O céu ao vivo

Quando começa o verão de 2026? O solstício de dezembro

O verão começa em 21 de dezembro de 2026, às 17h50 de Brasília. Veja o dia mais longo do ano na sua cidade e por que o calor só chega depois.

Publicado em 9 min de leitura
Compartilhar:
A Terra inteira vista do espaço sobre o horizonte cinzento da Lua, com a África e o oceano Atlântico iluminados pelo Sol
Foto: NASA/GSFC
Neste artigo
  1. O horário do solstício no seu fuso
  2. O que é o solstício, sem enrolação
  3. Quanto tempo de luz na sua cidade
  4. O dia sem sombra: o Sol a pino em cima do Brasil
  5. Por que dezembro não é o mês mais quente
  6. O nascer do sol mais cedo não é no dia mais longo
  7. Verão, Natal e o hemisfério errado dos filmes
  8. O que olhar no céu neste verão

O verão de 2026 começa em 21 de dezembro, às 17h50 no horário de Brasília. Esse é o instante do solstício de dezembro, o momento em que o Sol chega ao ponto mais ao sul do céu e o hemisfério sul recebe a maior quantidade de luz do ano inteiro. Não é uma data de calendário escolhida por alguém: é um evento astronômico com hora e minuto marcados.

É também o dia mais longo do ano para quase todo o Brasil — em São Paulo, o Sol fica no céu por 13 horas e 35 minutos, contra 10 horas e 41 minutos no dia mais curto de junho.

O horário do solstício no seu fuso

O solstício acontece no mesmo instante para o planeta inteiro. O que muda é a hora que o relógio marca em cada lugar. Como o Brasil tem quatro fusos, o verão entra em quatro horários diferentes — e em todos eles ainda é dia 21:

Onde você está Fuso Verão começa em
Fernando de Noronha UTC−2 21/12, às 18h50
Brasília, São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre UTC−3 21/12, às 17h50
Manaus, Cuiabá, Campo Grande, Porto Velho, Boa Vista UTC−4 21/12, às 16h50
Rio Branco e o sudoeste do Amazonas UTC−5 21/12, às 15h50
Referência mundial (UTC) — 21/12, às 20h50

Esses horários vêm de um cálculo próprio, feito com o método publicado pelo astrônomo belga Jean Meeus e conferido contra valores já divulgados. A ferramenta está no repositório do site, em tools/estacoes.mjs. O verão de 2026 vai até 20 de março de 2027, quando entra o outono.

O que é o solstício, sem enrolação

A Terra não gira "em pé". O eixo dela — a linha imaginária que liga os dois polos — é inclinado 23,44 graus em relação ao plano da órbita. E essa inclinação aponta sempre para a mesma direção no espaço, feito um pião tombado que não endireita.

Por isso, conforme a Terra dá a volta no Sol, ora o hemisfério sul fica mais virado para ele, ora o norte. O solstício de dezembro é o extremo dessa gangorra: o instante em que o polo sul está o mais inclinado possível na direção do Sol.

A palavra ajuda a lembrar. Solstício vem do latim sol + sistere, "Sol parado". Nos dias em volta do solstício, o ponto do horizonte onde o Sol nasce quase não muda de um dia para o outro — ele parece estacionar, dar meia-volta e começar a voltar. Os equinócios, de março e setembro, são o contrário: o meio do caminho, quando os dois hemisférios recebem luz igual, como explicamos em Quando começa a primavera de 2026? O equinócio explicado.

Quanto tempo de luz na sua cidade

Quanto mais longe do equador, maior o efeito. Quem mora perto da linha quase não percebe diferença o ano inteiro; quem mora no extremo sul percebe muito:

Cidade Solstício de dezembro (verão) Solstício de junho (inverno) Diferença
Boa Vista (RR) 11h57 12h17 20 min
Belém (PA) 12h12 12h02 10 min
Manaus (AM) 12h18 11h57 21 min
Fortaleza (CE) 12h20 11h54 26 min
Salvador (BA) 12h53 11h22 1h31
Brasília (DF) 13h04 11h11 1h53
Belo Horizonte (MG) 13h20 10h55 2h25
Rio de Janeiro (RJ) 13h33 10h44 2h49
São Paulo (SP) 13h35 10h41 2h54
Curitiba (PR) 13h43 10h33 3h10
Porto Alegre (RS) 14h05 10h13 3h52
Chuí (RS) 14h24 9h55 4h29

Repare em Belém: a diferença entre o dia mais longo e o mais curto do ano é de dez minutos. No Chuí, na pontinha do Rio Grande do Sul, é de quase quatro horas e meia. É por isso que o verão "parece" verão no Sul e não parece nada no Norte.

