Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, com 11 vezes o diâmetro da Terra e mais massa do que todos os outros planetas juntos, vezes dois e meio. É uma bola de gás sem chão, que gira tão rápido que o dia lá dura menos de 10 horas, cercada por mais de 100 luas e coberta por tempestades, uma delas maior que a Terra inteira. E é, depois de Vênus e da Lua, o objeto mais brilhante do céu noturno: você já o viu muitas vezes sem saber. Esta é a ficha completa de Júpiter, com o que a sonda Juno descobriu orbitando o planeta desde 2016 e como ver, do quintal, as quatro luas que Galileu viu em 1610.
A ficha de Júpiter
| O que | Número | Para comparar |
|---|---|---|
| Diâmetro | 139.820 km | 11 Terras enfileiradas; caberiam 1.300 Terras dentro |
| Massa | 318 Terras | 2,5 vezes a de todos os outros planetas somados |
| Distância do Sol | 778 milhões de km (5,2 vezes a da Terra) | A luz do Sol leva 43 minutos para chegar lá |
| Ano | 11,9 anos terrestres | |
| Dia | 9 horas e 56 minutos | O dia mais curto do Sistema Solar |
| Temperatura das nuvens | −145 °C | |
| Luas conhecidas | mais de 100 | Contagem de 2026; muda a cada ano |
| Composição | 90% hidrogênio, 10% hélio | Quase a mesma do Sol |
| Campo magnético | 20 mil vezes mais forte que o da Terra | O maior "objeto" do Sistema Solar depois do Sol |
Sobre as luas, um aviso: o número sobe todo ano, porque telescópios cada vez melhores encontram luas de poucos quilômetros. Eram 79 em 2018, 95 em 2023, e anúncios do início de 2026 passaram de 100. Saturno tem ainda mais, como contamos em Saturno: por que tem anéis, do que são feitos e como ver. As que importam são quatro.
As quatro luas que mudaram a história
Em janeiro de 1610, Galileu apontou o telescópio recém-construído para Júpiter e viu três pontinhos ao lado, depois quatro, que mudavam de posição a cada noite. Eram luas girando em torno de outro planeta: a primeira prova de que nem tudo gira em torno da Terra. Elas se chamam Io, Europa, Ganimedes e Calisto, e cada uma é um mundo:
- Io é o corpo mais vulcânico do Sistema Solar, com centenas de vulcões ativos cuspindo enxofre a centenas de quilômetros de altura, aquecido pela maré de Júpiter, que estica e comprime a lua a cada volta.
- Europa tem uma crosta de gelo e, embaixo dela, um oceano de água salgada com o dobro da água de todos os oceanos da Terra. É um dos lugares mais promissores para procurar vida fora do nosso planeta. A sonda Europa Clipper, lançada pela NASA em 2024, tem chegada prevista para 2030.
- Ganimedes é a maior lua do Sistema Solar, maior que o planeta Mercúrio, e a única com campo magnético próprio.
- Calisto é a mais crivada de crateras, uma superfície velha e parada há bilhões de anos.
Você pode repetir a observação de Galileu com um binóculo comum: apoiado em algo firme, ele mostra Júpiter como um disco minúsculo com até quatro pontinhos alinhados ao lado. Volte na noite seguinte e eles terão mudado de lugar. Como o telescópio de Galileu era pior que qualquer binóculo de hoje, você vai ver melhor do que ele viu.
A Grande Mancha Vermelha
A mancha da foto de capa é uma tempestade, um furacão gigante que gira em sentido anti-horário há pelo menos 190 anos, desde que começou a ser observada com regularidade, e talvez desde o século 17. Hoje ela tem cerca de 16 mil km de largura, o suficiente para engolir a Terra inteira com folga. Já foi maior: no século 19, tinha 40 mil km, e vem encolhendo alguns quilômetros por ano. Ninguém sabe se vai sumir ou se estabilizar.
Os ventos nas bordas dela passam de 400 km/h. A cor vermelha vem provavelmente de compostos químicos trazidos das profundezas e "queimados" pela luz ultravioleta do Sol, mas a receita exata ainda é debatida. A sonda Juno passou sobre a mancha em 2017 e mediu que ela desce pelo menos 300 km atmosfera adentro, umas 50 vezes mais fundo que os furacões da Terra.
