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Júpiter e Marte juntos no céu em 16 de novembro de 2026

Os dois planetas vão ficar a pouco mais de um grau um do outro na madrugada de 16 de novembro. Veja a hora de olhar na sua cidade e o que dá para ver.

Publicado em 7 min de leitura
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O planeta Júpiter inteiro, com as faixas de nuvens e a Grande Mancha Vermelha, fotografado pelo telescópio Hubble; é o mais brilhante dos dois planetas da conjunção de novembro de 2026
Foto: NASA/GSFC
Neste artigo
  1. O que é uma conjunção (e o que ela não é)
  2. A que horas olhar na sua cidade
  3. Como saber qual é qual
  4. Eles parecem colados, mas estão longe um do outro
  5. O que aparece no binóculo
  6. Isso é raro?
  7. O que vem logo depois

Na madrugada de 16 de novembro de 2026, Júpiter e Marte vão aparecer quase colados no céu do Brasil, separados por pouco mais de 1 grau — cerca de duas Luas cheias e meia lado a lado, ou a largura do seu dedo mindinho com o braço esticado. É a conjunção de Júpiter e Marte, e ela é fácil: não precisa de telescópio, não precisa sair da cidade, só precisa acordar cedo e olhar para o norte.

Os dois nascem por volta da meia-noite e ficam altos entre 3h e 5h da manhã. Júpiter é o mais brilhante dos dois, branco e firme. Marte é bem mais fraco e alaranjado, logo ao lado. Quem olhar distraído vai achar que é uma estrela dupla.

O que é uma conjunção (e o que ela não é)

Conjunção é quando dois astros aparecem próximos na nossa linha de visada, vistos daqui da Terra. É um efeito de perspectiva, igual ao do poste que parece encostar na árvore quando você anda pela calçada e os dois se alinham por um instante.

No céu de novembro, Júpiter e Marte vão estar a pouco mais de um grau um do outro. Para dar escala: a Lua cheia mede meio grau de largura no céu. Então o vão entre os dois planetas cabe cerca de duas Luas e meia. É perto o suficiente para os dois entrarem juntos no mesmo campo de um binóculo, e longe o suficiente para o olho separar os dois pontos sem esforço.

O momento de maior aproximação, calculado com as efemérides do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (o JPL, que calcula a posição dos planetas para as missões espaciais), é 23h de 15 de novembro no horário de Brasília — mas isso não muda nada na prática, porque nesse instante os dois ainda estão abaixo do horizonte em quase todo o Brasil. A distância entre eles praticamente não muda de um dia para o outro: fica em 1°12′ nas madrugadas de 15, 16 e 17 de novembro. Ou seja, você tem três madrugadas seguidas para ver a mesma coisa, e pode escolher a que tiver céu limpo.

Os dois planetas vão estar na constelação do Leão, no lado norte do céu.

A que horas olhar na sua cidade

A tabela abaixo dá a hora em que a dupla aparece no horizonte leste e a altura deles às 4h da manhã, no horário local de cada cidade, na madrugada de 15 para 16 de novembro. Altura é medida em graus acima do horizonte: 90° é bem em cima da cabeça, 45° é o meio do caminho, e o seu punho fechado com o braço esticado cobre cerca de 10°.

Cidade Nascem por volta de Altura às 4h
Recife 23h38 (do dia 15) 59°
Fortaleza 23h48 (do dia 15) 58°
Boa Vista 00h10 55°
Manaus 00h13 53°
Belém 00h26 51°
Rio de Janeiro 00h26 42°
Brasília 00h38 44°
São Paulo 00h41 40°
Porto Alegre 01h07 32°

Horários calculados para cada cidade com as efemérides do JPL, no fuso local (−3 para a maior parte do país, −4 para Manaus, Boa Vista e Cuiabá). Marte nasce dois minutos depois de Júpiter, o que, na prática, quer dizer que os dois surgem juntos.

