O Sol é uma estrela comum de tamanho médio, mas os números dele não cabem na intuição de ninguém: 1,39 milhão de quilômetros de diâmetro, 5.500 °C na superfície e 15 milhões no centro, 4,6 bilhões de anos de idade e 150 milhões de quilômetros de distância. Esta é a ficha completa do Sol, com cada número traduzido para uma escala que dá para imaginar, mais a resposta para as perguntas de sempre: de que ele é feito, por que não se apaga e por que a parte de fora é mais quente que a de dentro.
A ficha do Sol
| O que | Número | Para comparar |
|---|---|---|
| Diâmetro | 1.392.700 km | 109 Terras enfileiradas |
| Volume | 1,3 milhão de Terras | Caberiam todos os planetas do Sistema Solar dentro dele, 600 vezes |
| Massa | 2 × 10³⁰ kg | 333 mil Terras; 99,86% de toda a massa do Sistema Solar |
| Temperatura na superfície | 5.500 °C | Três vezes o ferro derretido |
| Temperatura no centro | 15 milhões de °C | |
| Temperatura da coroa (a "atmosfera") | 1 a 2 milhões de °C | Mais quente que a superfície, ver abaixo |
| Idade | 4,6 bilhões de anos | Um pouco mais que a Terra |
| Distância da Terra | 149,6 milhões de km (1 unidade astronômica) | A luz leva 8 minutos e 20 segundos |
| Composição | 73% hidrogênio, 25% hélio, 2% resto | |
| Rotação | 25 dias no equador, 35 nos polos | Ele gira em pedaços, como um líquido |
| Tipo | Anã amarela (classe G2) | Uma estrela mediana |
O tamanho: 109 Terras de ponta a ponta
Se o Sol fosse uma bola de futebol, a Terra seria um grão de areia de 2 milímetros a 23 metros de distância. Se a Terra fosse do tamanho de uma bola de gude, o Sol seria uma esfera de 1,80 m de altura, do tamanho de uma pessoa.
Um jeito de sentir isso pela estrada: dar a volta no Sol pelo equador dele é um percurso de 4,4 milhões de quilômetros. Num carro a 100 km/h, sem parar, levaria cinco anos. A volta na Terra, no mesmo carro, leva 17 dias.
Ainda assim, o Sol é mediano. Existem estrelas com mil vezes o diâmetro dele, que, no lugar do Sol, engoliriam a órbita de Júpiter. E existem anãs vermelhas, as mais comuns da galáxia, com um décimo do tamanho. Entre as estrelas que você vê a olho nu, quase todas são maiores e mais brilhantes que o Sol; as pequenas são fracas demais para aparecer.
A distância: 8 minutos-luz
A distância média da Terra ao Sol é de 149,6 milhões de quilômetros, e os astrônomos chamam isso de uma unidade astronômica. A luz, a coisa mais rápida que existe, leva 8 minutos e 20 segundos para percorrer esse caminho. Quer dizer que o Sol que você vê no céu é o Sol de oito minutos atrás. Se ele se apagasse agora, você só saberia daqui a oito minutos.
Para o resto das coisas, a viagem é bem mais longa. Um avião de carreira, a 900 km/h, levaria 19 anos. Um carro a 100 km/h, 170 anos. A sonda Parker Solar Probe, a coisa mais rápida que a humanidade já construiu, chegou a 690 mil km/h ao passar perto do Sol em dezembro de 2024, a 6,1 milhões de km da superfície, dentro da coroa: mesmo nessa velocidade, a viagem da Terra até lá levaria nove dias.
A distância não é fixa. A órbita da Terra é ligeiramente oval, e ficamos a 147 milhões de km no começo de janeiro e a 152 milhões no começo de julho. Essa variação de 3% não é o que causa as estações; o motivo está em Estações do ano: por que existem e as datas de 2026 e 2027.
