O Sistema Solar tem oito planetas. Na ordem, do mais perto do Sol para o mais longe: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Eram nove até 24 de agosto de 2006, quando a União Astronômica Internacional aprovou uma definição nova de planeta e Plutão deixou de caber nela.
Se você aprendeu nove na escola, sua memória não falhou: a lista mudou de verdade, e mudou em vida adulta de muita gente.
A ordem dos planetas, com um jeito de decorar
A frase mais usada no Brasil para guardar a sequência é:
Minha Vó Tem Muitas Joias, Só Usa No Natal.
Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno. Oito palavras, oito planetas, na ordem certa a partir do Sol.
Uma observação que confunde muita gente: essa é a ordem de distância, não de tamanho. O maior planeta, Júpiter, é o quinto da fila. E o planeta mais quente não é o mais próximo do Sol — é Vênus, o segundo, porque a atmosfera espessa dele segura o calor como o vidro de um carro fechado no sol do meio-dia.
Os oito planetas em números
| Planeta | Diâmetro no equador | Distância média do Sol | Uma volta no Sol | Duração do dia |
|---|---|---|---|---|
| Mercúrio | 4.879 km | 57,9 milhões de km | 88 dias | 59 dias terrestres |
| Vênus | 12.104 km | 108,2 milhões de km | 225 dias | 243 dias terrestres |
| Terra | 12.756 km | 149,6 milhões de km | 365,25 dias | 24 horas |
| Marte | 6.792 km | 227,9 milhões de km | 687 dias | 24h37 |
| Júpiter | 142.984 km | 778,5 milhões de km | 11,9 anos | 9h56 |
| Saturno | 120.536 km | 1,43 bilhão de km | 29,4 anos | cerca de 10h30 |
| Urano | 51.118 km | 2,87 bilhões de km | 84 anos | 17h14 |
| Netuno | 49.528 km | 4,50 bilhões de km | 164,8 anos | 16h06 |
Valores das fichas técnicas planetárias da NASA, arredondados. Repare em duas curiosidades da tabela: em Vênus o dia dura mais que o ano, porque ele gira em torno de si mesmo devagar demais; e Netuno, descoberto em 1846, só completou a primeira volta inteira em torno do Sol desde a descoberta em 2011 — 165 anos depois.
Os quatro pequenos e os quatro gigantes
Os oito se dividem em dois grupos bem diferentes, separados por um cinturão de asteroides que fica entre Marte e Júpiter.
Os quatro de dentro são rochosos. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte têm chão sólido, são pequenos e têm poucas luas ou nenhuma. Você poderia, em tese, pousar uma nave em qualquer um deles — embora em Vênus ela derretesse em poucas horas, porque lá faz cerca de 460 °C na superfície e a pressão é a de estar 900 metros abaixo do nível do mar.
Os quatro de fora são gigantes de gás e gelo. Júpiter e Saturno são feitos quase só de hidrogênio e hélio; Urano e Netuno têm mais água, metano e amônia, e por isso são chamados de gigantes de gelo. Nenhum deles tem superfície para pisar: se você descesse, a atmosfera iria ficando cada vez mais densa até virar um líquido esmagador, sem nunca haver um "chão".

Sobre luas, um aviso honesto: não vale a pena decorar o número. Júpiter e Saturno têm centenas de satélites confirmados, e telescópios novos acham mais alguns quase todo ano. Qualquer número exato que você leia envelhece rápido. O que é estável: a Terra tem uma, Marte tem duas pequenas, Mercúrio e Vênus não têm nenhuma.
Quem quiser conhecer de perto o menor deles, vale ler BepiColombo chegando a Mercúrio: por que a viagem levou 8 anos.
Fazendo o Sistema Solar caber num campo de futebol
Tabela com bilhões de quilômetros não diz muita coisa. Então vamos encolher tudo.
Coloque uma bola de futebol (22 centímetros) no meio do gramado. Ela é o Sol. Nessa escala:
- A Terra é um grão de pimenta-do-reino, com 2 milímetros, a 24 metros da bola — mais ou menos da marca do pênalti até a linha de fundo do outro lado.
