. Os dois países miram o polo sul, onde crateras permanentemente sombreadas guardam gelo de água. Foto: Motiv Space Systems

Quem está na frente

Depende do critério.

Em cronograma cumprido: a China. Nenhuma missão Chang'e falhou ou atrasou muito. A Artemis adiou o pouso de 2024 para 2028, e cada etapa americana passou por revisões e cortes.

Em capacidade demonstrada: os Estados Unidos. Já têm foguete pesado e nave tripulada voando além da órbita da Terra. A China ainda não lançou o Longa Marcha 10 nem a Mengzhou com tripulação.

Em custo: a China. O orçamento espacial chinês é estimado em cerca de US$ 15 bilhões por ano, contra US$ 25 bilhões da NASA, e o programa lunar chinês custa uma fração do Artemis, cujo SLS sozinho custa bilhões por lançamento, tema de quanto custa lançar um foguete.

Em alianças: os Estados Unidos. Os Acordos Artemis, que estabelecem regras de conduta na Lua, têm mais de 50 signatários, entre eles Brasil, Japão, Índia, Coreia do Sul, Canadá e a maioria da Europa. A China e a Rússia lideram a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), uma base robótica planejada para a década de 2030, com cerca de uma dúzia de parceiros, incluindo Paquistão, Venezuela, África do Sul e Egito.

Em indústria privada: os Estados Unidos, com grande vantagem. SpaceX, Blue Origin, Firefly, Intuitive Machines e outras fazem por contrato o que na China é estatal. Mas a China acelera empresas privadas de foguetes, várias das quais testaram pousos verticais em 2025.

O que está em jogo

Água e recursos. As crateras do polo sul guardam gelo suficiente para sustentar bases e produzir combustível. Quem chegar primeiro escolhe os melhores locais, e o direito internacional é vago sobre uso de recursos lunares. Os dois lados dizem que não vão reivindicar território, mas "zonas de segurança" ao redor de bases podem virar exclusão na prática.

Prestígio e política interna. Nos Estados Unidos, o temor de ver uma bandeira chinesa na Lua antes do retorno americano é o argumento mais eficaz no Congresso para manter o orçamento do Artemis. Na China, o pouso está atrelado ao centenário do Partido Comunista em 2049 como marco de potência tecnológica.

Tecnologia e economia. Foguetes pesados, propulsão, robótica e sistemas de suporte à vida desenvolvidos para a Lua alimentam indústrias inteiras. A corrida de 1960 deu ao mundo microeletrônica e satélites de comunicação.

Normas. Quem estabelece a presença primeiro define, na prática, as regras de tráfego, comunicação e segurança que os outros terão de seguir.

Por que não cooperam

Uma lei americana de 2011, a Emenda Wolf, proíbe a NASA de cooperar bilateralmente com a China sem aprovação do Congresso. A China, excluída da Estação Espacial Internacional, construiu a própria estação, a Tiangong, ocupada desde 2021. Os dois programas seguem separados, e a Estação Espacial Internacional será aposentada por volta de 2030, o que pode deixar a Tiangong como única estação estatal em órbita por alguns anos.

Onde o Brasil está

Nos dois lados. O Brasil assinou os Acordos Artemis em 2021, o primeiro país sul-americano a fazê-lo, e ao mesmo tempo mantém com a China a parceria espacial mais longeva do país, o programa de satélites CBERS, descrito em o Brasil tem programa espacial? O que a AEB faz. A posição é pragmática: ciência e satélites com quem oferecer, sem exclusividade.

O placar em 2026

A China está mais perto de cumprir seu prazo; os Estados Unidos têm mais capacidade instalada e mais aliados, mas um cronograma frágil. Se o Starship HLS resolver o reabastecimento em órbita até 2027, a Artemis IV pousa em 2028 e os americanos chegam primeiro. Se atrasar mais um ciclo, a China pousa em 2029 e os dois países terão gente na Lua quase ao mesmo tempo, algo que a primeira corrida espacial nunca produziu. Para quem observa, é a década mais interessante da exploração lunar desde os anos 1960, e a razão histórica da pausa está em por que ninguém voltou à Lua desde 1972.

Perguntas frequentes

Quando a China vai pousar na Lua?

A meta oficial é antes de 2030. O foguete Longa Marcha 10 e a nave Mengzhou estão em testes, com voos não tripulados previstos para 2026 e 2027. Analistas consideram 2029 a data mais provável.

Quem vai chegar primeiro à Lua, EUA ou China?

Em 2026, os Estados Unidos planejam pousar em 2028 e a China antes de 2030. O cronograma americano depende do módulo Starship, ainda em testes; o chinês tem sido cumprido com regularidade. É uma disputa aberta.

A China já pousou na Lua?

Sim, com sondas robóticas: Chang'e 3 em 2013, Chang'e 4 em 2019 no lado oculto, Chang'e 5 em 2020 e Chang'e 6 em 2024, as duas últimas trazendo amostras à Terra. Nenhum astronauta chinês pisou na Lua ainda.

O que são os Acordos Artemis?

Um conjunto de princípios liderado pelos Estados Unidos para a exploração pacífica da Lua e de outros corpos celestes, com regras sobre transparência, interoperabilidade, uso de recursos e zonas de segurança. Mais de 50 países assinaram, incluindo o Brasil em 2021. China e Rússia não participam.

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