Algumas fotos do espaço parecem pintura, montagem ou cena de filme. Não são. As dez imagens abaixo são registros reais, feitas por câmeras em sondas, telescópios e nas mãos de astronautas, e todas são de domínio público: você pode baixá-las em alta resolução, imprimir e usar como quiser. Para cada uma, contamos como foi feita e por que importa. As fotos deste artigo carregam conforme você rola a página, para não pesar no celular.
1. Earthrise (Apollo 8, 1968)
A foto que abre este artigo. Em 24 de dezembro de 1968, os três astronautas da Apollo 8 se tornaram os primeiros humanos a orbitar a Lua. Na quarta volta, William Anders viu a Terra surgindo sobre o horizonte lunar e pegou a câmera com filme colorido. A imagem mostrou ao mundo, pela primeira vez, o planeta inteiro como uma bolinha azul frágil sobre um deserto cinza. É considerada por muitos a foto mais influente da história, e ajudou a impulsionar o movimento ambientalista.
2. A Bolinha de Gude Azul (Apollo 17, 1972)
Em 7 de dezembro de 1972, a caminho da Lua, a tripulação da Apollo 17 fotografou a Terra totalmente iluminada, com a África, a Antártida e o Oceano Índico visíveis sob nuvens. É uma das poucas fotos da Terra inteira feitas por um ser humano, não por satélite, porque exige estar longe e com o Sol atrás. Nenhuma tripulação teve essa vista de novo até a Artemis II, em 2026.
3. O Pálido Ponto Azul (Voyager 1, 1990)

Em 14 de fevereiro de 1990, a sonda Voyager 1, já a 6 bilhões de km, virou a câmera para trás a pedido do astrônomo Carl Sagan e fotografou a Terra: um ponto de 0,12 pixel em um raio de luz espalhada pela óptica da câmera. Sagan escreveu sobre ela: "Aqui está tudo o que você ama, todo mundo que você conhece, todo ser humano que já existiu." A Voyager continua viajando e é o objeto humano mais distante, a mais de 25 bilhões de km.
4. Os Pilares da Criação (Hubble 1995, Webb 2022)
Colunas de gás e poeira com anos-luz de altura na Nebulosa da Águia, a 6.500 anos-luz, onde estrelas estão nascendo. O Hubble fez a versão original em 1995, que virou a imagem mais famosa do telescópio. Em 2022, o James Webb refez em infravermelho, revelando centenas de estrelas recém-nascidas escondidas atrás da poeira. As duas versões lado a lado mostram o salto de uma geração de telescópios, como detalhamos em as descobertas do James Webb.
5. O Campo Ultra Profundo (Hubble, 2004 e 2012)
O Hubble apontou para um pedaço de céu aparentemente vazio, do tamanho de um grão de areia no braço esticado, e acumulou luz por mais de 11 dias. Apareceram cerca de 10 mil galáxias, algumas a 13 bilhões de anos-luz. Cada ponto de luz é uma galáxia com bilhões de estrelas. É a foto que melhor dá a dimensão do que discutimos em o espaço tem fim?.
6. O astronauta solto no espaço (1984)

Em 7 de fevereiro de 1984, Bruce McCandless saiu do Ônibus Espacial Challenger usando uma mochila com jatos de nitrogênio e voou até 100 metros de distância, sem nenhum cabo. Foi a primeira caminhada espacial totalmente livre. A foto, com a Terra azul de fundo e um homem sozinho no vazio, virou símbolo da exploração espacial. A mochila foi aposentada logo depois, considerada perigosa demais.
7. O Dia em que a Terra Sorriu (Cassini, 2013)
Em 19 de julho de 2013, a sonda Cassini, em órbita de Saturno, fotografou o planeta com o Sol atrás dele, iluminando os anéis por trás. Em um canto, um pontinho azul: a Terra, a 1,4 bilhão de km. A equipe avisou o público com antecedência e milhares de pessoas saíram para acenar para Saturno naquele momento. A Cassini mergulhou em Saturno em 2017, no fim da missão.
8. O coração de Plutão (New Horizons, 2015)
Até 2015, Plutão era uma mancha borrada. Em 14 de julho daquele ano, a sonda New Horizons passou a 12.500 km e revelou um mundo com montanhas de gelo de água, planícies de nitrogênio congelado e uma enorme região clara em forma de coração, batizada de Tombaugh Regio. A imagem transformou Plutão de ponto em lugar. A sonda continua viajando e ainda envia dados do cinturão de Kuiper.
9. As tempestades de Júpiter (Juno, desde 2016)

A sonda Juno mergulha perto dos polos de Júpiter a cada 53 dias e sua câmera, a JunoCam, registra redemoinhos de nuvens de amônia e água que parecem pinturas de Van Gogh. A NASA disponibiliza as imagens brutas para o público, e boa parte das versões famosas foi processada por astrônomos amadores e artistas. Os polos de Júpiter, invisíveis da Terra, revelaram ciclones do tamanho de países agrupados em padrões geométricos.
10. O primeiro buraco negro (Event Horizon Telescope, 2019)

Em 10 de abril de 2019, uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, funcionando como um único prato do tamanho da Terra, divulgou a primeira imagem de um buraco negro: o do centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz, com 6,5 bilhões de massas solares. O anel alaranjado é o gás quente ao redor; a sombra no meio, a região de onde a luz não escapa. Em 2022, a mesma rede fotografou o buraco negro do centro da Via Láctea. O que eles fazem e não fazem está em um buraco negro pode engolir a Terra?.
Como baixar em alta resolução
Todas essas imagens são de domínio público, produzidas pela NASA ou por consórcios que as liberaram. Os melhores lugares:
- images.nasa.gov: o acervo oficial, com busca por palavra-chave e download em resolução original, sem cadastro.
- hubblesite.org e webbtelescope.org: as imagens dos dois telescópios, com versões para papel de parede e explicações.
- photojournal.jpl.nasa.gov: fotos das sondas planetárias, como Juno, Cassini e New Horizons, com os dados técnicos de cada uma.
- Flickr da NASA: coleções organizadas por missão, inclusive as fotos tiradas por astronautas na ISS.
- apod.nasa.gov: a Foto Astronômica do Dia, publicada desde 1995, com uma explicação diária.
As fotos de astronautas na Estação Espacial também são públicas, e algumas das mais bonitas são de auroras e cidades à noite. Se você quer fazer as suas, comece pelo mais acessível: como fotografar a Lua com o celular.




