As estações do ano existem porque o eixo da Terra é inclinado 23,44 graus, e não porque o planeta chega mais perto ou mais longe do Sol. Conforme a Terra dá a volta no Sol, ora o hemisfério sul fica mais virado para ele, ora o norte. É isso que faz o verão de um lado ser o inverno do outro, e é por isso que o Natal brasileiro é no calor. Abaixo estão as datas exatas de início de cada estação de 2026 a 2028, no horário de Brasília, e a explicação de por que elas mudam de ano para ano.
As datas de cada estação no Brasil
Cada estação começa num instante preciso, calculado pela posição da Terra na órbita. Os horários são de Brasília; para o Amazonas e o Mato Grosso, subtraia uma hora; para o Acre, duas.
| Estação (hemisfério sul) | 2026 | 2027 | 2028 |
|---|---|---|---|
| Outono (equinócio de março) | 20/03, 11h45 | 20/03, 17h24 | 19/03, 23h17 |
| Inverno (solstício de junho) | 21/06, 05h24 | 21/06, 11h10 | 20/06, 17h01 |
| Primavera (equinócio de setembro) | 22/09, 21h05 | 23/09, 03h01 | 22/09, 08h45 |
| Verão (solstício de dezembro) | 21/12, 17h50 | 21/12, 23h42 | 21/12, 05h20 |
Os instantes vêm de cálculo próprio pelo método do astrônomo belga Jean Meeus, o mesmo dos almanaques, e foram conferidos contra os valores publicados internacionalmente: o equinócio de setembro de 2026, por exemplo, bate no minuto (00h05 UTC). Repare que 2028 é ano bissexto e todas as datas recuam um dia; o motivo está mais abaixo.
Por que o Sol "sobe e desce" ao longo do ano
Pegue um pião. Um pião perfeito gira em pé; a Terra gira tombada, com o eixo inclinado 23,44 graus em relação ao plano da órbita. E essa inclinação aponta sempre para a mesma direção do espaço, para perto da estrela Polar, como se o pião estivesse preso num trilho.
Agora coloque o Sol no meio e faça a Terra dar a volta. Em dezembro, o tombo do eixo deixa o hemisfério sul virado para o Sol: aqui o Sol passa mais alto no céu, fica mais horas acima do horizonte e aquece mais. Seis meses depois, do outro lado da órbita, o mesmo tombo deixa o hemisfério norte virado para o Sol, e a situação inverte. Nos dois pontos intermediários, março e setembro, nenhum dos dois está virado, e o Sol ilumina os dois hemisférios por igual.
Esses quatro pontos da órbita têm nome. Os dois em que um hemisfério está o mais virado possível são os solstícios, em junho e dezembro. Os dois em que a luz é igual são os equinócios, em março e setembro. Cada um marca o início de uma estação, e cada um tem um artigo próprio no site: Quando começa a primavera de 2026? O equinócio explicado e Quando começa o verão de 2026? O solstício de dezembro.
Não é a distância do Sol
Essa é a confusão mais comum sobre o assunto, e vale desmontar de vez. A órbita da Terra é quase um círculo. A distância até o Sol varia de 147 milhões de quilômetros, no começo de janeiro, a 152 milhões, no começo de julho. A diferença é de 3%. Se a distância mandasse nas estações, o mundo inteiro teria verão em janeiro. Mas em janeiro o Canadá está enterrado na neve.
O que manda é o ângulo. Quando o Sol bate mais de cima, a mesma quantidade de luz se concentra num pedaço menor de chão e esquenta mais; é a diferença entre apontar uma lanterna de frente para a parede ou bem inclinada. E, de quebra, quando o Sol passa mais alto ele fica mais horas no céu, o que dá mais tempo de aquecimento. Ângulo alto e dia longo juntos fazem o verão; ângulo baixo e dia curto fazem o inverno.
Curiosidade que reforça o ponto: o hemisfério sul tem verão justamente quando a Terra está mais perto do Sol. Isso deixa o nosso verão um pouquinho mais intenso e o nosso inverno um pouquinho mais ameno do que os do norte, mas o efeito é pequeno diante da inclinação.

