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Artemis III: quando vamos pisar na Lua de novo

O plano da NASA mudou em 2026. O que a Artemis III vai fazer, por que o pouso ficou para depois, o papel do Starship e a data realista do próximo pouso.

Publicado em 5 min de leitura
Ilustração de astronautas da Artemis caminhando na superfície lunar perto de um módulo de pouso
Foto: Photo courtesy SpaceX
Neste artigo
  1. O plano atual, missão por missão
  2. Por que a Artemis III mudou
  3. Para onde: o polo sul lunar
  4. Como vai ser o pouso
  5. O que ainda pode atrasar
  6. A corrida com a China
  7. E o Brasil?
  8. Por que voltar, afinal

A pergunta é direta: quando alguém vai pisar na Lua de novo? A resposta oficial mudou várias vezes. Em 2019, a meta era 2024. Depois, 2025, 2026, 2027. Em 2026, a NASA reorganizou o programa: a Artemis III deixou de ser a missão de pouso e virou um teste de acoplamento em órbita da Terra, e o pouso passou para a missão seguinte, com data realista não antes de 2028. Este artigo explica o que cada missão vai fazer, por que o atraso e o que ainda precisa dar certo.

O plano atual, missão por missão

Missão O que faz Previsão
Artemis I Voo não tripulado da Orion ao redor da Lua Concluída, 2022
Artemis II Primeiro voo tripulado, contorno da Lua Concluída, abril de 2026
Artemis III Tripulação em órbita da Terra testa acoplamento da Orion com o módulo de pouso 2027
Artemis IV Primeiro pouso tripulado no polo sul lunar 2028
Artemis V em diante Pousos anuais, estação Gateway, início da base A partir de 2029

A Artemis II, que acabou de acontecer, está contada em detalhes em Artemis II: como foi a volta dos humanos à órbita da Lua.

Por que a Artemis III mudou

A missão de pouso depende de um veículo que ainda não existe em versão final: o Starship HLS (Human Landing System), da SpaceX. É uma versão do Starship adaptada para pousar na Lua, sem aletas nem escudo térmico, com pernas de pouso e motores de descida.

Para levar astronautas à superfície, o HLS precisa:

  1. Ser lançado para a órbita da Terra.
  2. Ser reabastecido em órbita por cerca de dez a quinze lançamentos de Starship-tanque, uma operação de transferência de propelente criogênico que nunca foi feita em escala.
  3. Voar até a órbita lunar e esperar a Orion.
  4. Receber os astronautas, descer, ficar uma semana na superfície e subir de volta.
  5. Fazer tudo isso sem tripulação primeiro, em um pouso de demonstração.

Em 2026, nenhuma dessas etapas estava concluída além dos voos de teste do Starship. Diante disso, a NASA decidiu que não fazia sentido manter uma tripulação treinando para um pouso sem veículo. A Artemis III foi redesenhada para testar, em órbita baixa da Terra, o acoplamento da Orion com um módulo de pouso, um passo que também nunca foi feito e que reduz o risco da missão de pouso. O pouso em si ficou para a Artemis IV.

A NASA também contratou a Blue Origin para um segundo módulo de pouso, o Blue Moon Mark 2, previsto para a Artemis V, para não depender de um único fornecedor.

Para onde: o polo sul lunar

Diferente da Apollo, que pousou perto do equador, a Artemis mira o polo sul. O motivo é água. Crateras que nunca recebem luz do Sol, com temperaturas abaixo de -230 °C, guardam gelo acumulado por bilhões de anos. Água significa oxigênio para respirar, hidrogênio e oxigênio para combustível e, claro, água para beber. É a base de qualquer presença permanente.

A NASA selecionou candidatos como as regiões perto das crateras Shackleton, de Gerlache e Malapert. São terrenos difíceis: o Sol fica sempre baixo no horizonte, produzindo sombras longas e mudanças bruscas de iluminação, e o relevo é acidentado. Por isso os trajes e o módulo de pouso precisam de tecnologias que a Apollo não tinha.

