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O que é a Estação Espacial Internacional?

Um laboratório de 420 toneladas a 400 km de altura, com gente morando lá sem parar desde 2000. Veja o tamanho, quem construiu e quanto custa.

Publicado em 7 min de leitura
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A Estação Espacial Internacional completa, com oito painéis solares abertos como asas, fotografada do espaço com a Terra azul ao fundo
Foto: NASA/JSC
Neste artigo
  1. Onde ela fica, e a que velocidade
  2. O tamanho de verdade
  3. Como ela foi montada, peça por peça
  4. Quem é dono do quê
  5. Quanto custa manter aquilo no ar
  6. O que se faz lá que não dá para fazer aqui

A Estação Espacial Internacional é um laboratório do tamanho de um campo de futebol que dá voltas na Terra a 400 km de altura, com gente morando dentro dele sem interrupção desde o ano 2000. São 420 toneladas de equipamento montadas peça por peça em órbita, por cinco agências espaciais e quinze países, numa obra que levou mais de uma década e 42 voos para ficar pronta.

E há uma data redonda nesta semana. A primeira tripulação permanente decolou em 31 de outubro de 2000 e atracou na estação em 2 de novembro. Ou seja: nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, completam-se 26 anos sem que a humanidade deixe de ter alguém fora da Terra. Nenhuma geração nascida depois de 2000 viveu um único dia com o espaço vazio de gente.

Onde ela fica, e a que velocidade

A estação voa numa faixa entre 370 e 460 km de altitude, segundo a NASA. É uma altura mais ou menos equivalente a rodar de São Paulo ao Rio de Janeiro pela estrada — só que para cima.

Nessa altura ainda há um resquício de atmosfera, fino mas suficiente para frear a estação aos poucos. Por isso ela precisa de empurrões periódicos para não cair, assunto detalhado em A Estação Espacial vai cair? O fim da ISS em 2030.

A velocidade é o número que mais choca: cerca de 8 quilômetros por segundo, o que dá aproximadamente 28 mil km/h. A cada 90 minutos ela dá uma volta completa no planeta. Resultado: quem está lá dentro vê 16 nascer do sol e 16 pôr do sol por dia. É por isso que, no espaço, "dia" e "noite" deixam de significar alguma coisa e a tripulação vive pelo relógio, não pela janela.

Essa velocidade também é o motivo de a estação cruzar o céu de uma cidade em menos de seis minutos. Como calcular a próxima passagem sobre a sua casa está em Como ver a Estação Espacial passar sobre a sua cidade.

O tamanho de verdade

Medida Valor
Comprimento de ponta a ponta 109 metros
Comprimento só dos módulos pressurizados 67 metros
Treliça principal (a "espinha") 94 metros
Massa 419.725 kg (cerca de 420 toneladas)
Volume pressurizado 1.005 m³
Volume habitável de fato 388 m³
Painéis solares principais 8
Energia gerada 75 a 90 quilowatts

Os 109 metros são quase exatamente o comprimento de um campo de futebol com as áreas, e isso costuma criar uma impressão errada: a de que lá dentro há um estádio. Não há. A maior parte desses 109 metros é estrutura metálica e painel solar, não lugar para gente.

O espaço onde a tripulação de fato vive são os 388 m³ da tabela — um volume que a própria NASA compara ao interior de um Boeing 747. É um avião de corredor duplo inteiro, o que não é pouco para seis ou sete pessoas; mas é tubo, não salão, e está cheio de equipamento do chão ao teto. Como é a rotina ali dentro está em Como é a rotina de um astronauta na ISS (comida, sono, exercício).

Os painéis solares, somados, cobrem cerca de um acre — mais ou menos metade de um campo de futebol só de placa fotovoltaica, que é o que gera os 75 a 90 quilowatts da tabela.

A Estação Espacial no começo da construção, pequena, com apenas um par de painéis solares e poucos módulos, sobre nuvens brancas e o azul do oceano
A mesma estação em 2001, fotografada pela tripulação do ônibus espacial Atlantis ao se afastar. Nessa altura ela tinha um par de painéis solares e três módulos: faltavam dez anos de obra. Foto: NASA/JSC

Como ela foi montada, peça por peça

Ninguém lançou a Estação Espacial. Ela foi construída em órbita, e essa é a parte mais impressionante da história.

A primeira peça foi o módulo russo Zarya, lançado em 20 de novembro de 1998 por um foguete Proton do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Zarya significa "amanhecer", e ele funcionou como uma espécie de rebocador espacial: fornecia energia, propulsão e comunicação para o resto que viria.

Duas semanas depois, em 4 de dezembro de 1998, o ônibus espacial Endeavour decolou do Centro Espacial Kennedy levando o módulo americano Unity. O braço robótico da nave agarrou o Zarya e encaixou os dois em órbita. Ali nascia, com dois módulos e nenhum morador, a Estação Espacial Internacional.

Daí em diante foram 42 voos de montagem: 37 de ônibus espaciais americanos e 5 de foguetes russos Proton e Soyuz. O último módulo a chegar foi o russo Prichal, em 26 de novembro de 2021.