- Júpiter é uma bola de gude de 2 centímetros, a 123 metros — já fora do estádio.
- Netuno é uma ervilha de 8 milímetros, a 710 metros — uns sete quarteirões de distância.
E a estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri? Nessa mesma escala, ela estaria a 6.300 quilômetros — a distância de São Paulo a Miami. Duas bolas de futebol, um continente inteiro de vazio entre elas.
É por isso que o espaço é chamado de espaço: quase tudo nele é nada. Para entender melhor essas distâncias, vale a leitura de O que é um ano-luz? A medida do universo com exemplos simples.
Então por que Plutão saiu da lista?
Em 2006, a União Astronômica Internacional definiu que, para ser planeta, um corpo precisa cumprir três condições: girar em torno do Sol, ter gravidade suficiente para ficar redondo e ter limpado a vizinhança da própria órbita, ou seja, ser o corpo dominante ali.
Plutão cumpre as duas primeiras. Falha na terceira: ele divide o caminho com milhares de outros objetos gelados do Cinturão de Kuiper, a região além de Netuno. O empurrão final veio da descoberta de Éris, um corpo parecido e mais massivo. Ou os astrônomos aceitavam Éris (e depois dezenas de outros) como planeta, ou mudavam a régua.

A história completa, com a votação e a polêmica que veio depois, está em Por que Plutão não é mais um planeta? A história completa.
Os planetas anões: a outra lista
Plutão não foi rebaixado ao nada. Ele passou a chefiar uma categoria nova, a dos planetas anões: corpos redondos que giram em torno do Sol, mas que não limparam a órbita.
Hoje são cinco oficialmente reconhecidos:
| Planeta anão | Onde fica | Descoberto em |
|---|---|---|
| Ceres | Cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter | 1801 |
| Plutão | Cinturão de Kuiper, além de Netuno | 1930 |
| Éris | Cinturão de Kuiper, bem mais longe | 2005 |
| Haumea | Cinturão de Kuiper | 2004 |
| Makemake | Cinturão de Kuiper | 2005 |
Esse número está parado desde 2008, mas não porque a ciência parou: astrônomos já catalogaram dezenas de candidatos que provavelmente se encaixam na definição. Falta confirmar tamanho e forma de cada um, o que é difícil a bilhões de quilômetros.
E o tal do Planeta Nove?
De tempos em tempos a notícia volta: descobriram um nono planeta. Ainda não.
O que existe é uma hipótese. Um punhado de objetos muito distantes, além do Cinturão de Kuiper, tem órbitas agrupadas de um jeito que seria estranho por acaso. Uma explicação possível é a gravidade de um planeta ainda não visto, com talvez cinco a dez vezes a massa da Terra, muito além de Netuno. Outra explicação possível é que os astrônomos só enxergaram, até agora, os objetos mais fáceis de achar, e o agrupamento seja uma ilusão do método.
Ninguém fotografou nada. Se o Planeta Nove existir, telescópios de varredura como o Vera C. Rubin, no Chile, são os candidatos naturais a encontrá-lo nos próximos anos. Até lá, a resposta honesta para "quantos planetas tem o Sistema Solar" continua sendo oito.
Quantos dá para ver a olho nu do Brasil
Cinco. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno são visíveis sem nenhum equipamento — e eram conhecidos por todos os povos antigos justamente por isso. Eles parecem estrelas, mas não piscam, e mudam de posição em relação às estrelas ao longo das semanas. A palavra "planeta" vem do grego para "errante".
Urano fica no limite: em céu muito escuro, longe de cidade, é um pontinho fraquíssimo. Netuno só com telescópio ou binóculo potente.
Se você já reparou num ponto muito brilhante no começo da noite e ficou na dúvida, o guia Qual é aquela estrela brilhante no céu? Vênus, Júpiter ou Marte resolve em um minuto.




