Perguntas que todo mundo faz

Por que existe dia e noite? A explicação simples

A Terra gira, e metade dela fica sempre virada para o Sol. Veja a que velocidade você está girando agora e por que o dia não dura 24 horas exatas.

Publicado em 8 min de leitura
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O Sol nascendo sobre a curvatura da Terra vista do espaço, com a silhueta escura de um ônibus espacial em primeiro plano
Foto: NASA/JSC
Neste artigo
  1. A parte que o desenho da escola não mostra
  2. A que velocidade você está girando agora
  3. A linha entre os dois tem nome
  4. Por que o dia não tem exatamente 24 horas
  5. Por que o dia dura mais no verão
  6. Onde o dia dura seis meses

Existe dia e noite porque a Terra gira em torno do próprio eixo, e o Sol ilumina só metade dela de cada vez. Enquanto a sua cidade está na metade iluminada, é dia; quando a rotação leva você para a metade escura, é noite. O Sol não se move no céu: você é que está girando, a mais de 1.500 quilômetros por hora, sem sentir nada.

É isso, e nada além disso. Não tem a ver com a Terra dar a volta no Sol — essa volta leva um ano e é o que cria as estações. Dia e noite são a rotação, que leva um dia. São dois movimentos diferentes, que acontecem ao mesmo tempo e são confundidos o tempo todo.

A parte que o desenho da escola não mostra

Pegue uma bola e uma lanterna num quarto escuro. Acenda a lanterna de um lado só. Metade da bola fica iluminada, metade fica na sombra — e não tem jeito de iluminar as duas metades com uma lanterna só. Agora gire a bola devagar com o dedo. Qualquer pontinho que você marcar com caneta vai passar pela parte clara, depois pela escura, depois pela clara de novo.

Esse pontinho é você. A lanterna é o Sol. A rotação da bola é o dia.

O que o desenho da escola esconde é que a metade escura não tem nada de especial: não é um lugar, não é uma sombra projetada por outra coisa, não é a sombra da Lua nem a da Terra em outra Terra. É simplesmente o lado da bola que está de costas para a lanterna naquele instante. A "noite" é a sombra que a própria Terra faz em si mesma.

Essa sombra tem formato de cone e se estica pelo espaço por cerca de 1,4 milhão de quilômetros atrás do planeta — conta que sai do tamanho da Terra, do tamanho do Sol e da distância entre os dois. Quando a Lua entra nesse cone, acontece um eclipse lunar — que é a mesma sombra de sempre, só que pega alguma coisa no caminho. Isso está contado em Por que a Lua fica vermelha durante o eclipse?.

A que velocidade você está girando agora

A Terra dá uma volta completa em 23 horas, 56 minutos e 4 segundos, segundo a ficha do Goddard Space Flight Center, da NASA. A circunferência do planeta no equador é de 40.075 quilômetros. Dividindo um pelo outro, quem está na linha do equador anda 1.674 km/h — quase uma vez e meia a velocidade do som.

Mas isso só vale no equador. Quanto mais perto dos polos, menor a circunferência que você percorre, e mais devagar você vai. Calculamos para as cidades brasileiras:

Cidade Latitude Velocidade de rotação
Belém 1,5° S 1.674 km/h
Manaus 3,1° S 1.672 km/h
Fortaleza 3,7° S 1.671 km/h
Recife 8,1° S 1.658 km/h
Salvador 13,0° S 1.632 km/h
Brasília 15,8° S 1.611 km/h
Belo Horizonte 19,9° S 1.574 km/h
Rio de Janeiro 22,9° S 1.542 km/h
São Paulo 23,6° S 1.535 km/h
Curitiba 25,4° S 1.512 km/h
Porto Alegre 30,0° S 1.450 km/h
Chuí 33,7° S 1.393 km/h

Um avião de carreira voa a uns 900 km/h. Quem está em Belém está girando quase ao dobro da velocidade de um avião, sentado, tomando café. E ninguém sente nada, pelo mesmo motivo que ninguém sente a velocidade de um ônibus andando reto e liso: o corpo sente aceleração, não velocidade. A explicação completa está em Por que não sentimos a Terra girar?.

A costa brasileira vista do espaço à noite, em preto e branco, com as luzes das cidades formando manchas e linhas sobre o continente escuro
O lado noturno da Terra: a costa brasileira enquanto a metade iluminada do planeta está do outro lado. Cada mancha e cada fio de luz é uma cidade ou uma estrada; o preto à direita é o oceano. Foto: NASA/GSFC

A linha entre os dois tem nome

A fronteira entre a metade clara e a metade escura se chama terminador. Ela não fica parada: dá a volta no planeta junto com a rotação, na mesma velocidade da tabela acima. No equador, o terminador atravessa o chão a 1.674 km/h — mais rápido do que qualquer avião comercial consegue voar.

É por isso que o pôr do sol é tão rápido perto do equador e tão demorado perto dos polos. Em Belém, o Sol mergulha quase na vertical e o crepúsculo acaba depressa. Em Porto Alegre, ele desce inclinado, arrasta pelo horizonte, e o céu demora bem mais para escurecer de vez.

O Sol surgindo por trás da curvatura da Terra vista da Estação Espacial, com a atmosfera formando uma faixa laranja e azul sobre o planeta escuro
Um amanhecer visto da Estação Espacial. A tripulação assiste a esta cena 16 vezes por dia, porque a estação dá uma volta completa na Terra a cada 90 minutos. Foto: NASA/JSC

E é por isso, também, que a foto de astronauta que mostra a Terra "metade clara, metade escura" nunca mostra uma linha reta e nítida: o que aparece é uma faixa borrada de dezenas de quilômetros, o crepúsculo, onde o Sol já passou do horizonte mas a atmosfera lá em cima ainda está iluminada. Esse ar iluminado é o que dá cor ao céu — assunto de Por que o céu é azul? E por que fica laranja no pôr do sol.

