O primeiro homem a pisar na Lua foi Neil Armstrong, comandante da Apollo 11, em 20 de julho de 1969. Ele desceu a escada e encostou a bota na poeira lunar às 02h56min15s no horário universal do dia 21 de julho — o que, no horário de Brasília, foi às 23h56 do domingo, dia 20. Dezenove minutos depois desceu Buzz Aldrin. Um terceiro astronauta, Michael Collins, nunca pisou lá: ficou dando voltas sozinho em torno da Lua, esperando os colegas voltarem.
Ao todo, doze pessoas caminharam na Lua, todas entre 1969 e 1972, todas homens e todas norte-americanas. Armstrong foi o primeiro. Este artigo conta a missão hora a hora, com os horários convertidos para o relógio brasileiro.
Três pessoas, dois destinos muito diferentes
A Apollo 11 levou três astronautas. Dois desceram e um ficou.
- Neil A. Armstrong, comandante. Piloto de testes, veterano da Guerra da Coreia, conhecido por ser calmo até demais. Foi ele quem assumiu o controle manual na hora crítica do pouso.
- Edwin E. "Buzz" Aldrin Jr., piloto do módulo lunar. Doutor em astronáutica, tinha estudado justamente os encontros entre naves em órbita. Foi o segundo a pisar.
- Michael Collins, piloto do módulo de comando. Ficou em órbita da Lua enquanto os outros dois desciam. Durante metade de cada volta ele passava atrás da Lua, sem rádio, sem contato com ninguém no universo — a solidão mais completa já vivida por um ser humano. O lado do satélite por onde ele passava está descrito em O que existe do lado oculto da Lua?.
A divisão não era injustiça: alguém precisava ficar pilotando a nave que traria os três de volta. Sem Collins na órbita certa na hora certa, Armstrong e Aldrin morreriam na Lua.
A viagem, hora a hora, no horário de Brasília
Todos os horários abaixo saem da ficha da missão do centro de dados da NASA, convertidos do horário universal para o de Brasília, que em 1969 era três horas atrás.
| Momento | Data e hora de Brasília |
|---|---|
| Lançamento, na Flórida | quarta, 16/07/1969, às 10h32 |
| Pouso na Lua | domingo, 20/07/1969, às 17h17 |
| Armstrong pisa na Lua | domingo, 20/07/1969, às 23h56 |
| Aldrin pisa na Lua | segunda, 21/07/1969, por volta de 00h15 |
| Fim da caminhada, escotilha fechada | segunda, 21/07/1969, às 02h11 |
| Decolagem da Lua | segunda, 21/07/1969, às 14h54 |
| Amerissagem no Pacífico | quinta, 24/07/1969, às 13h50 |
Três números que ajudam a dimensionar a missão: da decolagem na Flórida até o pouso na Lua passaram-se 4 dias e 7 horas; o módulo lunar ficou pousado 21 horas e 36 minutos; e a viagem inteira, do lançamento à volta ao mar, durou 8 dias, 3 horas e 18 minutos. Por que a ida demora esse tanto está em Quanto tempo leva para chegar à Lua? De 8 horas a 3 dias.

Os minutos mais tensos: a descida
A parte que quase deu errado foi o pouso.
Durante a descida, o computador de bordo começou a disparar alarmes. Ele estava tentando fazer tarefas demais ao mesmo tempo e avisava que não daria conta. Em terra, um especialista precisou decidir em segundos se aquilo era motivo para abortar. Não era: o computador estava descartando as tarefas menos importantes e continuava pilotando. Deram o sinal verde.
Aí veio o segundo problema. Olhando pela janela, Armstrong viu que o piloto automático estava levando a nave para um terreno cheio de pedras. Ele assumiu o controle manual e voou por cima da área procurando chão liso — o que gastou combustível que não estava sobrando. Quando os pés do módulo tocaram o solo, restavam, segundo a NASA, cerca de 30 segundos de combustível antes de a regra obrigar a abortar a descida.
Foi então que Armstrong disse a frase que ninguém no controle da missão esqueceu: aqui é a Base Tranquilidade; a Águia pousou. Cerca de 600 milhões de pessoas acompanhavam pela televisão, quase um quinto da humanidade da época.
Seis horas e meia depois, ao descer a escada, veio a frase que ficou para a história: "é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade" (that's one small step for a man, one giant leap for mankind). Aldrin, ao olhar em volta, resumiu a paisagem de outro jeito: "desolação magnífica".
O que eles fizeram nas duas horas e quinze minutos lá fora
A caminhada durou 2 horas e 15 minutos — menos do que um jogo de futebol com prorrogação. Não deu para explorar nada: o raio de ação a pé, com aquele traje e sem veículo, era de algumas dezenas de metros em torno do módulo.

O que coube nesse tempo:
- Recolher amostras. Voltaram com 21,55 kg de rocha e poeira lunar, mais dois tubos cravados no solo para trazer o material em camadas.
- Montar experimentos. Cerca de 17 metros ao sul do módulo eles instalaram um pacote com sismômetro, detector de poeira e painéis solares, além de um refletor a laser colocado uns 5 metros adiante.
- Fotografar. As imagens desta página são dessa caminhada.
- Plantar a bandeira e deixar uma placa comemorativa.
O refletor a laser merece um parágrafo. É um espelho especial que devolve a luz exatamente na direção de onde ela veio. Observatórios do mundo inteiro disparam laser nele até hoje e medem a distância Terra–Lua com precisão de milímetros. É graças a ele que sabemos que a Lua se afasta de nós 3,8 centímetros por ano, número que aparece em O que é maré? Por que o mar sobe e desce. Um experimento montado à mão em 1969 continua dando dado novo em 2026.
Por que a corrida acabou ali
A Apollo não era, no fundo, um programa científico. Era uma disputa política. A União Soviética tinha lançado o primeiro satélite e o primeiro homem ao espaço, e os Estados Unidos precisavam de uma linha de chegada em que o adversário não largasse na frente.
Quando o módulo pousou, a corrida acabou. Os soviéticos abandonaram o próprio programa lunar tripulado depois de quatro explosões do foguete que estavam desenvolvendo, e mais dez pessoas pisariam na Lua até dezembro de 1972 — e ninguém mais depois disso. O porquê dessa parada de mais de cinquenta anos está inteiro em Por que ninguém voltou à Lua desde 1972 — respondido de vez, que também responde, ponto a ponto, às teorias de que nada disso aconteceu.

Hoje o mundo está voltando, com outro programa e outros países na disputa — e o placar atual está em EUA x China: a nova corrida pela Lua.
Como o Brasil assistiu
No Brasil o momento caiu perto da meia-noite de um domingo, o que ajudou: muita gente estava em casa. As emissoras brasileiras transmitiram ao vivo, com as imagens chegando por satélite — algo novíssimo na época, porque a estação terrena que permitia receber sinal de televisão do exterior tinha entrado em operação poucos meses antes.
A qualidade era péssima para os padrões de hoje: uma imagem fantasmagórica, em preto e branco, com pouco contraste. Mesmo assim, quem viu não esqueceu. É de longe a lembrança televisiva mais citada por quem era criança ou adolescente naquele ano.
O Brasil só teria astronauta próprio 37 anos depois, história contada em Marcos Pontes: a história do primeiro astronauta brasileiro.




