O verão de 2026 começa em 21 de dezembro, às 17h50 no horário de Brasília. Esse é o instante do solstício de dezembro, o momento em que o Sol chega ao ponto mais ao sul do céu e o hemisfério sul recebe a maior quantidade de luz do ano inteiro. Não é uma data de calendário escolhida por alguém: é um evento astronômico com hora e minuto marcados.
É também o dia mais longo do ano para quase todo o Brasil — em São Paulo, o Sol fica no céu por 13 horas e 35 minutos, contra 10 horas e 41 minutos no dia mais curto de junho.
O horário do solstício no seu fuso
O solstício acontece no mesmo instante para o planeta inteiro. O que muda é a hora que o relógio marca em cada lugar. Como o Brasil tem quatro fusos, o verão entra em quatro horários diferentes — e em todos eles ainda é dia 21:
| Onde você está | Fuso | Verão começa em |
|---|---|---|
| Fernando de Noronha | UTC−2 | 21/12, às 18h50 |
| Brasília, São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre | UTC−3 | 21/12, às 17h50 |
| Manaus, Cuiabá, Campo Grande, Porto Velho, Boa Vista | UTC−4 | 21/12, às 16h50 |
| Rio Branco e o sudoeste do Amazonas | UTC−5 | 21/12, às 15h50 |
| Referência mundial (UTC) | — | 21/12, às 20h50 |
Esses horários vêm de um cálculo próprio, feito com o método publicado pelo astrônomo belga Jean Meeus e conferido contra valores já divulgados. A ferramenta está no repositório do site, em tools/estacoes.mjs. O verão de 2026 vai até 20 de março de 2027, quando entra o outono.
O que é o solstício, sem enrolação
A Terra não gira "em pé". O eixo dela — a linha imaginária que liga os dois polos — é inclinado 23,44 graus em relação ao plano da órbita. E essa inclinação aponta sempre para a mesma direção no espaço, feito um pião tombado que não endireita.
Por isso, conforme a Terra dá a volta no Sol, ora o hemisfério sul fica mais virado para ele, ora o norte. O solstício de dezembro é o extremo dessa gangorra: o instante em que o polo sul está o mais inclinado possível na direção do Sol.
A palavra ajuda a lembrar. Solstício vem do latim sol + sistere, "Sol parado". Nos dias em volta do solstício, o ponto do horizonte onde o Sol nasce quase não muda de um dia para o outro — ele parece estacionar, dar meia-volta e começar a voltar. Os equinócios, de março e setembro, são o contrário: o meio do caminho, quando os dois hemisférios recebem luz igual, como explicamos em Quando começa a primavera de 2026? O equinócio explicado.
Quanto tempo de luz na sua cidade
Quanto mais longe do equador, maior o efeito. Quem mora perto da linha quase não percebe diferença o ano inteiro; quem mora no extremo sul percebe muito:
| Cidade | Solstício de dezembro (verão) | Solstício de junho (inverno) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Boa Vista (RR) | 11h57 | 12h17 | 20 min |
| Belém (PA) | 12h12 | 12h02 | 10 min |
| Manaus (AM) | 12h18 | 11h57 | 21 min |
| Fortaleza (CE) | 12h20 | 11h54 | 26 min |
| Salvador (BA) | 12h53 | 11h22 | 1h31 |
| Brasília (DF) | 13h04 | 11h11 | 1h53 |
| Belo Horizonte (MG) | 13h20 | 10h55 | 2h25 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 13h33 | 10h44 | 2h49 |
| São Paulo (SP) | 13h35 | 10h41 | 2h54 |
| Curitiba (PR) | 13h43 | 10h33 | 3h10 |
| Porto Alegre (RS) | 14h05 | 10h13 | 3h52 |
| Chuí (RS) | 14h24 | 9h55 | 4h29 |
Repare em Belém: a diferença entre o dia mais longo e o mais curto do ano é de dez minutos. No Chuí, na pontinha do Rio Grande do Sul, é de quase quatro horas e meia. É por isso que o verão "parece" verão no Sul e não parece nada no Norte.
E Boa Vista aparece invertida na tabela. Roraima fica ao norte da linha do equador, ou seja, tecnicamente no hemisfério norte. Lá, 21 de dezembro é o dia mais curto do ano.
(Os valores são calculados pela latitude de cada cidade, já considerando a refração da atmosfera. Podem variar um ou dois minutos conforme o relevo e a altura do horizonte que você enxerga da sua janela.)
O dia sem sombra: o Sol a pino em cima do Brasil
Aqui está a parte que quase ninguém sabe, e que você pode conferir com os próprios olhos.
No solstício de dezembro, ao meio-dia solar, o Sol fica exatamente a pino — a 90 graus, na vertical perfeita — para quem está sobre o Trópico de Capricórnio, a linha imaginária a 23°26′ de latitude sul. E essa linha corta o Brasil.
Ela corta os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul — passa por Ubatuba, no litoral paulista, e por Maringá, no norte do Paraná, que tem monumento marcando o ponto. A cidade de São Paulo fica pouco mais de dez quilômetros ao sul da linha, perto o bastante para o efeito ser praticamente o mesmo.
O que acontece nesses lugares, nesse dia: por alguns minutos, um poste não faz sombra para os lados. A sombra some debaixo dele. Um copo em pé numa mesa ao ar livre fica sem sombra visível. É o único dia do ano em que isso acontece no Trópico de Capricórnio, e é a definição do trópico — ele é exatamente o lugar mais ao sul onde o Sol chega a ficar a pino.
