Doze pessoas pisaram na Lua. Foram seis pousos, todos do programa Apollo, todos entre 20 de julho de 1969 e 11 de dezembro de 1972 — ou seja, tudo aconteceu numa janela de três anos e quatro meses, e desde então ninguém mais voltou. Todas as doze eram homens, todas norte-americanas.
Vale separar duas contagens que costumam se misturar: doze pessoas andaram no chão lunar, mas outras foram até lá sem descer, porque alguém precisava ficar pilotando a nave em órbita enquanto os dois colegas pousavam.
Os seis pousos, um por um
As datas e os locais de pouso abaixo vêm do arquivo de dados espaciais da NASA. Os nomes são os dos dois tripulantes que desceram em cada missão.
| Missão | Pouso | Onde | Quem desceu |
|---|---|---|---|
| Apollo 11 | 20/07/1969 | Mar da Tranquilidade | Neil Armstrong e Buzz Aldrin |
| Apollo 12 | 19/11/1969 | Oceano das Tempestades | Pete Conrad e Alan Bean |
| Apollo 14 | 05/02/1971 | Fra Mauro | Alan Shepard e Edgar Mitchell |
| Apollo 15 | 30/07/1971 | Fenda de Hadley | David Scott e James Irwin |
| Apollo 16 | 20/04/1972 | Descartes | John Young e Charles Duke |
| Apollo 17 | 11/12/1972 | Taurus-Littrow | Eugene Cernan e Harrison Schmitt |
Repare no ritmo. Entre a Apollo 11 e a Apollo 12 passaram-se quatro meses. Entre a Apollo 16 e a Apollo 17, quase oito. Em menos de três anos e meio, seis pousos — uma cadência que nunca mais se repetiu, e que ajuda a entender por que a parada seguinte foi tão longa, assunto de Por que ninguém voltou à Lua desde 1972 — respondido de vez.
O último nome da lista, Eugene Cernan, foi o último a subir de volta ao módulo lunar em dezembro de 1972. Até hoje, ninguém pisou lá depois dele.
Os doze nomes, e os três que foram duas vezes
A lista completa, na ordem em que desceram: Armstrong, Aldrin, Conrad, Bean, Shepard, Mitchell, Scott, Irwin, Young, Duke, Cernan e Schmitt.
Há um detalhe que quase ninguém conhece. Três astronautas fizeram a viagem Terra–Lua duas vezes, segundo a NASA: James Lovell (nas missões Apollo 8 e Apollo 13), John Young (Apollo 10 e Apollo 16) e Eugene Cernan (Apollo 10 e Apollo 17).
Os três casos são diferentes. Young e Cernan foram até lá numa missão sem pousar e voltaram noutra para descer — eles estão entre os doze. Lovell é o caso mais cruel: foi à Lua duas vezes e nunca pisou nela. Na Apollo 8 circundou o nosso satélite sem pousar, porque a missão era justamente essa; na Apollo 13, estava a caminho de descer quando tudo deu errado.
Harrison Schmitt, o último da lista, é o único geólogo de formação do grupo. Todos os outros onze eram pilotos.
Por que a Apollo 13 não entra na conta
A Apollo 13 fica de fora porque não pousou. A explosão de um tanque de oxigênio no caminho transformou a missão de pouso numa operação de resgate, e a tripulação deu a volta na Lua sem descer para poder voltar viva. A história completa está em Apollo 13: o que deu errado e como eles voltaram vivos.
É por isso também que a numeração parece pular: entre a Apollo 12 e a Apollo 14 não há um pouso da Apollo 13 na tabela. A missão existiu, foi até lá e voltou — só não desceu.
O que eles trouxeram: 381,7 kg de Lua
A carga científica das seis missões está catalogada até hoje pelo laboratório de curadoria da NASA, em Houston. O número total é 381,7 kg de rocha, pedrisco, poeira e testemunhos de subsolo.
| Missão | Massa trazida |
|---|---|
| Apollo 11 | 21,6 kg |
| Apollo 12 | 34,4 kg |
| Apollo 14 | 42,3 kg |
| Apollo 15 | 77,3 kg |
| Apollo 16 | 95,7 kg |
| Apollo 17 | 110,5 kg |
| Total | 381,7 kg |
A curva conta a história sozinha. A Apollo 17 trouxe mais de cinco vezes o que a Apollo 11 trouxe — 5,1 vezes, para ser exato. As primeiras missões eram provas de que dava para pousar e sair vivo; as últimas levavam jipe, ficavam dias e tinham geólogo a bordo.
Para dar escala a 381,7 kg: é o peso de umas cinco pessoas adultas, ou de pouco mais de sete sacos de cimento de 50 kg. Todo o material lunar que a humanidade possui cabe no porta-malas de uma caminhonete — e já serviu para datar a idade da Lua, descobrir como ela se formou e mostrar que há água presa nas rochas.

Os dois números que nem a NASA acerta
Vale registrar uma divergência, porque ela está dentro de um mesmo documento oficial.
O manual de curadoria das amostras lunares da NASA afirma, no texto, que as seis missões trouxeram "382 quilogramas consistindo em 2.196 espécimes separados". Mas a tabela publicada duas linhas abaixo, no mesmo manual, lista missão por missão — 68, 69, 227, 457, 842 e 750 espécimes — e a soma dá 2.413.
A massa bate: somando a tabela, dá 381,734 kg, que é o tal "382 kg". O que não bate é a contagem de pedaços, com diferença de 217 espécimes.
A explicação provável é que "espécime" é contado de formas diferentes em momentos diferentes: amostras são subdivididas para estudo, e o que era uma pedra vira várias fichas de catálogo. Como as fontes públicas não desempatam, o honesto é publicar os dois números e dizer qual veio de onde. Para a massa total, que é o que importa na prática, não há dúvida nenhuma.
Por que parou em doze
Não foi falta de tecnologia nem acidente. As missões Apollo 18, 19 e 20 chegaram a ser planejadas e foram canceladas por decisão orçamentária e política, quando a corrida que motivava o programa já tinha sido vencida.
O detalhe que dimensiona a coisa: o programa inteiro foi construído para ganhar uma disputa, e quando a disputa acabou o financiamento foi junto. Os desdobramentos estão em Por que ninguém voltou à Lua desde 1972 — respondido de vez e o que ficou lá, em Existe lixo na Lua? O que os humanos deixaram lá.
Quem vai ser a décima terceira pessoa
A NASA trabalha para voltar a pousar com o programa Artemis. A missão Artemis II já levou tripulação à órbita lunar sem pousar, como contamos em Artemis II: como foi a volta dos humanos à órbita da Lua, e o pouso seguinte está previsto para a Artemis III, detalhada em Artemis III: quando vamos pisar na Lua de novo.
A palavra "previsto" é essencial aqui. Cronograma de missão lunar escorrega com frequência, e qualquer data que circule hoje é alvo, não compromisso. O que se pode dizer com segurança é que a NASA pretende que a próxima lista não seja só de homens norte-americanos — e que, quando acontecer, o número doze finalmente sai do lugar depois de mais de cinquenta anos.