Ilustração do Starship HLS pousado na superfície lunar com astronautas ao lado
O Starship HLS tem 50 metros de altura. Os astronautas descem à superfície por um elevador, um contraste com os 3 metros do módulo da Apollo. Foto: Photo courtesy SpaceX

Como vai ser o pouso

O plano para a primeira missão de pouso:

  1. O HLS é lançado, reabastecido em órbita da Terra e voa até uma órbita ao redor da Lua.
  2. Quatro astronautas decolam no SLS com a Orion e chegam à mesma órbita dias depois.
  3. A Orion acopla ao HLS. Dois astronautas passam para o módulo de pouso; dois ficam na Orion.
  4. O HLS desce até o polo sul. A tripulação passa cerca de uma semana na superfície, com várias caminhadas lunares usando os novos trajes desenvolvidos pela Axiom Space.
  5. O HLS decola e reencontra a Orion em órbita. A tripulação volta para a Orion e retorna à Terra.

A duração total seria de cerca de 30 dias, três vezes mais que as missões Apollo mais longas.

O que ainda pode atrasar

  • Reabastecimento em órbita. A SpaceX precisa demonstrar a transferência de centenas de toneladas de metano e oxigênio líquidos entre duas Starships. É a maior incógnita técnica do programa.
  • Pouso não tripulado do HLS. Exigido antes de qualquer tripulação embarcar.
  • Trajes. A Axiom entregou protótipos, mas a qualificação para o ambiente lunar ainda está em andamento.
  • Orçamento e política. O programa já consumiu mais de 90 bilhões de dólares. Cada lançamento do SLS custa bilhões, como mostramos em quanto custa lançar um foguete. Mudanças de governo e de prioridade no Congresso americano afetam o cronograma a cada ano.

A corrida com a China

A China anunciou a meta de pousar astronautas na Lua antes de 2030, com o foguete Longa Marcha 10 e a nave Mengzhou, ambos em teste. Diferentemente da NASA, o programa chinês tem cumprido prazos com regularidade nos últimos anos. A perspectiva de a China chegar primeiro pesa em cada decisão da NASA e do Congresso. Analisamos o cenário em EUA x China: a nova corrida pela Lua.

E o Brasil?

O Brasil assinou os Acordos Artemis em 2021, o que abre a porta para participação em experimentos e, em tese, para um astronauta brasileiro em missões futuras. Não há compromisso concreto até agora. O que a AEB faz e planeja está em o Brasil tem programa espacial? O que a AEB faz.

Por que voltar, afinal

Se você chegou até aqui perguntando "mas por que não voltamos antes?", a resposta curta é dinheiro e prioridade, e a resposta completa está em por que ninguém voltou à Lua desde 1972. A diferença desta vez é o objetivo: não é plantar uma bandeira e voltar, é ficar. Uma base no polo sul seria o laboratório para aprender a viver fora da Terra antes de tentar Marte, um plano que discutimos em quanto tempo leva para chegar a Marte.

Perguntas frequentes

Quando a Artemis III vai acontecer?

A previsão atual é 2027, mas a missão não vai pousar na Lua: ela testará o acoplamento da nave Orion com um módulo de pouso em órbita da Terra. O primeiro pouso ficou para a Artemis IV.

Quando os humanos vão pisar na Lua novamente?

Segundo o cronograma da NASA revisado em 2026, não antes de 2028, na Artemis IV. A data depende de o Starship HLS da SpaceX completar o reabastecimento em órbita e um pouso lunar não tripulado antes.

Onde a Artemis vai pousar?

No polo sul lunar, perto de crateras permanentemente sombreadas que contêm gelo de água. As regiões candidatas incluem os arredores das crateras Shackleton, de Gerlache e Malapert.

Quem vai ser o primeiro a pisar na Lua de novo?

A tripulação do primeiro pouso ainda não foi anunciada. A NASA já declarou que a missão incluirá a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua.

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