E Boa Vista aparece invertida na tabela. Roraima fica ao norte da linha do equador, ou seja, tecnicamente no hemisfério norte. Lá, 21 de dezembro é o dia mais curto do ano.

(Os valores são calculados pela latitude de cada cidade, já considerando a refração da atmosfera. Podem variar um ou dois minutos conforme o relevo e a altura do horizonte que você enxerga da sua janela.)

O dia sem sombra: o Sol a pino em cima do Brasil

Aqui está a parte que quase ninguém sabe, e que você pode conferir com os próprios olhos.

No solstício de dezembro, ao meio-dia solar, o Sol fica exatamente a pino — a 90 graus, na vertical perfeita — para quem está sobre o Trópico de Capricórnio, a linha imaginária a 23°26′ de latitude sul. E essa linha corta o Brasil.

Ela corta os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul — passa por Ubatuba, no litoral paulista, e por Maringá, no norte do Paraná, que tem monumento marcando o ponto. A cidade de São Paulo fica pouco mais de dez quilômetros ao sul da linha, perto o bastante para o efeito ser praticamente o mesmo.

O que acontece nesses lugares, nesse dia: por alguns minutos, um poste não faz sombra para os lados. A sombra some debaixo dele. Um copo em pé numa mesa ao ar livre fica sem sombra visível. É o único dia do ano em que isso acontece no Trópico de Capricórnio, e é a definição do trópico — ele é exatamente o lugar mais ao sul onde o Sol chega a ficar a pino.

Um aviso para não errar o teste: meio-dia solar não é meio-dia no relógio. Depende da longitude da sua cidade dentro do fuso, e costuma cair alguns minutos depois das 12h. O jeito prático é cravar um cabo de vassoura no chão e acompanhar a sombra por meia hora em volta do meio-dia: o instante em que ela for mais curta é o meio-dia solar.

Quem mora ao norte do trópico — a maior parte do Brasil — tem o Sol a pino duas vezes por ano, em datas que dependem da latitude. Quem mora ao sul dele, como em Curitiba e Porto Alegre, nunca tem: lá o Sol sempre fica um pouco inclinado ao norte, mesmo no auge do verão. As datas, calculadas pela latitude de cada cidade (na "ida" do Sol rumo ao sul e na "volta"):

Cidade Sol a pino (ida) Sol a pino (volta)
Belém (PA) 27 de setembro 17 de março
Manaus (AM) 1º de outubro 13 de março
Fortaleza (CE) 3 de outubro 12 de março
Recife (PE) 14 de outubro 1º de março
Salvador (BA) 28 de outubro 15 de fevereiro
Brasília (DF) e Cuiabá (MT) 6 de novembro 6 de fevereiro
Belo Horizonte (MG) 22 de novembro 22 de janeiro
Rio de Janeiro (RJ) 11 de dezembro 3 de janeiro
São Paulo (SP) 21 de dezembro (a 0,1° do ponto mais alto) —
Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre nunca —

Luzes de cidades brasileiras vistas de noite da Estação Espacial Internacional, com a curva do planeta e um brilho esverdeado na atmosfera
O Brasil de noite, fotografado da Estação Espacial. No verão, essas luzes acendem mais tarde: em Porto Alegre o Sol só se põe perto das 19h30 no fim de dezembro. Foto: Jonny Kim

Por que dezembro não é o mês mais quente

Se 21 de dezembro é o dia que mais recebe sol, por que janeiro e fevereiro são mais quentes?

A resposta se chama atraso térmico, e você já conhece o efeito de casa. Pense na panela no fogão: você acende o fogo no máximo e a água não ferve na mesma hora — ela vai acumulando calor. E, se você baixa o fogo um pouco, ela ainda continua esquentando, porque recebe mais calor do que consegue perder.

A Terra faz o mesmo, só que com oceanos e continentes inteiros. Depois do solstício, os dias começam a encurtar — mas continuam longos o suficiente para que o chão e o mar ganhem mais calor durante o dia do que perdem durante a noite. O saldo só vira semanas depois. Por isso o pico de calor no Brasil costuma cair entre meados de janeiro e fevereiro, e não em dezembro.

O mesmo raciocínio explica o inverno: o dia mais curto é em junho, mas julho costuma ser o mês mais frio.