A melhor hora para todo mundo é entre 3h e 5h da manhã, quando a dupla já está alta e o céu ainda está escuro. Quanto mais ao norte do Brasil você estiver, mais alto eles ficam.

E tem um detalhe que quase nenhum site menciona: a Lua colabora desta vez. A Lua nova foi em 9 de novembro e o quarto crescente só chega em 17 de novembro às 8h47 de Brasília. Na madrugada da conjunção, a Lua é um gomo fino que se põe ainda no começo da noite. Ou seja, o céu da madrugada estará escuro, sem aquele brilho que atrapalha. É o oposto do que costuma acontecer com eventos de céu profundo, como contamos em Netuno na oposição de 2026: como ver o planeta mais distante.

Marte fotografado pelo telescópio Hubble, alaranjado, com a calota polar branca e um risco pontilhado à esquerda que é a lua Fobos se movendo durante a exposição
Marte visto pelo Hubble em 2016. O pontilhado à esquerda não é defeito: é a lua Fobos, registrada em várias posições ao longo da exposição. A olho nu, em novembro, Marte será só um ponto alaranjado. Foto: NASA/ESA/STScI

Como saber qual é qual

Três diferenças resolvem, e todas funcionam a olho nu:

  • Brilho. Júpiter vai estar na magnitude −2,1 e Marte na +0,7. Na escala de brilho dos astrônomos, em que número menor significa mais brilhante, essa diferença quer dizer que Júpiter estará cerca de 13 vezes mais brilhante que Marte. Não tem como confundir: um salta aos olhos, o outro você precisa procurar.
  • Cor. Marte é alaranjado, cor de tijolo. Júpiter é branco-amarelado. A diferença fica óbvia quando os dois estão lado a lado — e é justamente por isso que uma conjunção é um bom momento para aprender a reconhecer a cor de Marte.
  • Eles não piscam. Planeta tem um disco, mesmo que minúsculo, e por isso a luz dele chega mais estável. Estrela é um ponto só, e o ar embaralha a luz dela. O motivo está em Por que as estrelas piscam?. Se o ponto treme muito de cor, é estrela; se fica firme, é planeta.

Se sobrar dúvida sobre qual ponto brilhante é qual no céu em qualquer época do ano, o guia é Qual é aquela estrela brilhante no céu? Vênus, Júpiter ou Marte.

Eles parecem colados, mas estão longe um do outro

Aqui está a parte que quase ninguém conta. No dia 16 de novembro:

  • Marte estará a 195,6 milhões de km da Terra;
  • Júpiter estará a 788 milhões de km.

Júpiter está quatro vezes mais longe que Marte. A distância entre um e outro, no espaço de verdade, é de cerca de 592 milhões de km — quase quatro vezes a distância entre a Terra e o Sol. Eles só parecem vizinhos porque estão quase na mesma direção, vistos daqui.

Dá para sentir esse abismo pela luz. A luz viaja a 300 mil km por segundo, então:

  • a luz de Marte que você vai ver às 4h saiu de lá 11 minutos antes;
  • a de Júpiter saiu 44 minutos antes, ou seja, por volta das 3h16.

Você vai estar olhando para dois instantes diferentes do passado, colados no mesmo pedaço de céu. Para ter ideia do que essa distância significa para uma nave, vale ler Quanto tempo leva para chegar a Marte.

O que aparece no binóculo

Um binóculo comum, daqueles de 7×50 usados para futebol e praia, enxerga cerca de 6 a 7 graus de céu de uma vez. Como a dupla está a pouco mais de 1 grau, os dois cabem folgados no mesmo campo — e essa é a imagem que vale a madrugada: dois mundos no mesmo enquadramento.

Com o binóculo firme (apoie o cotovelo em algo, ou deite numa espreguiçadeira), Júpiter mostra até quatro pontinhos em fila ao lado dele: são as luas galileanas, as mesmas que Galileu viu em 1610. Marte continua sendo um ponto alaranjado, porque o disco dele é pequeno demais para um binóculo. Num telescópio de iniciante, Júpiter mostra as faixas de nuvens, e Marte começa a mostrar um disco. Se você está pensando em comprar o primeiro, o caminho está em Melhor telescópio para iniciantes: guia de compra no Brasil.

