O Sistema Solar tem mais de 890 luas confirmadas, e 421 delas giram em torno dos oito planetas e de Plutão. O número da NASA é "mais de 891", contado em 25 de março de 2025 — e ele já está velho, porque descobre-se lua nova quase todo ano. Só Saturno responde por 274 dessas 421. A Terra, que para nós é dona da Lua mais importante do céu, entra na conta com uma só.
Este artigo traz a conta planeta por planeta, explica por que ela muda tanto e por que nem as páginas da própria NASA concordam entre si.
A conta de hoje, planeta por planeta
Os números abaixo são os da ficha planetária do centro nacional de dados de ciências espaciais da NASA, consultada em setembro de 2026.
| Planeta | Luas conhecidas |
|---|---|
| Mercúrio | 0 |
| Vênus | 0 |
| Terra | 1 |
| Marte | 2 |
| Júpiter | 95 |
| Saturno | 274 |
| Urano | 28 |
| Netuno | 16 |
| Plutão (planeta anão) | 5 |
| Total | 421 |
Some a coluna e dá exatamente 421, que é o número que a página de luas da NASA publica para "planetas mais Plutão". As outras 470 e poucas luas do Sistema Solar estão em volta de planetas anões, asteroides e objetos gelados lá longe — o que explica o total de mais de 890.
Duas linhas dessa tabela merecem atenção. Saturno tinha 82 luas em 2019 e passou a 274 em março de 2025, quando um único anúncio acrescentou 128 de uma vez. E Júpiter, que era o recordista histórico, perdeu o título. O perfil do planeta está em Júpiter: o maior planeta do Sistema Solar em números, e o de Saturno em Saturno: por que tem anéis, do que são feitos e como ver.
Por que o número muda todo ano, e por que a NASA discorda de si mesma
Vale ser honesto: não existe "o" número de luas do Sistema Solar. Existe o número de hoje, da fonte que você abriu.
O exemplo mais claro é Urano. A tabela acima diz 28. Mas em 19 de agosto de 2025 a NASA publicou que o telescópio espacial James Webb tinha achado mais uma lua ali, a S/2025 U1, numa imagem feita em 2 de fevereiro daquele ano por uma equipe liderada pela astrônoma Maryame El Moutamid — e a página dessa descoberta diz, com todas as letras, que Urano passa a ter 29 luas. As duas páginas são da NASA, as duas estão certas, e a diferença é só o tempo que cada uma leva para ser atualizada.
Há ainda um segundo motivo de divergência: o que conta como lua confirmada. Um corpo recém-descoberto ganha primeiro uma designação provisória, como esse "S/2025 U1", e só depois recebe nome oficial da União Astronômica Internacional. Algumas listas já contam os provisórios; outras esperam.
Por isso, num trabalho de escola, o mais seguro é escrever o número com a data e a fonte ao lado. "Mais de 890 luas confirmadas, segundo a NASA, em 2025" é uma frase que não fica errada no ano que vem.
Por que Mercúrio e Vênus não têm nenhuma lua
São os dois únicos planetas sem lua nenhuma, e o motivo mais aceito é a proximidade do Sol. Perto demais da estrela, qualquer satélite fica disputado entre a gravidade do planeta e a gravidade do Sol, que é esmagadoramente maior — e acaba arrancado para longe ou empurrado contra o planeta. Some-se a isso o fato de que os dois são pequenos e nunca sofreram o tipo de impacto gigante que deu origem à nossa Lua, história contada em Como a Lua se formou? A batida que criou o nosso satélite.
Isso é explicação, não teorema: a origem das luas ainda é assunto em aberto na astronomia, e cada família tem uma história diferente.
Lua grande é raridade: quase todas são pedras de poucos quilômetros
Quando se diz "274 luas de Saturno", a imagem que vem à cabeça é a errada. A esmagadora maioria dessas luas são pedaços de rocha e gelo de poucos quilômetros, escuros, em órbitas tortas e muito distantes do planeta — provavelmente asteroides e cometas capturados ao longo de bilhões de anos. Nenhuma tem forma redonda; parecem batatas.
As luas que a gente reconhece pelo nome são só uma dúzia. Estas são as maiores:
| Lua | Planeta | Diâmetro | Comparação |
|---|---|---|---|
| Ganimedes | Júpiter | 5.262 km | Maior que o planeta Mercúrio |
| Titã | Saturno | 5.150 km | Tem atmosfera densa e rios |
| Calisto | Júpiter | 4.821 km | A mais crivada de crateras |
| Io | Júpiter | 3.643 km | Cerca de 400 vulcões ativos |
| Lua | Terra | 3.475 km | A nossa |
| Europa | Júpiter | 3.122 km | Oceano de água salgada sob o gelo |
| Tritão | Netuno | 2.700 km | Gira ao contrário do planeta |
Repare que a nossa Lua é apenas a quinta maior. Ela compensa em outro quesito: comparada ao planeta que orbita, é gigante. Nenhum outro planeta tem uma lua tão grande em relação a si mesmo, e é por isso que ela domina o nosso céu e comanda as marés, assunto de O que é maré? Por que o mar sobe e desce.

E tamanho não é tudo. Encélado, uma lua pequena de Saturno, lança jatos de água salgada pelo polo sul e virou um dos alvos mais interessantes da busca por vida. Miranda, de Urano, é ainda menor e tem paredões de gelo de quilômetros de altura, como se alguém tivesse despedaçado e remontado a lua.

As luas que nem entram nessa conta
Faltam as 470 e poucas que não giram em volta de planeta. Elas acompanham planetas anões e asteroides, e várias são grandes o bastante para mudar a forma como enxergamos o objeto principal.
O caso mais famoso é Caronte, a maior das cinco luas de Plutão: ela tem metade do tamanho de Plutão, e os dois giram em torno de um ponto que fica fora do planeta anão — mais parecido com um par de dançarinos que com planeta e satélite. É um dos argumentos que aparecem em Por que Plutão não é mais um planeta? A história completa.
Até asteroides pequenos têm lua. O primeiro flagrado foi Ida, no cinturão de asteroides, com a minúscula Dactyl ao lado — uma descoberta que ninguém esperava, contada em Cinturão de Asteroides: o que é e por que não virou planeta. E é nessa região, além da órbita de Netuno, que o número deve crescer mais nos próximos anos, à medida que telescópios novos varrem o que existe depois de Netuno.
Quais luas dá para ver do Brasil
Boa notícia: mais do que parece, e sem telescópio caro.
- A nossa Lua, todas as noites em que ela está no céu, a olho nu.
- As quatro galileanas de Júpiter — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — com um binóculo comum, apoiado em algo firme. Aparecem como pontinhos alinhados ao lado do planeta e mudam de posição a cada noite. Foi assim que Galileu as viu em 1610, com um instrumento pior que qualquer binóculo de hoje.
- Titã, de Saturno, com um telescópio pequeno: é um ponto de brilho fraco perto do planeta.
O resto exige equipamento e paciência de observatório. Se você está começando, o caminho está em Melhor telescópio para iniciantes: guia de compra no Brasil.




