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New Glenn: o foguete da Blue Origin que a NASA contratou

A NASA incluiu outra versão do New Glenn no contrato de lançamentos em setembro de 2026. Veja o que é o foguete da Blue Origin e o que isso muda.

Publicado em 6 min de leitura
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O foguete New Glenn decolando da plataforma visto de cima, envolto numa nuvem branca enorme, com a faixa de praia e o mar azul ao fundo
Foto: Blue Origin
Neste artigo
  1. O que a NASA fez em 29 de setembro de 2026
  2. O que é o New Glenn
  3. O que significa "9×4", e o que a NASA não disse
  4. O primeiro estágio volta — e isso já é rotina do setor
  5. O que ele já fez pela NASA
  6. Onde ele se encaixa entre os foguetes grandes

O New Glenn é o foguete grande da Blue Origin, a empresa espacial de Jeff Bezos. Ele leva 45 toneladas para a órbita baixa da Terra, tem sete motores BE-4 no primeiro estágio e esse primeiro estágio foi projetado para voltar e voar pelo menos 25 vezes. Em 29 de setembro de 2026, a NASA acrescentou ao seu contrato de lançamentos outra versão dele, chamada New Glenn 9×4 — o que significa, na prática, que a agência passa a poder comprar voos desse modelo para missões futuras.

Atenção a uma palavra importante dessa frase: poder comprar. A NASA não encomendou nenhum lançamento nem marcou data de voo. Entender essa diferença é entender a notícia inteira.

O que a NASA fez em 29 de setembro de 2026

O comunicado é o de número C26-013 e tem três linhas de conteúdo. A NASA usou uma cláusula do contrato chamada on-ramp — literalmente, "rampa de acesso" — para incluir o New Glenn 9×4 no NASA Launch Services II, o contrato guarda-chuva pelo qual a agência compra lançamentos.

A analogia que funciona aqui é a do cadastro de fornecedores de uma prefeitura. Entrar no cadastro não significa que a prefeitura comprou alguma coisa de você; significa que, daqui em diante, você pode disputar as licitações que aparecerem. É exatamente isso: o 9×4 ficou disponível para o Escritório do Programa de Serviços de Lançamento da NASA usar em missões futuras.

A cláusula de on-ramp existe para que o contrato não congele no tempo. Uma vez por ano, empresas novas podem entrar e empresas que já estão lá dentro podem acrescentar foguetes que ainda não constavam. A Blue Origin já estava no NLS II desde dezembro de 2020, com o New Glenn original; o que entrou agora foi a variante 9×4.

O contrato NLS II, em números
Tipo Múltiplos fornecedores, quantidade e entrega indefinidas
Período para fazer pedidos até junho de 2030
Período total de execução até dezembro de 2032
Quem administra Programa de Serviços de Lançamento, no Centro Espacial Kennedy
Para quem serve Voo humano, ciência, pesquisa e tecnologia — e outras agências do governo americano, como a NOAA

O que é o New Glenn

A ficha abaixo vem da própria página do Programa de Serviços de Lançamento da NASA, que lista os foguetes que a agência pode contratar.

Ficha do New Glenn (versão já contratada)
Carga para a órbita baixa da Terra 45 toneladas
Carga para a órbita de transferência geoestacionária mais de 13 toneladas
Motores do primeiro estágio sete, do modelo BE-4
Reúso previsto do primeiro estágio mínimo de 25 voos
Classificação foguete orbital de carga pesada, de configuração única

Quarenta e cinco toneladas é muita coisa. O ônibus espacial americano, que foi o cavalo de batalha da NASA por três décadas, levava 25 toneladas à órbita baixa — o New Glenn carrega quase o dobro disso. Em carro popular, daria para empilhar uns quarenta e cinco deles lá em cima.

A "órbita de transferência geoestacionária" do segundo número é a trajetória em que se solta um satélite de comunicação para que ele mesmo complete a subida até os 36 mil km de altura, onde fica parado sobre o mesmo ponto do planeta. É a órbita dos satélites de TV e de internet por satélite.

O foguete New Glenn subindo contra um céu azul uniforme, branco e fino, com um rastro de chama rosada atrás
O New Glenn subindo em 13 de novembro de 2025, no voo que levou as sondas ESCAPADE da NASA rumo a Marte. Nesse mesmo voo o primeiro estágio voltou e pousou numa embarcação no Atlântico. Foto: Blue Origin

O que significa "9×4", e o que a NASA não disse

Aqui vale uma honestidade que falta na maioria das notícias sobre o assunto: o comunicado da NASA não descreve o que muda no 9×4. Ele só identifica o serviço pelo nome.