Os números e o tamanho real de Júpiter estão em Júpiter: o maior planeta do Sistema Solar em números.

Isso é raro?

Sendo honesto: não é raríssimo, mas também não é todo ano. Júpiter e Marte se encontram no céu a cada 2 anos e 3 meses, em média. O que muda bastante é quão perto eles chegam e se dá para ver: às vezes o encontro acontece perto do Sol e some no clarão do amanhecer.

Encontro Distância entre eles Onde estava no céu
15 de agosto de 2024 0°22′ madrugada
16 de novembro de 2026 1°12′ madrugada
20 de julho de 2029 1°38′ anoitecer
29 de setembro de 2031 2°13′ anoitecer
1º de dezembro de 2033 0°19′ anoitecer

Distâncias calculadas com as efemérides do JPL. A de 2026 é a mais próxima das que acontecem de madrugada até 2033, e vem com Lua favorável — por isso vale acordar.

O que vem logo depois

A conjunção não é um ponto final: é o aperitivo. Júpiter e Marte estão os dois a caminho da oposição, o momento em que um planeta fica do lado do céu oposto ao Sol e, por isso, aparece a noite inteira e no auge do brilho. Júpiter chega lá por volta de 11 de fevereiro de 2027 e Marte por volta de 19 de fevereiro de 2027.

Ou seja: de novembro de 2026 até fevereiro de 2027, os dois vão nascer cada vez mais cedo e brilhar cada vez mais. Quem gostou da madrugada de novembro tem um verão inteiro de céu pela frente, e as datas estão em Alinhamento dos planetas em 2027: datas reais e como ver.

Perguntas frequentes

Que horas ver Júpiter e Marte em 16 de novembro de 2026?

Os dois nascem por volta da meia-noite e a melhor hora é entre 3h e 5h da manhã, quando já estão altos no céu do norte e ainda está escuro. Em Recife e Fortaleza eles aparecem um pouco antes da meia-noite; em Porto Alegre, por volta de 1h. As madrugadas de 15, 16 e 17 mostram praticamente a mesma coisa, então dá para escolher a noite de céu limpo.

Dá para ver a conjunção de Júpiter e Marte a olho nu?

Dá, e sem dificuldade. Júpiter é um dos objetos mais brilhantes do céu e aparece até de dentro de cidade grande com iluminação forte. Marte é mais fraco, mas visível a olho nu. Binóculo não é necessário, só melhora: com ele, os dois entram no mesmo campo e aparecem as luas de Júpiter.

Qual é o mais brilhante, Júpiter ou Marte?

Júpiter, com folga. Em novembro de 2026 ele estará cerca de 13 vezes mais brilhante que Marte. Júpiter é branco-amarelado e Marte é alaranjado — quando os dois estão lado a lado, a diferença de cor e de brilho fica evidente.

A conjunção de Júpiter e Marte afeta alguma coisa na Terra?

Não. Os planetas apenas parecem próximos por perspectiva; no espaço eles continuam separados por quase 600 milhões de km, e a atração gravitacional deles sobre a Terra é desprezível perto da do Sol e da Lua. A diferença entre o que a astronomia estuda e o que a astrologia faz com esses encontros está em Astronomia e astrologia: qual é a diferença?.

Preciso sair da cidade para ver?

Não. Esse é o tipo de evento que funciona no meio da cidade, na janela ou na laje, porque planeta brilhante atravessa a poluição luminosa. O que atrapalha de verdade é prédio, morro ou nuvem na direção nordeste e norte, que é de onde eles sobem.

Horários de eventos astronômicos variam conforme sua cidade e o fuso horário. Confirme sempre num aplicativo de céu ou no site do Observatório Nacional antes de sair para observar.

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