Perguntas que todo mundo faz

Estações do ano: por que existem e as datas de 2026 e 2027

As estações existem porque o eixo da Terra é inclinado, não pela distância do Sol. Datas de 2026 a 2028 no Brasil e por que aqui é tudo invertido.

Publicado em 7 min de leitura
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A Terra inteira vista por satélite, com as Américas iluminadas pelo Sol e nuvens brancas sobre os oceanos, contra o fundo preto do espaço
Foto: NASA/GSFC
Neste artigo
  1. As datas de cada estação no Brasil
  2. Por que o Sol "sobe e desce" ao longo do ano
  3. Não é a distância do Sol
  4. Por que as estações são invertidas no Brasil
  5. O Brasil de verdade: seca, chuva e as quatro estações
  6. Por que a data muda de ano para ano
  7. Estações em outros planetas

As estações do ano existem porque o eixo da Terra é inclinado 23,44 graus, e não porque o planeta chega mais perto ou mais longe do Sol. Conforme a Terra dá a volta no Sol, ora o hemisfério sul fica mais virado para ele, ora o norte. É isso que faz o verão de um lado ser o inverno do outro, e é por isso que o Natal brasileiro é no calor. Abaixo estão as datas exatas de início de cada estação de 2026 a 2028, no horário de Brasília, e a explicação de por que elas mudam de ano para ano.

As datas de cada estação no Brasil

Cada estação começa num instante preciso, calculado pela posição da Terra na órbita. Os horários são de Brasília; para o Amazonas e o Mato Grosso, subtraia uma hora; para o Acre, duas.

Estação (hemisfério sul) 2026 2027 2028
Outono (equinócio de março) 20/03, 11h45 20/03, 17h24 19/03, 23h17
Inverno (solstício de junho) 21/06, 05h24 21/06, 11h10 20/06, 17h01
Primavera (equinócio de setembro) 22/09, 21h05 23/09, 03h01 22/09, 08h45
Verão (solstício de dezembro) 21/12, 17h50 21/12, 23h42 21/12, 05h20

Os instantes vêm de cálculo próprio pelo método do astrônomo belga Jean Meeus, o mesmo dos almanaques, e foram conferidos contra os valores publicados internacionalmente: o equinócio de setembro de 2026, por exemplo, bate no minuto (00h05 UTC). Repare que 2028 é ano bissexto e todas as datas recuam um dia; o motivo está mais abaixo.

Por que o Sol "sobe e desce" ao longo do ano

Pegue um pião. Um pião perfeito gira em pé; a Terra gira tombada, com o eixo inclinado 23,44 graus em relação ao plano da órbita. E essa inclinação aponta sempre para a mesma direção do espaço, para perto da estrela Polar, como se o pião estivesse preso num trilho.

Agora coloque o Sol no meio e faça a Terra dar a volta. Em dezembro, o tombo do eixo deixa o hemisfério sul virado para o Sol: aqui o Sol passa mais alto no céu, fica mais horas acima do horizonte e aquece mais. Seis meses depois, do outro lado da órbita, o mesmo tombo deixa o hemisfério norte virado para o Sol, e a situação inverte. Nos dois pontos intermediários, março e setembro, nenhum dos dois está virado, e o Sol ilumina os dois hemisférios por igual.

Esses quatro pontos da órbita têm nome. Os dois em que um hemisfério está o mais virado possível são os solstícios, em junho e dezembro. Os dois em que a luz é igual são os equinócios, em março e setembro. Cada um marca o início de uma estação, e cada um tem um artigo próprio no site: Quando começa a primavera de 2026? O equinócio explicado e Quando começa o verão de 2026? O solstício de dezembro.

Não é a distância do Sol

Essa é a confusão mais comum sobre o assunto, e vale desmontar de vez. A órbita da Terra é quase um círculo. A distância até o Sol varia de 147 milhões de quilômetros, no começo de janeiro, a 152 milhões, no começo de julho. A diferença é de 3%. Se a distância mandasse nas estações, o mundo inteiro teria verão em janeiro. Mas em janeiro o Canadá está enterrado na neve.

O que manda é o ângulo. Quando o Sol bate mais de cima, a mesma quantidade de luz se concentra num pedaço menor de chão e esquenta mais; é a diferença entre apontar uma lanterna de frente para a parede ou bem inclinada. E, de quebra, quando o Sol passa mais alto ele fica mais horas no céu, o que dá mais tempo de aquecimento. Ângulo alto e dia longo juntos fazem o verão; ângulo baixo e dia curto fazem o inverno.

Curiosidade que reforça o ponto: o hemisfério sul tem verão justamente quando a Terra está mais perto do Sol. Isso deixa o nosso verão um pouquinho mais intenso e o nosso inverno um pouquinho mais ameno do que os do norte, mas o efeito é pequeno diante da inclinação.

Imagem em preto e branco da Terra vista por satélite, metade iluminada, com a linha entre o dia e a noite curvada
Quadro de uma sequência de satélite da NASA: a linha que separa o dia da noite. Nos equinócios ela passa pelos dois polos; nos solstícios fica inclinada, e um polo passa 24 horas na luz. Foto: NASA/GSFC

Por que as estações são invertidas no Brasil

Porque a inclinação do eixo é uma só. Quando o hemisfério sul está virado para o Sol, o norte está necessariamente virado para o lado contrário. Não tem como os dois terem verão ao mesmo tempo. Junho, que é verão em Portugal, nos Estados Unidos e no Japão, é inverno no Brasil, na Argentina e na Austrália.

