O efeito estufa é o processo pelo qual o calor fica preso perto da superfície da Terra, segurado por um punhado de gases da atmosfera. A imagem que a própria NASA usa é a de um cobertor em volta do planeta: o Sol aquece a Terra, a Terra devolve esse calor em direção ao espaço, e esses gases interceptam uma parte dele no caminho.
E aqui vem a parte que muita gente não espera: o efeito estufa é bom. É ele que torna a Terra habitável. O problema não é a existência dele — é o fato de ele ter ficado mais forte nos últimos cem anos.
A conta que mostra para que ele serve
A temperatura média da superfície da Terra é de cerca de 15 °C, e é o efeito estufa natural que a mantém aí. Segundo a NASA, se o gás carbônico fosse removido da atmosfera, o efeito estufa terrestre entraria em colapso e a temperatura da superfície cairia cerca de 33 °C.
Faça a subtração: 15 menos 33 dá 18 graus negativos. O planeta inteiro — praia do Nordeste, Amazônia, tudo — ficaria mais ou menos na temperatura de um congelador doméstico. Não é exagero de retórica: é a diferença entre um mundo com oceanos líquidos e uma bola de gelo.
É por isso que a NASA chama a Terra de "planeta Cachinhos Dourados", em referência à história infantil em que nada pode estar quente demais nem frio demais: aqui está no ponto. E parte importante desse ponto certo vem justamente do cobertor de gases.
Quais são os gases
Os gases do efeito estufa listados pela NASA são seis: gás carbônico, metano, ozônio, óxido nitroso, clorofluorcarbonetos (os CFCs, de geladeira antiga e spray antigo) e vapor d'água.
Desses, o que fica no centro da história é o gás carbônico, e por um motivo prático: é o que mais mudou de quantidade por causa da gente. A NASA lista as fontes dele como a queima de combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás natural —, os incêndios florestais e as erupções vulcânicas.
Os números que resumem o assunto inteiro cabem em uma tabela:
| O quê | Valor |
|---|---|
| Temperatura média da superfície da Terra | 15 °C |
| Queda se o gás carbônico sumisse do ar | cerca de 33 °C |
| Temperatura que sobraria (nossa subtração) | cerca de −18 °C |
| Gás carbônico no ar, em setembro de 2026 | 426 ppm |
| 2025 em relação à média de 1951–1980 | +1,19 °C |
| Ano mais quente desde 1880 | 2024 |
O vapor de água é diferente dos outros
Esta distinção é sutil e importante. O vapor d'água é o gás de efeito estufa mais abundante da atmosfera, mas ele não funciona como os outros. A NASA o classifica como um retorno (feedback), não como uma causa: a quantidade de vapor no ar reage à temperatura. Se algo aquece o planeta, mais água evapora; mais vapor no ar segura mais calor; o que aquece ainda mais o planeta.
Ou seja, o vapor d'água amplifica o empurrão que veio de outro lugar, mas não dá o empurrão inicial. Quem dá esse empurrão, na história recente, é o gás carbônico.

O que mudou desde 1958
Em 1958 começou, num observatório no alto do vulcão Mauna Loa, no Havaí, uma medição que nunca mais parou: a concentração de gás carbônico no ar. O resultado é um gráfico que sobe sem interrupção desde então.
A medição mais recente publicada pela NASA é de setembro de 2026: 426 partes por milhão. "Partes por milhão" significa quantas moléculas de gás carbônico existem para cada um milhão de moléculas de ar seco. Parece pouquíssimo — 426 em um milhão é menos de 0,05% do ar. Mas é justamente esse punhado de moléculas que faz o cobertor funcionar, e foi ele que aumentou.
O resultado dessa mudança aparece em outro número que a NASA acompanha. O ano de 2025 ficou 1,19 °C acima da média do período de 1951 a 1980, segundo a análise do Instituto Goddard de Estudos Espaciais. O ano mais quente já registrado desde que as medições começaram, em 1880, continua sendo 2024; 2025 e 2023 ficaram praticamente empatados logo atrás.
Esses números não vêm de um termômetro só: a análise junta dados de mais de 25 mil estações meteorológicas espalhadas pelo mundo, mais sensores em navios e boias que medem a temperatura da superfície do mar, mais estações de pesquisa na Antártida.
O que se mede do espaço
Boa parte do que sabemos sobre o assunto vem de cima. Satélites medem a temperatura do mar, a altura dos oceanos, o gelo dos polos, as queimadas e a composição do ar.
Em 2014 a NASA lançou um satélite feito especificamente para essa conta: o Orbiting Carbon Observatory-2, ou OCO-2, projetado para medir a distribuição global do gás carbônico — o principal gás de efeito estufa produzido por atividade humana, nas palavras da própria agência na época do lançamento. A frota que observa o planeta o tempo todo está em Quantos satélites observam a Terra o tempo todo?, e uma das consequências mais medidas desse aquecimento está em O nível do mar está subindo? O que o satélite mediu.

O exemplo extremo fica no planeta ao lado
Se alguém duvidar de que um punhado de gás consegue mudar a temperatura de um mundo inteiro, basta olhar para Vênus. Ele é o segundo planeta a contar do Sol e Mercúrio é o primeiro — e mesmo assim Vênus é muito mais quente que Mercúrio, por causa de uma atmosfera densíssima de gás carbônico que segura o calor e não deixa sair.
É o efeito estufa levado ao absurdo, e está contado em Por que Vênus é mais quente que Mercúrio?. Do outro lado da escala está Marte, que perdeu quase toda a atmosfera e, com ela, o cobertor: a história está em Por que Marte perdeu a atmosfera (e a Terra não)?.
Entre os dois, a Terra. E o que decide quanto calor um mundo guarda não é só o gás: a cor da superfície também pesa, assunto de O que é albedo? Por que cor decide temperatura.
Efeito estufa e buraco na camada de ozônio não são a mesma coisa
Esta confusão é tão comum que vale um parágrafo próprio. São dois problemas diferentes, com causas diferentes e soluções diferentes.
O buraco na camada de ozônio tem a ver com gases que destroem o ozônio na alta atmosfera, deixando passar mais radiação ultravioleta — o que queima a pele e faz mal à vida. O efeito estufa tem a ver com gases que seguram calor perto do chão. Eles se cruzam em um ponto só: os CFCs, aqueles gases de geladeira antiga, estão nas duas listas. No mais, são histórias separadas. O que aconteceu com a camada de ozônio desde então está em O buraco na camada de ozônio ainda existe?.
Definição, lista de gases, a queda de 33 °C e a média de 15 °C vêm da página de perguntas frequentes sobre efeito estufa da NASA. A concentração de 426 partes por milhão e o aquecimento de 1,19 °C em 2025 vêm das páginas de indicadores climáticos da agência, consultadas em 2 de novembro de 2026. A conta dos 18 graus negativos é nossa, pela subtração dos dois números da mesma fonte.