O padrão de nomes da indústria é contar motores — primeiro estágio por segundo estágio —, e a versão em voo tem sete motores embaixo. A leitura provável, portanto, é que o 9×4 traga mais motores em cada estágio e, com isso, mais capacidade de carga. Mas isso é leitura, não é fato publicado pela agência, e por isso fica marcado assim aqui.

O que não está na notícia, e convém dizer com todas as letras:

  • A NASA não atribuiu nenhuma missão ao 9×4.
  • A NASA não anunciou data de primeiro voo dessa versão.
  • A NASA não disse que a versão 9×4 já voou.

Cronograma de foguete novo é a promessa mais quebrada do setor espacial. Vale a mesma regra que usamos para qualquer missão: enquanto não há data oficial, não há data.

O primeiro estágio volta — e isso já é rotina do setor

A parte mais cara de um foguete é o primeiro estágio, o pedação de baixo com todos os motores. Por sessenta anos ele foi jogado fora a cada voo. Quem mudou isso foi a SpaceX, e a história de como se pousa um foguete de pé está em Por que o foguete da SpaceX pousa em pé.

A Blue Origin entrou nessa disputa com o New Glenn. O primeiro estágio desce e pousa numa embarcação no oceano Atlântico, e conseguiu isso em novembro de 2025, na segunda tentativa de voo do foguete. A meta de projeto declarada — mínimo de 25 voos por estágio — é o número que explica por que todo mundo quer reusar: um foguete que voa 25 vezes dilui o custo de fabricação por 25 lançamentos, e é daí que vem a queda de preço por quilo levado ao espaço, contada em Quanto custa lançar um foguete.

O que ele já fez pela NASA

O New Glenn não é um projeto de papel. Em 13 de novembro de 2025, ele levou ao espaço as duas sondas ESCAPADE, da NASA, que vão estudar como o vento solar arranca a atmosfera de Marte. Foi o segundo voo do foguete e a primeira carga interplanetária dele. A missão está contada em ESCAPADE: as sondas que voltam à Terra para ir a Marte.

Esse voo é o argumento prático a favor da inclusão do 9×4: a agência não estava apostando num nome desconhecido, e sim ampliando o catálogo de um foguete que já entregou carga científica.

Onde ele se encaixa entre os foguetes grandes

Foguete Carga para a órbita baixa Situação
New Glenn 45 toneladas Voando; a versão 9×4 acaba de entrar no contrato da NASA
Falcon Heavy quase 64 toneladas Voando, da SpaceX
Starship 100 a 150 toneladas (meta de projeto) Em desenvolvimento, da SpaceX
Ônibus espacial (aposentado) 25 toneladas Voou de 1981 a 2011

A leitura da tabela é direta: o New Glenn é um foguete pesado de verdade, maior que tudo que a NASA teve por décadas, e ainda assim menor que os dois extremos da SpaceX. Ele não compete com a Starship: o maior foguete do mundo, explicado em tamanho bruto — compete por ser grande o suficiente para quase tudo que a NASA precisa lançar, com um estágio que volta.

Ter dois ou três fornecedores capazes de carga pesada muda o jogo para a agência: significa poder negociar preço e não ficar parada quando um dos foguetes sai de operação por investigação de falha.

Perguntas frequentes

O New Glenn já voou?

Já. A versão de sete motores no primeiro estágio está em operação e, em 13 de novembro de 2025, lançou as sondas ESCAPADE, da NASA, para Marte. Nesse voo o primeiro estágio também pousou numa embarcação no mar. A versão 9×4, incluída agora no contrato da NASA, não teve voo anunciado pela agência.

Quanto peso o New Glenn leva ao espaço?

Segundo a NASA, 45 toneladas para a órbita baixa da Terra e mais de 13 toneladas para a órbita de transferência geoestacionária, que é a usada por satélites de comunicação.

A NASA comprou lançamentos do New Glenn 9×4?

Não. O que a agência fez em 29 de setembro de 2026 foi incluir o serviço no contrato guarda-chuva NASA Launch Services II, pela cláusula de on-ramp. Isso dá à NASA a opção de contratar voos desse modelo até junho de 2030, mas nenhuma missão foi atribuída a ele.

De quem é a Blue Origin?

É a empresa espacial de Jeff Bezos, fundador da Amazon. Além do New Glenn, ela fabrica o motor BE-4 que equipa o primeiro estágio do foguete e o New Shepard, o foguetinho suborbital usado em voos curtos de turismo espacial, assunto de Turismo espacial: as empresas que já vendem passagem.

Qual a diferença entre New Glenn e Starship?

Tamanho e estágio de desenvolvimento. O New Glenn está em operação e leva 45 toneladas à órbita baixa; a Starship é bem maior, com meta de 100 a 150 toneladas, e ainda está em desenvolvimento. Os dois têm primeiro estágio reutilizável, mas a Starship pretende recuperar também o estágio de cima.

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