A primeira tripulação permanente — a Expedição 1 — decolou em 31 de outubro de 2000 e entrou na estação dois dias depois. Desde então nunca mais a estação ficou vazia. O que é uma "Expedição" e por que elas são numeradas está em O que é uma Expedição da Estação Espacial?.

Astronauta flutuando de barriga para baixo dentro de um módulo estreito cheio de cabos, painéis e sacolas brancas presas às paredes
Dentro do módulo Zarya, em dezembro de 1998, com a tripulação do ônibus espacial Endeavour. Foram os primeiros seres humanos a entrar na estação, três semanas depois de ela existir. Foto: NASA/JSC

Quem é dono do quê

A estação não pertence a um país. São cinco agências espaciais e quinze países no acordo, e cada parceiro é responsável pelo que colocou lá — constrói, opera e paga a manutenção do próprio pedaço.

Na prática, a divisão é em dois blocos. O segmento russo é operado exclusivamente pela Rússia. O resto, que a NASA chama de segmento orbital americano, é operado pelos Estados Unidos com Canadá, Europa e Japão juntos, e reúne os módulos de pesquisa, de moradia, de estoque e a câmara de descompressão usada nas caminhadas espaciais.

Esse arranjo tem uma consequência política curiosa: a estação atravessou crises diplomáticas severas entre Estados Unidos e Rússia sem nunca parar de funcionar, porque nenhum dos dois lados consegue operar sozinho o conjunto.

Quanto custa manter aquilo no ar

A conta é pública, e é alta. No pedido de orçamento da NASA para 2027, o programa da Estação Espacial aparece com US$ 921,2 milhões — e o mesmo valor está previsto para cada ano até 2031.

Só que esse não é o custo total. O transporte de tripulação e carga até lá entra em outra linha, Space Transportation, com US$ 1.152,5 milhões pedidos para 2027. Somando as duas, passa de US$ 2 bilhões por ano só do lado americano — e isso sem contar o que cada um dos outros parceiros gasta com a própria parte.

Em troca, a estação é hoje o único laboratório humano permanente fora da Terra. Pelo programa do Laboratório Nacional da ISS, criado pelo Congresso americano, mais de 900 experimentos voaram desde 2012, e nos últimos quatro anos fiscais 80% deles vieram da iniciativa privada, não de governo.

O que se faz lá que não dá para fazer aqui

A resposta curta é: experiência sem o peso atrapalhando.

Na Terra, qualquer mistura se separa pela gravidade — o mais pesado desce, o mais leve sobe. Em órbita isso não acontece, e por isso dá para estudar como um cristal cresce, como uma chama queima ou como uma célula se comporta sem esse efeito mascarando tudo. O caso da chama é dos mais visuais e está em Como o fogo queima no espaço? A chama vira uma bola.

A estação também serve de banco de provas para tecnologia que vai ser usada mais longe. O sistema de recuperação de água, por exemplo, reduz em 65% a quantidade de água que precisa ser mandada da Terra: de cerca de um galão por dia por pessoa para um terço de galão. Sem algo assim funcionando, uma viagem a Marte é inviável.

E há a escala da operação, que poucos imaginam: 350 mil sensores monitorados, mais de 50 computadores controlando os sistemas, 1,5 milhão de linhas de software de voo e 13 quilômetros de fiação. Mais de 290 pessoas de 26 países já passaram por lá — entre elas o brasileiro Marcos Pontes, em 2006, história contada em Marcos Pontes: a história do primeiro astronauta brasileiro.

Perguntas frequentes

O que é a Estação Espacial Internacional?

É o maior e mais complexo laboratório de pesquisa já construído no espaço: uma estrutura de 109 metros e 420 toneladas que orbita a Terra entre 370 e 460 km de altitude, operada por cinco agências espaciais de quinze países, e habitada sem interrupção desde novembro de 2000.

A que altura e a que velocidade a Estação Espacial voa?

Entre 370 e 460 km de altitude, a cerca de 8 km por segundo — aproximadamente 28 mil km/h. Nessa velocidade ela completa uma volta na Terra a cada 90 minutos, o que dá 16 voltas por dia e 16 amanheceres vistos da janela.

Quando a Estação Espacial foi construída?

A primeira peça, o módulo russo Zarya, foi lançada em 20 de novembro de 1998. O módulo americano Unity chegou em 4 de dezembro do mesmo ano e os dois foram encaixados em órbita. Ao todo foram 42 voos de montagem, e o último módulo, o russo Prichal, foi acrescentado em 26 de novembro de 2021.

Há quanto tempo existe gente morando na Estação Espacial?

Desde 2 de novembro de 2000, quando a tripulação da Expedição 1 entrou a bordo. São 26 anos de presença humana contínua no espaço, completados em 2 de novembro de 2026, sem um único dia de interrupção.

Quanto custa a Estação Espacial por ano?

No pedido de orçamento da NASA para 2027, o programa da estação aparece com US$ 921,2 milhões, e o transporte de tripulação e carga, com mais US$ 1.152,5 milhões. Isso passa de US$ 2 bilhões anuais só da parte americana, sem contar o que Rússia, Europa, Japão e Canadá gastam com os próprios segmentos.

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