É por isso que a nossa cultura parece fora de época: o Natal com neve e o "verão" das férias de julho dos filmes vêm do hemisfério norte, de onde vem a maior parte do que assistimos. O nosso Natal é no auge do verão, e as nossas férias de julho caem no meio do inverno. E é por isso também que a face norte de uma casa brasileira pega mais sol, enquanto lá em cima a valorizada é a face sul.

Há um lugar onde a inversão desaparece: a linha do equador. Perto dela, o Sol passa alto o ano inteiro, o dia dura sempre umas 12 horas e as quatro estações quase não existem. É o caso de boa parte do Norte e do Nordeste do Brasil, que veremos a seguir.

O Brasil de verdade: seca, chuva e as quatro estações

O calendário astronômico vale para o país inteiro, mas o clima obedece a outra régua. O Brasil é grande demais para ter um só tipo de estação:

  • Sul e Sudeste: as quatro estações se parecem com a definição de livro. Verão quente e chuvoso, inverno frio e seco, com geada no Sul e, às vezes, neve na serra.
  • Centro-Oeste e Norte: o que define o ano é a chuva. De maio a setembro é a estação seca; de outubro a abril, a chuvosa. A temperatura muda pouco. "Inverno" ali significa céu limpo e ar seco, não frio.
  • Nordeste: no litoral, chove mais entre abril e julho, ou seja, no "inverno"; no sertão, a chuva cai no começo do ano, e o resto é seca. O verão de dezembro é justamente a estação mais ensolarada da praia.

Isso acontece porque, perto do equador, a inclinação da Terra quase não muda a altura do Sol. Em Belém, o dia mais longo do ano tem só dez minutos a mais que o mais curto. No Chuí, no extremo sul, a diferença passa de quatro horas. Quanto mais longe do equador, mais as quatro estações aparecem.

Os meteorologistas resolvem isso usando estações de meses inteiros: verão de dezembro a fevereiro, outono de março a maio, e assim por diante. Quando o noticiário diz "o inverno mais frio da década", costuma estar falando desses três meses, e não do período entre solstício e equinócio.

Por que a data muda de ano para ano

A primavera começou em 22 de setembro em 2026 e começa em 23 em 2027. Por quê? Porque a volta da Terra em torno do Sol não dura um número redondo de dias: dura cerca de 365 dias e 6 horas. A cada ano, as estações chegam seis horas mais tarde. Em quatro anos, isso soma um dia inteiro, e é aí que entra o 29 de fevereiro do ano bissexto: ele puxa tudo de volta. Por isso, em 2028, que é bissexto, todas as estações começam um dia antes.

O resultado é que cada estação oscila entre duas datas possíveis: o outono, entre 19 e 21 de março; o inverno, entre 20 e 21 de junho; a primavera, entre 22 e 23 de setembro; o verão, entre 20 e 22 de dezembro. Nunca "no dia 21" fixo, como muita gente aprendeu.

Estações em outros planetas

A inclinação do eixo é o que decide se um planeta tem estações, e cada um tem a sua. Marte é inclinado 25 graus, quase como a Terra, e tem quatro estações parecidas com as nossas, só que cada uma dura o dobro, porque o ano marciano tem 687 dias. Urano gira praticamente deitado, com 98 graus de inclinação: cada polo passa 42 anos no escuro e 42 anos na luz. Já Júpiter, com só 3 graus de inclinação, praticamente não tem estações: o ano inteiro é igual.

E a Terra? A inclinação dela balança devagar, entre 22,1 e 24,5 graus, num ciclo de 41 mil anos. Quando é maior, os verões são mais quentes e os invernos mais frios; quando é menor, as estações ficam mais suaves. Esse balanço, junto com outros dois ciclos da órbita, ajuda a explicar as eras glaciais. O nosso clima, no fim das contas, é geometria. E o mesmo giro silencioso que faz tudo isso é o que a gente não sente, como conta Por que não sentimos a Terra girar?.

Perguntas frequentes

Por que existem as estações do ano?

Porque o eixo de rotação da Terra é inclinado 23,44 graus em relação à órbita e aponta sempre para a mesma direção. Ao longo do ano, ora o hemisfério sul fica mais virado para o Sol (verão aqui), ora o norte (inverno aqui). A distância até o Sol varia só 3% e não é a causa.

Quando começam as estações em 2027 no Brasil?

Outono em 20 de março às 17h24, inverno em 21 de junho às 11h10, primavera em 23 de setembro às 03h01 e verão em 21 de dezembro às 23h42, todos no horário de Brasília. Em 2028, ano bissexto, cada uma começa um dia antes.

Por que as estações do Brasil são invertidas em relação à Europa?

Porque a inclinação do eixo é única: quando o hemisfério sul está virado para o Sol, o norte está virado para o lado oposto. Verão em um é inverno no outro, obrigatoriamente. Perto da linha do equador, onde o Sol passa alto o ano todo, a diferença entre as estações praticamente some.

Por que o Norte do Brasil não tem quatro estações?

Perto do equador, a inclinação da Terra quase não muda a altura do Sol nem a duração do dia ao longo do ano. Em Belém, o dia mais longo tem só dez minutos a mais que o mais curto. O que muda o clima ali é o regime de chuvas, por isso faz mais sentido falar em estação seca e estação chuvosa.

Qual é a diferença entre solstício e equinócio?

Solstício é o momento em que um hemisfério está o mais inclinado possível na direção do Sol: marca o início do verão de um lado e do inverno do outro, em junho e dezembro. Equinócio é o momento em que o Sol ilumina os dois hemisférios por igual, com dia e noite de quase 12 horas: marca o início do outono e da primavera, em março e setembro.

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