Ir ao espaço deixou de ser exclusividade de astronautas profissionais. Em 2026, qualquer pessoa com saúde razoável e muito dinheiro pode comprar uma passagem. A pergunta é: quanto dinheiro? A resposta vai de algumas dezenas de milhares de reais, para sentir a ausência de peso por alguns segundos, a centenas de milhões, para passar duas semanas na Estação Espacial. Aqui estão os preços reais, o que cada um inclui e o que está por vir.
O que conta como "ir ao espaço"
Antes dos preços, uma definição. A linha de Kármán, a 100 km de altitude, é a fronteira do espaço reconhecida pela Federação Aeronáutica Internacional. A Força Aérea americana usa 80 km. Isso importa porque as duas empresas de voo suborbital cruzam alturas diferentes.
Há três níveis de experiência:
- Suborbital: sobe, passa alguns minutos em ausência de peso, desce. Dura 10 a 15 minutos no total.
- Orbital: dá voltas completas ao redor da Terra por dias.
- Estadia em estação: semanas vivendo em órbita.
Voo suborbital: de R$ 2,5 milhões a R$ 5 milhões
Blue Origin (New Shepard). A empresa de Jeff Bezos leva seis pessoas a cerca de 106 km, acima da linha de Kármán. O voo inteiro dura 11 minutos, com 3 a 4 minutos de ausência de peso e vista da curvatura da Terra pelas maiores janelas já colocadas em uma nave. A Blue Origin não publica preço; relatos de clientes indicam algo entre US$ 500 mil e US$ 1,25 milhão por assento, e a empresa exige depósito de US$ 150 mil.
Virgin Galactic (SpaceShip). O avião-foguete de Richard Branson sobe até 85 a 90 km, abaixo da linha de Kármán mas acima do limite americano. Passagens foram vendidas a US$ 450 mil, com fila de cerca de 700 clientes. A empresa pausou os voos comerciais em 2024 para construir a nova nave Delta e planeja retomar em 2026, com preço que deve subir para a faixa de US$ 600 mil.
Voo orbital: a partir de US$ 55 milhões
Aqui o salto de preço é enorme porque a energia necessária para entrar em órbita é dezenas de vezes maior que a de um pulo suborbital.
SpaceX Crew Dragon. É a única nave privada que leva turistas à órbita hoje. Missões livres, sem visitar a ISS, como a Inspiration4 (2021), a Polaris Dawn (2024) e a Fram2 (2025), custam algo em torno de US$ 200 milhões a US$ 250 milhões por voo, divididos entre até quatro passageiros. Na prática, um bilionário paga e convida os outros.
Estadia na Estação Espacial via Axiom Space. A Axiom organiza missões privadas de duas semanas à ISS a bordo da Crew Dragon. O preço por assento gira em torno de US$ 55 milhões a US$ 70 milhões, incluindo treinamento de meses, o voo e a hospedagem, que a NASA cobra separadamente da Axiom em cerca de US$ 35 mil por noite por pessoa, mais taxas de comida, água e uso dos banheiros.

O que está incluso no preço
Nos voos suborbitais: alguns dias de treinamento no local de lançamento, traje de voo, o voo em si, hospedagem para acompanhantes e um pacote de fotos e vídeos. Não há exigência de preparo físico intenso.
Nos voos orbitais: seis meses a um ano de treinamento parcial na SpaceX e na NASA, exames médicos exigentes, aprendizado dos sistemas de emergência da nave e da estação, além do voo. É um compromisso de tempo grande, não apenas de dinheiro.
As alternativas baratas
Se seu orçamento é de outra ordem, há três experiências que capturam parte da sensação:
Voo parabólico (gravidade zero). Um avião faz arcos que criam 20 a 30 segundos de ausência de peso real, repetidos 15 vezes. A Zero Gravity Corporation cobra cerca de US$ 9 mil nos Estados Unidos, e há operadores na Europa. É exatamente como os astronautas treinam.
Voo de caça a grande altitude. Na Rússia e nos Estados Unidos é possível voar em jatos supersônicos até 20 km, onde o céu fica preto e a curvatura da Terra aparece. De US$ 15 mil a US$ 30 mil.
Simuladores e centrífugas. Centros como o NASTAR, na Pensilvânia, oferecem treinamento de astronauta em centrífuga por alguns milhares de dólares.
O que vem pela frente
A tendência é de queda de preço, mas lenta. Alguns projetos para acompanhar:
- Starship (SpaceX). Se atingir a meta de custo, poderia levar dezenas de pessoas por voo a preços de centenas de milhares de dólares em vez de dezenas de milhões. Ainda em fase de testes.
- Estações privadas como a Axiom Station, a Haven-1 da Vast e a Orbital Reef, com previsão de operação entre 2026 e 2030, que devem baratear estadias em órbita.
- Balões estratosféricos que sobem a 30 km, com cabines pressurizadas e voos de seis horas, por cerca de US$ 125 mil. Várias empresas desenvolvem, nenhuma opera comercialmente ainda.
Um panorama completo das empresas está em turismo espacial: as empresas que já vendem passagem, e o motivo dos preços altos em quanto custa lançar um foguete.
Brasileiro já foi turista espacial?
Sim. Em junho de 2022, o engenheiro civil mineiro Victor Correa Hespanha voou na New Shepard da Blue Origin e se tornou o segundo brasileiro a ir ao espaço, depois de Marcos Pontes. Ele ganhou o assento em um sorteio promovido por um projeto de criptomoedas. A história do primeiro está em Marcos Pontes: o primeiro astronauta brasileiro.