Um aviso para não errar o teste: meio-dia solar não é meio-dia no relógio. Depende da longitude da sua cidade dentro do fuso, e costuma cair alguns minutos depois das 12h. O jeito prático é cravar um cabo de vassoura no chão e acompanhar a sombra por meia hora em volta do meio-dia: o instante em que ela for mais curta é o meio-dia solar.
Quem mora ao norte do trópico — a maior parte do Brasil — tem o Sol a pino duas vezes por ano, em datas que dependem da latitude. Quem mora ao sul dele, como em Curitiba e Porto Alegre, nunca tem: lá o Sol sempre fica um pouco inclinado ao norte, mesmo no auge do verão. As datas, calculadas pela latitude de cada cidade (na "ida" do Sol rumo ao sul e na "volta"):
| Cidade | Sol a pino (ida) | Sol a pino (volta) |
|---|---|---|
| Belém (PA) | 27 de setembro | 17 de março |
| Manaus (AM) | 1º de outubro | 13 de março |
| Fortaleza (CE) | 3 de outubro | 12 de março |
| Recife (PE) | 14 de outubro | 1º de março |
| Salvador (BA) | 28 de outubro | 15 de fevereiro |
| Brasília (DF) e Cuiabá (MT) | 6 de novembro | 6 de fevereiro |
| Belo Horizonte (MG) | 22 de novembro | 22 de janeiro |
| Rio de Janeiro (RJ) | 11 de dezembro | 3 de janeiro |
| São Paulo (SP) | 21 de dezembro (a 0,1° do ponto mais alto) | — |
| Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre | nunca | — |

Por que dezembro não é o mês mais quente
Se 21 de dezembro é o dia que mais recebe sol, por que janeiro e fevereiro são mais quentes?
A resposta se chama atraso térmico, e você já conhece o efeito de casa. Pense na panela no fogão: você acende o fogo no máximo e a água não ferve na mesma hora — ela vai acumulando calor. E, se você baixa o fogo um pouco, ela ainda continua esquentando, porque recebe mais calor do que consegue perder.
A Terra faz o mesmo, só que com oceanos e continentes inteiros. Depois do solstício, os dias começam a encurtar — mas continuam longos o suficiente para que o chão e o mar ganhem mais calor durante o dia do que perdem durante a noite. O saldo só vira semanas depois. Por isso o pico de calor no Brasil costuma cair entre meados de janeiro e fevereiro, e não em dezembro.
O mesmo raciocínio explica o inverno: o dia mais curto é em junho, mas julho costuma ser o mês mais frio.
O nascer do sol mais cedo não é no dia mais longo
Essa é ainda mais contraintuitiva, e dá para conferir no calendário de qualquer aplicativo de tempo.
O dia 21 de dezembro é o mais longo do ano. Mas o Sol não nasce mais cedo nesse dia, nem se põe mais tarde. Em São Paulo, o nascer do sol mais cedo de toda a temporada acontece por volta de 29 de novembro, e o pôr do sol mais tarde só chega por volta de 14 de janeiro — quase dois meses depois.
| Cidade | Nascer do sol mais cedo | Pôr do sol mais tarde |
|---|---|---|
| Salvador (BA) | ~20 de novembro | ~23 de janeiro |
| São Paulo (SP) | ~29 de novembro | ~14 de janeiro |
| Porto Alegre (RS) | ~3 de dezembro | ~9 de janeiro |
O culpado é o formato da órbita. A Terra não anda em volta do Sol numa velocidade constante, e o resultado é que o "meio-dia do Sol" vai escorregando alguns minutos no relógio ao longo do ano. Perto do solstício, a duração do dia quase não muda de uma data para a outra, mas esse escorregão continua — e ele empurra o nascer e o pôr do sol juntos, para frente. O dia continua sendo o mais longo; ele só está deslocado um pouco mais para a tarde.
Na prática, é por isso que no começo de janeiro ainda dá para jogar bola às sete da noite, mesmo com o dia já tendo começado a encurtar. (Os valores acima são cálculo próprio, arredondados para o dia.)
Verão, Natal e o hemisfério errado dos filmes
O calendário astronômico é igual para o país inteiro, mas o clima não. No Sul e no Sudeste o verão é o que o nome promete. Em boa parte do Norte e do Centro-Oeste, o que define o ano não são as quatro estações e sim a estação seca e a chuvosa — e dezembro é, sobretudo, o começo das chuvas fortes.
E é por isso que a nossa vida cultural parece sempre fora de época: o Natal com neve dos filmes vem do hemisfério norte, onde dezembro é inverno. É o mesmo movimento silencioso da Terra que está por trás de Por que não sentimos a Terra girar?.
Uma ironia para fechar: o Brasil está no verão justamente quando a Terra passa mais perto do Sol, no começo de janeiro. Não é a distância que faz a estação — é a inclinação.
O que olhar no céu neste verão
A noite de verão no Brasil é a melhor do ano para quem está começando:
- O Cruzeiro do Sul se esconde no começo da noite. Em dezembro, às 21h, ele está no horizonte ou abaixo dele em boa parte do país — só reaparece de madrugada. Em compensação, quem acorda cedo o encontra alto antes do amanhecer, como explicamos em Como achar o Cruzeiro do Sul (e o sul) no céu.
- As Geminídeas. A chuva de meteoros mais forte do ano tem pico por volta de 13 e 14 de dezembro, poucos dias antes do solstício. Como e a que horas ver está em Chuva de meteoros hoje: horários e como ver do Brasil.
- A última Lua cheia do ano fecha dezembro, e o ano seguinte já tem data marcada para o evento astronômico mais esperado da década no Brasil, reunido em Calendário astronômico 2027: todas as datas para anotar.