O nascer do sol mais cedo não é no dia mais longo

Essa é ainda mais contraintuitiva, e dá para conferir no calendário de qualquer aplicativo de tempo.

O dia 21 de dezembro é o mais longo do ano. Mas o Sol não nasce mais cedo nesse dia, nem se põe mais tarde. Em São Paulo, o nascer do sol mais cedo de toda a temporada acontece por volta de 29 de novembro, e o pôr do sol mais tarde só chega por volta de 14 de janeiro — quase dois meses depois.

Cidade Nascer do sol mais cedo Pôr do sol mais tarde
Salvador (BA) ~20 de novembro ~23 de janeiro
São Paulo (SP) ~29 de novembro ~14 de janeiro
Porto Alegre (RS) ~3 de dezembro ~9 de janeiro

O culpado é o formato da órbita. A Terra não anda em volta do Sol numa velocidade constante, e o resultado é que o "meio-dia do Sol" vai escorregando alguns minutos no relógio ao longo do ano. Perto do solstício, a duração do dia quase não muda de uma data para a outra, mas esse escorregão continua — e ele empurra o nascer e o pôr do sol juntos, para frente. O dia continua sendo o mais longo; ele só está deslocado um pouco mais para a tarde.

Na prática, é por isso que no começo de janeiro ainda dá para jogar bola às sete da noite, mesmo com o dia já tendo começado a encurtar. (Os valores acima são cálculo próprio, arredondados para o dia.)

Verão, Natal e o hemisfério errado dos filmes

O calendário astronômico é igual para o país inteiro, mas o clima não. No Sul e no Sudeste o verão é o que o nome promete. Em boa parte do Norte e do Centro-Oeste, o que define o ano não são as quatro estações e sim a estação seca e a chuvosa — e dezembro é, sobretudo, o começo das chuvas fortes.

E é por isso que a nossa vida cultural parece sempre fora de época: o Natal com neve dos filmes vem do hemisfério norte, onde dezembro é inverno. É o mesmo movimento silencioso da Terra que está por trás de Por que não sentimos a Terra girar?.

Uma ironia para fechar: o Brasil está no verão justamente quando a Terra passa mais perto do Sol, no começo de janeiro. Não é a distância que faz a estação — é a inclinação.

O que olhar no céu neste verão

A noite de verão no Brasil é a melhor do ano para quem está começando:

Perguntas frequentes

Quando começa o verão de 2026 no Brasil?

Em 21 de dezembro de 2026, às 17h50 no horário de Brasília — 16h50 no Amazonas e no Mato Grosso do Sul, 15h50 no Acre e 18h50 em Fernando de Noronha. Em horário universal (UTC), o instante é 21 de dezembro às 20h50. O verão vai até 20 de março de 2027, quando começa o outono.

Por que o verão não começa sempre no dia 21?

Porque o ano da Terra não tem um número redondo de dias: a volta completa em torno do Sol leva cerca de 365 dias e 6 horas. Essas 6 horas sobrando empurram o solstício um pouco para a frente a cada ano, até o dia 29 de fevereiro do ano bissexto puxar tudo de volta. Por isso o solstício de dezembro oscila entre os dias 21 e 22. Em 2027, por exemplo, ele cai em 21 de dezembro às 23h42 de Brasília.

O solstício de dezembro é o dia mais quente do ano?

Não. É o dia que recebe mais luz do Sol, mas o calor demora semanas para se acumular no chão e nos oceanos, do mesmo jeito que a água de uma panela não ferve assim que o fogo acende. No Brasil, os meses mais quentes costumam ser janeiro e fevereiro.

É verdade que existe um dia sem sombra?

Sim, para quem está sobre o Trópico de Capricórnio, a 23°26′ de latitude sul — linha que passa por São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. No meio-dia solar de 21 de dezembro, o Sol fica exatamente na vertical ali, e um objeto em pé praticamente não projeta sombra para nenhum lado. Ao norte dessa linha o Sol fica a pino em duas datas por ano; ao sul dela, nunca.

O solstício provoca alguma coisa nas pessoas?

Não. Não muda a gravidade, não causa terremoto e não altera a saúde de ninguém. O que muda de verdade é a quantidade de horas de luz do dia — o que, ao longo das semanas, mexe com a temperatura, com a rotina das plantas e com o horário em que escurece.

Horários de eventos astronômicos variam conforme sua cidade e o fuso horário. Confirme sempre num aplicativo de céu ou no site do Observatório Nacional antes de sair para observar.

Gostou? Compartilhe: WhatsAppFacebookTelegramX