Por que o dia não tem exatamente 24 horas

Aqui está a pegadinha que quase ninguém conhece. A Terra gira em 23h56min04s, mas o nosso dia tem 24 horas exatas. Faltam quatro minutos. Para onde eles vão?

Vão para a órbita. Enquanto a Terra gira, ela também está andando em volta do Sol — quase um grau por dia, porque são 360 graus divididos por 365,24 dias do ano. Depois de uma volta completa sobre o próprio eixo, a Terra andou um pouco na órbita, e a sua cidade precisa girar esse um grau a mais para o Sol voltar a ficar exatamente na mesma posição no céu.

Um grau de rotação leva quatro minutos. Fizemos a conta: 360 ÷ 365,24 = 0,986 grau por dia, e 0,986 grau a 15 graus por hora dá 3,94 minutos. É exatamente a diferença que aparece na ficha da NASA entre a rotação (23,9345 horas) e o dia solar (24,0000 horas).

Dito de outro jeito: o dia sideral é o tempo de uma volta em relação às estrelas, e o dia solar é o tempo em relação ao Sol. O relógio que usamos marca o segundo, porque é o Sol que manda na nossa vida. Cada planeta tem os seus dois números, e em alguns a diferença é absurda — o caso de Vênus está em Quanto tempo dura um dia em cada planeta do Sistema Solar.

Por que o dia dura mais no verão

Se a rotação é sempre a mesma, por que o dia é mais longo no verão e mais curto no inverno?

Porque o eixo da Terra é inclinado 23,44 graus. O planeta gira torto em relação ao caminho que faz em volta do Sol. Quando o hemisfério sul está inclinado para o lado do Sol, ele passa mais tempo dentro da metade iluminada a cada volta: os dias ficam mais longos. Seis meses depois, a inclinação aponta para o outro lado, e acontece o contrário. É a mesma inclinação que produz as estações, explicada em Estações do ano: por que existem e as datas de 2026 e 2027.

O efeito é tanto mais forte quanto mais longe do equador. Calculamos a duração do dia nos dois solstícios:

Cidade Dia mais longo (21/12/2026) Dia mais curto (21/06/2027) Diferença
Boa Vista 12h17 (em junho) 11h57 (em dezembro) 20 min, invertido
Belém 12h12 12h02 10 min
Fortaleza 12h20 11h54 26 min
Recife 12h35 11h39 56 min
Brasília 13h04 11h11 1h53
Rio de Janeiro 13h32 10h44 2h48
São Paulo 13h35 10h41 2h54
Porto Alegre 14h05 10h13 3h52
Chuí 14h24 9h55 4h29

Repare em duas coisas. Em Belém, quase em cima do equador, o dia varia só dez minutos o ano inteiro: lá o dia e a noite duram praticamente 12 horas cada, sempre. No Chuí, no extremo sul, a diferença passa de quatro horas e meia.

E repare em Boa Vista, que está no hemisfério norte: lá o dia mais longo é em junho, e não em dezembro. O Brasil é atravessado pela linha do equador, então o país tem cidades com verões em épocas opostas. Quem está em Roraima vive o calendário astronômico do hemisfério norte.

Onde o dia dura seis meses

Leve o raciocínio ao extremo. Se você estiver exatamente no Polo Sul, o eixo inclinado faz com que você passe metade do ano inteiro dentro da parte iluminada e a outra metade dentro da escura. O Sol nasce uma vez por ano, dá voltas no horizonte por seis meses sem se pôr, e depois some por outros seis.

Não é preciso ir tão longe para ver o efeito. Acima do Círculo Polar Ártico, no norte da Noruega, da Suécia, da Finlândia, da Rússia, do Canadá e do Alasca, existem semanas de sol da meia-noite no verão e semanas de escuridão no inverno. O Brasil nunca chega nem perto disso: o país inteiro está na faixa tropical e subtropical, onde o Sol nasce e se põe todo santo dia.

Perguntas frequentes

Por que existe dia e noite, em uma frase?

Porque a Terra gira em torno do próprio eixo e o Sol só ilumina metade dela de cada vez; conforme o planeta gira, cada lugar passa da metade iluminada para a escura e de volta.

Quanto tempo a Terra leva para dar uma volta em si mesma?

23 horas, 56 minutos e 4 segundos em relação às estrelas. O dia que usamos no relógio tem 24 horas porque, além de girar, a Terra anda um grau na órbita a cada dia e precisa girar esse pouquinho a mais para o Sol voltar à mesma posição.

Dia e noite têm a ver com a Terra girar em volta do Sol?

Não. Dia e noite são a rotação da Terra sobre o próprio eixo, que leva um dia. A volta em torno do Sol leva um ano e é o que produz as estações, junto com a inclinação do eixo.

Por que em algumas cidades o dia dura mais que em outras?

Por causa da latitude. Perto do equador, o dia dura quase sempre 12 horas. Quanto mais longe do equador, maior a diferença entre verão e inverno: no Chuí a variação passa de quatro horas e meia ao longo do ano, e em Belém não chega a quinze minutos.

O Sol se move no céu?

Do nosso ponto de vista, parece que sim, mas quem se move é a Terra. O Sol fica praticamente parado no centro do Sistema Solar, e a sensação de que ele "atravessa o céu" é efeito da rotação do chão onde estamos.

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