E não é a única. Júpiter é coberto de faixas de nuvens, as claras chamadas zonas e as escuras, cinturões, que giram em sentidos opostos com ventos de até 600 km/h. Entre elas se formam ovais, tempestades menores, algumas brancas, que às vezes se fundem. Nos polos, a Juno encontrou algo que ninguém esperava: ciclones enormes arranjados em padrões geométricos, oito em volta de um no polo norte, cinco em volta de um no sul, estáveis há anos.

Não tem chão
Júpiter não tem superfície. Quem descesse pela atmosfera atravessaria as nuvens de amônia, depois nuvens de água, e o gás iria ficando cada vez mais denso e quente, sem nunca virar chão. A uns 20 mil km de profundidade, a pressão é tão grande que o hidrogênio vira um líquido que conduz eletricidade como um metal. É esse oceano de hidrogênio metálico, girando rápido, que gera o campo magnético monstruoso do planeta.
No centro, provavelmente há um núcleo de rocha e gelo com algumas vezes a massa da Terra, mas a Juno descobriu que ele não é compacto: parece "diluído", espalhado por uma região grande, como se algo o tivesse desmanchado. Uma hipótese é que um planeta do tamanho de dez Terras bateu de frente em Júpiter no começo do Sistema Solar.
Por ser feito quase do mesmo material que o Sol, Júpiter é às vezes chamado de "estrela que não deu certo". Não deu certo por muito: ele precisaria de 80 vezes mais massa para acender a fusão nuclear e virar a menor estrela possível. É grande para planeta, minúsculo para estrela.
O guarda-costas da Terra (mais ou menos)
Com tanta massa, Júpiter puxa tudo o que passa perto. Em julho de 1994, o mundo assistiu ao cometa Shoemaker-Levy 9, rasgado em 21 pedaços pela gravidade do planeta, cair em Júpiter um pedaço de cada vez, abrindo cicatrizes escuras maiores que a Terra na atmosfera. Foi a primeira colisão entre dois corpos do Sistema Solar vista ao vivo.
Isso deu origem à ideia de que Júpiter é um "escudo" que protege a Terra, capturando cometas que poderiam nos atingir. É meia verdade: ele desvia muitos, mas também empurra alguns para dentro, na nossa direção. Os cálculos modernos mostram que o efeito líquido é pequeno e depende de qual tipo de objeto se considera. O que é monitorado de verdade está em Um asteroide vai atingir a Terra? O que a NASA monitora de verdade.
Como ver Júpiter no céu
Júpiter é fácil: depois de Vênus, é o "ponto" mais brilhante que não pisca. Cor branca-amarelada, brilho firme, sem cintilar. Se você vê uma estrela muito brilhante e estável no meio da noite, longe do horizonte, há boas chances de ser ele; o guia Qual é aquela estrela brilhante no céu? Vênus, Júpiter ou Marte ajuda a confirmar.
Quando olhar:
- Setembro a dezembro de 2026: Júpiter aparece de madrugada, cada vez mais cedo. Em dezembro já nasce antes da meia-noite.
- Janeiro a abril de 2027: a melhor fase. A oposição, quando o planeta fica mais perto da Terra e visível a noite inteira, cai por volta de 11 de fevereiro de 2027, oito dias antes da oposição de Marte. Os dois vão brilhar juntos, e todas as datas do ano estão em Calendário astronômico 2027: todas as datas para anotar.
Com telescópio pequeno, de 60 a 90 mm, a 50 vezes de aumento, você já vê as duas faixas escuras principais e, em noites boas, a Grande Mancha Vermelha, quando ela está virada para cá (ela dá uma volta a cada 10 horas, então às vezes está do outro lado). Com 100 vezes, as sombras das luas passando sobre o planeta ficam visíveis como pontinhos pretos. Os modelos que valem a pena estão em Melhor telescópio para iniciantes: guia de compra no Brasil.
As sondas que foram lá
Nove naves já passaram por Júpiter, e duas o orbitaram. A Galileo, entre 1995 e 2003, lançou uma cápsula na atmosfera, que transmitiu por 58 minutos antes de ser esmagada, e descobriu o oceano de Europa. A Juno, em órbita desde 2016, passa a poucos milhares de quilômetros das nuvens a cada 38 dias, mapeando a gravidade, o campo magnético e o interior; foi ela que revelou os ciclones polares e o núcleo diluído. As próximas são a europeia JUICE, prevista para chegar em 2031 e estudar Ganimedes, e a Europa Clipper, em 2030. Nenhuma pousou em Júpiter, porque não há onde pousar. A ordem dos planetas e a ficha de cada um estão em Quantos planetas tem o Sistema Solar? A ordem e os dados.