A temperatura: 5.500 °C fora, 15 milhões dentro
A "superfície" do Sol, que é na verdade a camada de gás de onde a luz que vemos escapa, tem cerca de 5.500 °C. Para comparar: o ferro derrete a 1.500 °C, o filamento de uma lâmpada antiga chega a 2.500 °C, e o arco de uma solda elétrica passa de 5.000. É a temperatura da superfície que define a cor: 5.500 °C dá luz branca-amarelada.
No centro, onde o peso de todo o Sol comprime o gás, a temperatura chega a 15 milhões de graus e a pressão é 250 bilhões de vezes a da atmosfera da Terra. É a única região onde acontece a fusão nuclear que mantém o Sol aceso.
E aqui está o número que intriga os físicos há um século: a coroa, a camada mais externa e rarefeita, visível só durante eclipses totais, está a 1 a 2 milhões de graus, centenas de vezes mais quente que a superfície abaixo dela. É como se o ar em volta de uma fogueira fosse mais quente que as brasas. A explicação mais aceita envolve o campo magnético do Sol, que se torce, quebra e reconecta, liberando energia na coroa em explosões pequenas e constantes. A sonda Parker foi lançada em 2018 justamente para medir isso de perto.

Como o Sol produz energia sem queimar
O Sol não é fogo. Fogo precisa de oxigênio, e no Sol quase não há. O que acontece lá dentro é fusão nuclear: núcleos de hidrogênio, esmagados pela pressão e pela temperatura do centro, se juntam e viram hélio. Nesse processo, uma pequena parte da massa desaparece e vira energia, seguindo a fórmula mais famosa da física, E = mc².
Os números são estes: a cada segundo, o Sol transforma 600 milhões de toneladas de hidrogênio em 596 milhões de toneladas de hélio. Os 4 milhões de toneladas que faltam viraram luz e calor. Ele emagrece 4 milhões de toneladas por segundo, e mesmo assim tem hidrogênio para mais uns 5 bilhões de anos, porque a reserva é enorme.
A energia gerada no centro leva cerca de 100 mil anos para chegar à superfície, porque o gás é tão denso que a luz é absorvida e reemitida trilhões de vezes no caminho. Depois, leva 8 minutos para chegar à Terra. A luz que aquece o seu rosto hoje nasceu no centro do Sol quando os primeiros humanos ainda dividiam a Terra com os neandertais.
Do total que o Sol emite, a Terra recebe uma fração minúscula, meio bilionésimo. Mesmo assim, num dia de céu limpo, cada metro quadrado do Nordeste recebe cerca de 1.000 watts ao meio-dia, o suficiente para uma placa solar de 2 m² manter uma geladeira ligada.
A idade: 4,6 bilhões de anos, na metade da vida
O Sol nasceu há cerca de 4,6 bilhões de anos de uma nuvem de gás que desabou sob o próprio peso, provavelmente empurrada pela explosão de uma estrela vizinha. Os planetas se formaram das sobras, uns 50 milhões de anos depois; é por isso que a Terra é um pouco mais nova, como explica Quantos anos tem a Terra? Como se mede a idade do planeta.
Uma estrela com a massa do Sol vive uns 10 bilhões de anos queimando hidrogênio. Ele está na metade. Nos próximos bilhões de anos vai ficar lentamente mais brilhante, e daqui a uns 5 bilhões vai inchar até virar uma gigante vermelha. Não vai explodir; a história completa está em O Sol vai explodir? Quando e o que acontece com a gente.
Ele gira, tem ciclo e tem "clima"
O Sol gira, mas não como um corpo sólido: o equador dá uma volta em 25 dias e os polos, em 35. Essa diferença torce o campo magnético como um elástico, e a torção é a origem das manchas solares, das explosões e do ciclo de atividade de cerca de 11 anos. Estamos no máximo do ciclo 25, entre 2024 e 2026, o que significa mais manchas, mais explosões e mais auroras. O que uma explosão grande pode fazer com satélites e redes elétricas está em Tempestade solar pode derrubar a internet e a energia?.
Um último número para o fim: o Sol, com toda essa massa, também está em movimento. Ele orbita o centro da Via Láctea a 800 mil km/h e leva 230 milhões de anos para dar uma volta. Nós vamos junto.