Por que as estações são invertidas no Brasil
Porque a inclinação do eixo é uma só. Quando o hemisfério sul está virado para o Sol, o norte está necessariamente virado para o lado contrário. Não tem como os dois terem verão ao mesmo tempo. Junho, que é verão em Portugal, nos Estados Unidos e no Japão, é inverno no Brasil, na Argentina e na Austrália.
É por isso que a nossa cultura parece fora de época: o Natal com neve e o "verão" das férias de julho dos filmes vêm do hemisfério norte, de onde vem a maior parte do que assistimos. O nosso Natal é no auge do verão, e as nossas férias de julho caem no meio do inverno. E é por isso também que a face norte de uma casa brasileira pega mais sol, enquanto lá em cima a valorizada é a face sul.
Há um lugar onde a inversão desaparece: a linha do equador. Perto dela, o Sol passa alto o ano inteiro, o dia dura sempre umas 12 horas e as quatro estações quase não existem. É o caso de boa parte do Norte e do Nordeste do Brasil, que veremos a seguir.
O Brasil de verdade: seca, chuva e as quatro estações
O calendário astronômico vale para o país inteiro, mas o clima obedece a outra régua. O Brasil é grande demais para ter um só tipo de estação:
- Sul e Sudeste: as quatro estações se parecem com a definição de livro. Verão quente e chuvoso, inverno frio e seco, com geada no Sul e, às vezes, neve na serra.
- Centro-Oeste e Norte: o que define o ano é a chuva. De maio a setembro é a estação seca; de outubro a abril, a chuvosa. A temperatura muda pouco. "Inverno" ali significa céu limpo e ar seco, não frio.
- Nordeste: no litoral, chove mais entre abril e julho, ou seja, no "inverno"; no sertão, a chuva cai no começo do ano, e o resto é seca. O verão de dezembro é justamente a estação mais ensolarada da praia.
Isso acontece porque, perto do equador, a inclinação da Terra quase não muda a altura do Sol. Em Belém, o dia mais longo do ano tem só dez minutos a mais que o mais curto. No Chuí, no extremo sul, a diferença passa de quatro horas. Quanto mais longe do equador, mais as quatro estações aparecem.
Os meteorologistas resolvem isso usando estações de meses inteiros: verão de dezembro a fevereiro, outono de março a maio, e assim por diante. Quando o noticiário diz "o inverno mais frio da década", costuma estar falando desses três meses, e não do período entre solstício e equinócio.
Por que a data muda de ano para ano
A primavera começou em 22 de setembro em 2026 e começa em 23 em 2027. Por quê? Porque a volta da Terra em torno do Sol não dura um número redondo de dias: dura cerca de 365 dias e 6 horas. A cada ano, as estações chegam seis horas mais tarde. Em quatro anos, isso soma um dia inteiro, e é aí que entra o 29 de fevereiro do ano bissexto: ele puxa tudo de volta. Por isso, em 2028, que é bissexto, todas as estações começam um dia antes.
O resultado é que cada estação oscila entre duas datas possíveis: o outono, entre 19 e 21 de março; o inverno, entre 20 e 21 de junho; a primavera, entre 22 e 23 de setembro; o verão, entre 20 e 22 de dezembro. Nunca "no dia 21" fixo, como muita gente aprendeu.
Estações em outros planetas
A inclinação do eixo é o que decide se um planeta tem estações, e cada um tem a sua. Marte é inclinado 25 graus, quase como a Terra, e tem quatro estações parecidas com as nossas, só que cada uma dura o dobro, porque o ano marciano tem 687 dias. Urano gira praticamente deitado, com 98 graus de inclinação: cada polo passa 42 anos no escuro e 42 anos na luz. Já Júpiter, com só 3 graus de inclinação, praticamente não tem estações: o ano inteiro é igual.
E a Terra? A inclinação dela balança devagar, entre 22,1 e 24,5 graus, num ciclo de 41 mil anos. Quando é maior, os verões são mais quentes e os invernos mais frios; quando é menor, as estações ficam mais suaves. Esse balanço, junto com outros dois ciclos da órbita, ajuda a explicar as eras glaciais. O nosso clima, no fim das contas, é geometria. E o mesmo giro silencioso que faz tudo isso é o que a gente não sente, como conta Por que não sentimos a Terra girar?.




